Porque a modéstia em demasia é defeito e porque o que não fica escrito não aconteceu, aqui se regista para que os netos, um dia, leiam e tenham orgulho da mãe. Um, que já está um "homem" com quase 5 anos, experimentou estas andanças ainda na barriga, tal como acontece, agora, com o irmão. Farão parte da geração que nos há-de criticar muito, por não termos conseguido preservar aquilo que os nossos avós deixaram. É o desenvolvimento ...
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sábado, 23 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
FMI
Amanhã chega o FMI e o Fundo da Comunidade Europeia.
Vêm resgatar o tal país à beira mar plantado onde vivem uns quantos que "não se governam nem se deixam governar" e demonstrar que os romanos não tinham razão quando nos classificaram com este epíteto.
Vai ser lindo ...
. Acabam-se as empresas municipais.
- Não pode ser! Há muitas que são utilíssimas e dão emprego a muita gente.
. Determina-se o fim de uma grande maioria dos Institutos Públicos.
- Impossível! Para além de também contribuir para o aumento do desemprego, causaria uma redução significativa na venda de automóveis de grande cilindrada e, consequentemente, uma descida brutal nas receitas do IVA e do IA.
. Reduzem-se os Ministérios, as Secretarias de Estado e os Deputados.
- Nem pensar! Como seria possível despachar obras públicas por outro Ministro que não o das ditas? E quem viria dizer que o número de ignições de 2011 será inferior ao de 2010, se não existisse Ministro da Administração Interna? E o problema do comércio automóvel não ficaria ainda mais complicado?
Pensando melhor: para evitar tantos problemas, mudemos alguma coisa, pouca, mas mantenhamos tudo na mesma. Aumente-se o IRS e o IVA, congelem-se salários e pensões, aumentem-se as taxas moderadoras para evitar que os malandros andem sempre no médico, baixem-se as comparticipações nos medicamentos, diminuindo o desperdício e acabando com este aumento assustador da esperança média de vida.
Ficamos todos a ganhar ... e, como diz o Mário Zambujal, "À noite logo se vê".
Nota: Tenho o FMI do Zé Mário Branco, em vinil e em CD, e não é que aquilo ainda se mantém actual!
sábado, 2 de abril de 2011
Crise, geração e futuro
Um bom tema para a campanha eleitoral que se aproxima e para os debates com que, diariamente, somos bombardeados pelos "politólogos", "coladores de cartazes", "burros", e outras espécies afins.
Não consta que o discurso do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, tenha sido objecto de análise e muito menos de resposta por parte dos altos dignatários presentes e, claro, dos ausentes.
Entretanto, a crise agrava-se para a grande maioria e continua a beneficiar uns quantos que gravitam em volta da corte e, como desenhou Bordalo, "mamam na porca".
segunda-feira, 28 de março de 2011
Orgulho
Há momentos em que a retrospectiva de uma vida nos enche de orgulho, compensando as dificuldades, as agruras, os maus momentos, os momentos maus, o que fizemos de errado, as desilusões e as frustrações.
Recebi hoje, de novo, um texto de Mia Couto que circula pela Net, no qual o autor, com o nível a que nos habituou, comenta a "Geração à Rasca".
Até aqui, tudo normalíssimo, um igual entre tantos, aparentemente sem quaisquer diferenças a não ser que ... o texto vinha acompanhado de comentários dos meus filhos, um directamente de Israel onde se deslocou em trabalho e outra da linha de Cascais, onde se recompõe da "trabalheira" de um fim de semana a tentar que o Ruivaco do Oeste volte a povoar o rio Alcabrichel.
Há momentos em que a gente sente que ... valeu a pena!
segunda-feira, 21 de março de 2011
Palavras bonitas
LIBERDADEAi que prazerNão cumprir um dever,Ter um livro para lerE não o fazer!Ler é maçada,Estudar é nada.O sol doiraSem literatura.O rio corre, bem ou mal,Sem edição original.E a brisa, essa,De tão naturalmente matinal,Como tem tempo não tem pressa …Livros são papéis pintados com tinta.Estudar é uma coisa em que está indistintaA distinção entre nada e coisa nenhuma.Quanto é melhor, quando há bruma,Esperar por D. Sebastião,Quer venha ou não!Grande é a poesia, a bondade e as danças …Mas o melhor do mundo são as crianças,Flores, música, o luar, e o sol, que pecaSó quando, em vez de criar, seca.O mais do que istoÉ Jesus Cristo,Que não sabia nada de finançasNem consta que tivesse biblioteca …Fernando PessoaEM TODOS OS JARDINSEm todos os jardins hei-de florir,Em todos beberei a lua cheia,Quando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde o mar ondeia.Um dia serei eu o mar e a areia,A tudo quanto existe me hei-de unir,E o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagens,A secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagensSophia de Mello Breyner AndresenMIRADOIROCom tristeza e vergonha enternecida,Olho daquiA ponte das palavrasQue construíSobre o abismo da vida.Sonhei-a;Desenhei-a;Sólida até onde pude,Lancei-a como um salto de gazela:E não passei por ela!Vim por baixo, agarrado ao chão do mundo.Filho de Adão e Eva,Era de terra e trevaO meu destino.E cá vou como um pobre peregrino.Miguel TorgaO SAL DA LÍNGUAEscuta, escuta: tenho aindaUma coisa a dizer.Não é importante, eu sei, não vaiSalvar o mundo, não mudaráA vida de ninguém – mas quemÉ hoje capaz de salvar o mundoOu apenas mudar o sentidoDa vida de alguém?Escuta-me, não te demoro.É coisa pouca, como a chuvinhaQue vem vindo devagar.São três, quatro palavras, poucoMais. Palavras que te quero confiar.Para que não se extinga o seu lume,O seu lume breve.Palavras que muito amei,Que talvez ame ainda.Elas são a casa, o sal da língua.Eugénio de Andrade
domingo, 20 de março de 2011
Livros (lidos ou em vias disso)
(...)
Canto VIII - 28A hipocrisia, por exemplo, é das velharias maisdifíceis de o homem se livrar; apegou-se ao homemcomo o lixo ao trapo já sujíssimo de pó.Conhecer crápulas, diga-se, não é uma raridade:normalmente são mansos, entram discretoscomo empregados de mesa de restaurantesde luxo e acabam a tentar degolarquem acabou de adormecer. (...)
Uma viagem à Índia
Gonçalo M- Tavares
Caminho (2010)
Primavera
Está a chegar e, de acordo com o calendário, isso vai acontecer amanhã.
Entretanto já as flores, as árvores, a paisagem ganharam as cores e a luz que nos deliciam.
Hoje, o mar da Foz estava lindo, como as fotos evidenciam. Convidava a um mergulho, fazendo companhia a um corajoso que por lá andou mais de 15 minutos. Não ia preparado, senão ...
domingo, 13 de março de 2011
Fim de semana
Está a terminar ...
Foi bem preenchido e atarefado. Ainda na sexta-feira, uma correria para chegar a tempo ao jantar dos amigos com quem reúno às segundas sextas de cada mês. Refeição à pressa, com a actualização das conversas por entre os bocados de chouriço assado, as moelinhas, o queijinho fresco com oregãos e outras iguarias que o estômago detesta e as papilas gustativas adoram, antecedidas por um sopinha de feijão com hortaliça que caiu como "sopa no mel". Às 21H15 um toque no telemóvel indicava que a viatura e a "motorista" já me aguardavam, para rumar ao CCC. O Grupo de Teatro O Bando apresentava, em estreia, Pedro e Inês, uma peça escrita por Miguel Jesus, com o título Inês Morre. Os históricos amores do rei justiceiro e da castelhana coroada rainha depois de morta não foram suficientes para aquecer o ambiente do CCC, que continua gelado, mantendo o ar condicionada avariado há vários meses.
As rotinas habituais de sábado, a visita do neto perturbada pela má disposição que a chegada da febre já lhe provocava e, à noite, de novo o teatro e mais uma estreia do Teatro da Rainha: Kabaret Keuner e outras histórias, de Bertolt Brecht. Um conjunto de histórias, escolhidas e interpretadas pelo Zé Carlos Faria, sozinho em palco, numa encenação de Fernando Mora Ramos.
Extraordinário! Textos com quase 100 anos e uma actualidade incrível, um Zé Carlos Faria soberbo a tocar banjo, a cantar e a interpretar, numa peça para recordar e a não perder.
Entretanto, já tinha acabado o desfile daquela massa de gente - seriam 200.000 - que se havia deslocado a Lisboa a representar todos os que estão à rasca. Desta vez e ao contrário do que sucedeu em Viseu, Sócrates não convidou ninguém para jantar nem opinou sobre a possibilidade de ser uma brincadeira de carnaval no "sambódromo" da Liberdade que, apesar da crise, da inevitabilidade do FMI, dos mercados , dos cortes, das ironias, "está a passar por aqui".
domingo, 6 de março de 2011
Palavras bonitas
Canto I - 15
Mas a natureza também aparece, e muito,
nesta viagem.
O vento, por exemplo, que poderá parecer
elemento neutro,
que distribui os ligeiros incómodos por ricos
e pobres,
mas na verdade é apenas hábil:
nos fracos provoca frio e nos fortes é leve brisa que
acalma o calor excessivo.
Canto I - 91
Um dos cobardes, numa recaída afoita
que até o mais medroso tem,
pegou ainda, durante a fuga, numa forte pedra,
mas com a má pontaria, que nervos excessivos
sobre as omoplatas e o cotovelo provocam,
acabou por acertar em cheio
na praticamente vazia cabeça do velho pai.
Mas a natureza também aparece, e muito,
nesta viagem.
O vento, por exemplo, que poderá parecer
elemento neutro,
que distribui os ligeiros incómodos por ricos
e pobres,
mas na verdade é apenas hábil:
nos fracos provoca frio e nos fortes é leve brisa que
acalma o calor excessivo.
Canto I - 91
Um dos cobardes, numa recaída afoita
que até o mais medroso tem,
pegou ainda, durante a fuga, numa forte pedra,
mas com a má pontaria, que nervos excessivos
sobre as omoplatas e o cotovelo provocam,
acabou por acertar em cheio
na praticamente vazia cabeça do velho pai.
Gonçalo M. Tavares
Uma viagem à Índia
Caminho 2010
quarta-feira, 2 de março de 2011
Tributo à minha mãe
Sete
são os anos que passaram.
Tantos quantos são os dias
das muitas semanas em que me deste
o melhor.
Sete são as cores do arco-íris
com que pintaste o quadro
de uma vida tão cheia quanto dura
por vezes até madrasta.
Sete são as notas de uma música
de valores
que me ensinaste a tocar
tão bem. (aprendi?)
São incontáveis as horas
de sono que te roubei
sem saber.
E não consigo contar
as outras, que, bem sabendo,
te deixei bem acordada.
Recebi, em paga disso,
uns ralhetes disfarçados
uns escudos escondidos
uns conselhos murmurados
que ficaram
cá bem no fundo de mim.
Foste assim ... e não me esqueço.
são os anos que passaram.
Tantos quantos são os dias
das muitas semanas em que me deste
o melhor.
Sete são as cores do arco-íris
com que pintaste o quadro
de uma vida tão cheia quanto dura
por vezes até madrasta.
Sete são as notas de uma música
de valores
que me ensinaste a tocar
tão bem. (aprendi?)
São incontáveis as horas
de sono que te roubei
sem saber.
E não consigo contar
as outras, que, bem sabendo,
te deixei bem acordada.
Recebi, em paga disso,
uns ralhetes disfarçados
uns escudos escondidos
uns conselhos murmurados
que ficaram
cá bem no fundo de mim.
Foste assim ... e não me esqueço.
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