Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
domingo, 10 de outubro de 2010
Foz do Arelho
Hoje estava assim, no final da tarde. Aguardemos ...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Quotidiano
Num dia que começou atribulado, com pouco mais de oitenta quilómetros percorridos em quase três horas, por uma auto-estrada com obras que nunca mais terminam, com a chuva a misturar-se com o pó e a fazer uma estranha "papa" que alimenta os acidentes, com o "senhor" do rádio a dizer que o trânsito está parado no IC 19, no nó de Frielas, na A5, no viaduto do Feijó, etc., e a recomendar aos "senhores" condutores que conduzam com a máxima precaução (necessária para não dar um toque no da frente, quando se distende, por momentos, o pé que está no travão), segue um número inacreditável de veículos a passo de caracol.
No final da jornada, cansativa e longa, a mesma dança, com a chegada a casa atrasada com mais acidentes, numa altura em que a noite, sem ser ainda velha, já tinha passado há muito a adolescência.
Valha-nos ser quinta-feira, dia em que Vargas Llosa foi distinguido com o Nobel da Literatura, prémio que ainda não foi desta que contemplou António Lobo Antunes. Talvez seja melhor assim, não fosse dar-se o caso de o marketing do Nobel tirar o tempo ao nosso escritor para nos oferecer os, como ele diz, nossos livros - entregar-nos-á outro ainda este mês - e as crónicas com que, quinzenalmente, nos delicia na Visão. A desta semana, conta a história de um cabo ferrador que cumpriu serviço militar em Chaves e termina assim:
levantou-se da cadeira e foi-se embora, aposto que sem pensar em Chaves, nos montes, nas gajas, todo inteiro no interior de uma incomodidade com picos que o atormentavam, o filho morto em criança, a mulher ida com um caixeiro viajante, os duzentos euros, a sopinha. Mas havia de acabar por animar-se
- Isto já passa amigo
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Ciência em alta
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Palavras bonitas
Nos 100 anos da República, que hoje se comemoram, sempre com a esperança de que os seus ideais se mantenham bem vivos e que, apesar dos escolhos e da falta de capacidade de alguns "pedreiros", a razão e o interesse de todos se sobreponha, sempre, às mesquinhas conveniências de cada um.HINO À RAZÃORazão, irmã do Amor e da Justiça,Mais uma vez escuta a minha prece,É a voz dum coração que te apetece,Duma alma livre, só a ti submissa.Por ti é que a poeira movediçaDe astros e sóis e mundos permanece;E é por ti que a virtude prevalece,E a flor do heroísmo medra e viça.Por ti, na arena trágica, as naçõesBuscam a liberdade, entre clarões;E os que olham o futuro e cismam, mudos,Por ti, podem sofrer e não se abatem,Mãe de filhos robustos, que combatemTendo o teu nome escrito em seus escudos!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
É assim ...
sábado, 25 de setembro de 2010
Fim de semana
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Música portuguesa
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Livros (lidos ou em vias disso)
Começou o corte dos cachos das videiras que, em Abril deste ano, no Douro, ainda nem sequer abrolhavam. O ritual de antigamente está hoje em desuso, exigindo-se a quem vindima um cuidado carinhoso com as uvas, para que o corte acrescente qualidade ao vinho que há-de resultar da cozedura do mosto.
Hoje cruzei-me com várias carrinhas que transportavam pessoas para as vindimas e, quando cheguei, fui à estante procurar Torga, lido há anos, mas a quem se volta sempre com prazer.
" (...) Encosta espraiada de cepas a olhar o rio ao fundo e o céu lá no alto, a Cavadinha, com o nome em letras garrafais no arco de ferro que encima o largo portão da entrada, é o mimo das quintas. Uma alta ramada dá sombra ao caminho varrido que liga a estrada à residência, sólida construção sobranceira às várias dependências que a rodeiam: os lagares, os armazéns e a cozinha do pessoal. Casas caiadas de branco, telhado e tudo, como as de Penaguião, quando neva. Uma brancura para enganar o coração de quem vem.
A cal, porém, não chegava até à cardenha onde dormiam os vindimadores. Longe do terreiro, sobradada de palha e dividida em dois por uma meia parede que teias de aranha prolongavam até ao telhado, de um lado amontoavam-se as mulheres, do outro ressonavam os homens e as crianças, quando, depois de um dia de corte, de cestos e de lagar, caíam como tordos no chão.
- Onde se começa? - quis saber o Eusébio, ao deitar, numa curiosidade de boi pela molhelha.
- Na encosta do buxo, disse-me o tio Seara.
Dançado o último fandango, esgotado o reportório das cantigas, a tarde caíra sonolenta sobre as léguas do caminho. E agora, antes de se entregar inteiro a um repouso de morte, o corpo necessitava de conhecer em que sítio se iniciava a vida quando viesse a ressurreição.
- Aperte mais o rabo, tia Joana! - gritou de cá o Jerónimo, a um ruído suspeito do outro lado.
- Eu ainda não estou tão lassa como cuidas, ó alma do diabo! Fala ali com a Carminda ...
Um impudor de convívio chegado, de intimidade de paredes sem reboco e sem remate no tecto, rasgava o véu que cada natureza, principalmente se era feminina, trazia à volta de si. Velhas e novas, virgens e casadas, homens e meninos, olhavam-se descompostos e naturais, numa ironia tolerante.
- Ó tia Virgínia, que tal é o colchão?
- É-é-é ... bô-ô-ô ...
- E você, tia Angélica, reza a coroa?
- A minha alma já está no céu, só de vos aturar ...
- Fartei-me de uvas! - gabava-se o Chico, entoirido. - Até me dói a barriga ...
- Se te apertar, não me sujes ... Vai lá fora!
- Há pulgas, aqui! - gritou a Carminda.
- Queres que tas vá coçar?
Nenhum dito regressava sem troco, nenhuma intenção ficava por entender. (...)"
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Graffiti
Em Outubro de 2007, os Couple Coffee estiveram nas Caldas, num tributo a José Afonso organizado pelo Teatro da Rainha, apresentando um trabalho de excelente qualidade intitulado Co'as tamanquinhas do Zeca.
Recentemente, Luanda Cozetti, a voz do grupo, gravou uma das músicas do album Graffiti, de Júlio Pereira. O disco é fantástico e reúne as vozes de Sara Tavares, Dulce Pontes, Olga Cerpa, Mariza Liz, Nancy Vieira, Manuela Azevedo, Maria João, Sofia Vitória, Filipa Pais e Luanda Cozetti, numa edição cuidada e muito bonita.
Não é fácil escolher entre tanta gente de nível, mas a música minha preferida é esta aguarela da lusofonia denominada "É um dia, é um dia não".
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Palavras bonitas
Para o meu filho, que hoje faz 29 anos.
À CHEGADA DOS DIAS GRANDES
Da luva lentamente aliviada
a minha mão procura a primavera
Nas pétalas não poisa já geada
e o dia é já maior do que ontem era
Não temo mesmo aquilo que temera
se antes viesse: chuva ou trovoada
É este o deus que o meu peito venera
Sinto-me ser eu que não era nada
A primavera é o meu país
saio à rua sento-me no chão
e abro os braços e deito raiz
e dá flores até a minha mão
Sei que foi isto que sem querer quis
e reconheço a minha condição.





