Há muitos anos, quando o trânsito era controlado pela PVT, sigla da Polícia de Viação e Trânsito que as "línguas viperinas" da época traduziam, em surdina, como "Pouca Vontade de Trabalhar" ou "Provadores de Vinho Tinto", surgiu no escritório, de forma inesperada e sem aviso, um agente conhecido e visita regular, habitual receptor de uma caixita de vinho, dever que havia sido cumprido há não muito tempo. Estranho ...
- O senhor PB não está cá?
- Não. Agora é tempo de Cascais. Só voltará lá para o início de Setembro. Precisa de alguma coisa?
Talvez o stock se tivesse esgotado e havia autorização superior para resolver essas situações. Os telemóveis ainda estavam muito longe e o contacto só era feito, de nossa inciativa, em casos muito, mas mesmo muito, urgentes.
- Se eu puder ajudar ... o patrão telefona quase todos os dias. Nunca se sabe é a hora.
- Você sabe que ele é muito meu amigo e eu queria pedir-lhe ajuda. Estou a construir uma "barraquita" e conto com os amigos ...
- Posso dizer-lhe que o senhor passou por aqui ...
- Muito obrigado. Diga-lhe que eu tenho mesmo necessidade dos amigos ...
A "barraquita", construída com a ajuda de muitos e dedicados amigos, foi uma vivenda de dois pisos, com algumas centenas de metros quadrados de logradouro e num sítio bem agradável à vista.
Lembrei-me disto a propósito do "tanque" construído na "casita" da esposa do actual MAI por um seu amigo, cuja empresa realizou trabalhos para a Polícia Judiciária. Os trabalhos, sem nenhuma importância, estão ainda por concluir. Têm sido realizados apenas aos fins de semana.
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