DEPOIMENTODeponho no processo do meu crime.(Sou testemunhaE réuE vítimaE juiz).JuroQue havia um muro,E na face do muro uma palavra a giz.Merda ! - lembro-me bem.- Crianças ... - disse alguémQue ia a passar.Mas voltei novamente a soletrarO vocábulo indecente,E de repente,Como quem adivinha,Numa tristeza já de penitente,Vi que a letra era minha ...
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sábado, 17 de outubro de 2009
Palavras bonitas
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Livros (lidos ou em vias disso)
Não serve de desculpa para a ausência do Blog, mas (também eu) estou a ler o 2666, ainda que há muito pouco tempo.
Das 1030 páginas, li pouco mais de 100! A empreitada pressupõe tempo e paciência ... espero que compense!
"Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? " está na fila, mas, para este, é preciso, para além do tempo, que os níveis de concentração voltem ao normal e que a "pinha" esteja desocupada.
Voltando ao 2666: peguei-lhe há pouco, aproveitando um pequeno espaço, e deparei com a descrição que abaixo reproduzo a qual, pasme-se, versa um assunto que tinha sido tema na conversa de hoje em casa do meu neto.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Livros (lidos ou em vias disso)
Quando a vontade de ler se desvanece, quando a concentração se dispersa, quando o ouvido é massacrado de "barbaridades" sem nexo, "marketizando" o que devia ser sério, com meias verdades a ilustrarem as realidades, o folclore demagógico servido na bandeja da propaganda, coloco no aparelho o CD "Longe daqui", de Pedro Barroso, pego em Torga e "desapareço".
Nem de propósito! Ele a pensar no mal, e a ponta de um uivo tenebroso a furar-lhe os ouvidos.
Um arrepio fundo percorreu-lhe o corpo. E, a seguir, todo ele ficou hirto, frio, pregado ao chão, num pânico mortal. Obra de um segundo, apenas. O justo tempo de a arreata ficar esticada entre a mão que a segurava e o argolão do cabresto. É que reagiu logo. Que diabo! Ia ali quem o defendesse ... Não havia razão para um terror assim!
Miguel Torga
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Palavras bonitas
E POR VEZESE por vezes as noites duram mesesE por vezes os meses oceanosE por vezes os braços que apertamosnunca mais são os mesmos E por vezesencontramos de nós em poucos meseso que a noite nos fez em muitos anosE por vezes fingimos que lembramosE por vezes lembramos que por vezesao tomarmos o gosto aos oceanossó o sarro das noites não dos meseslá no fundo dos copos encontramosE por vezes sorrimos ou choramosE por vezes por vezes ah por vezesnum segundo se evolam tantos anos
terça-feira, 25 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Livros (lidos ou em vias disso)
"(...) Com o pensamento, estou do outro lado do mundo, ultrapassei o vento e o mar, deixei para trás os cabos e as ilhas onde vivem os homens, onde nos prenderam. Como um pássaro, deslizei rente à água, seguindo o vento, na luz e na poalha do sal; aboli o tempo e a distância e cheguei ao outro lado, onde a terra e os homens são livres, onde tudo é realmente novo. Nunca tinha pensado nisso antes. É um espécie de embriaguez, porque naquele momento não penso em Simon Ruben, nem em Jacques Berger, nem mesmo na minha mãe, nem sequer no meu pai, desaparecido no meio das ervas altas acima de Berthemont; não penso no barco nem nos fuzileiros que andam à minha procura. Mas procurar-me-ão mesmo?
domingo, 9 de agosto de 2009
Nostalgia
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Placas e erros

sexta-feira, 24 de julho de 2009
Adágios
Provérbio húngaro, mencionado por António Lobo Antunes no prefácio de uma recente edição (Dom Quixote) do livro "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad.