Molusco. Esponjaembebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
Natália Correia
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
Molusco. EsponjaCostumo dizer que uma das minhas poucas qualidades é ser muito teimoso. E é verdade: gosto de uma boa polémica, adoro contraditar, defendo as minhas ideias com toda a energia e convicção.
Vem isto a propósito de, esta semana, ter encetado uma discussão, pacífica, sobre o adjectivo "obrigado" e a forma correcta de o aplicar.
A A.L. defendia que o adjectivo devia ser utilizado no feminino se dito por uma mulher e no masculino, quando pronunciado por um homem. A R.R. contraditava, parecendo-lhe que o correcto era sempre "obrigado". O M.R. não tinha certezas e estava virado para a abstenção. Teimoso, eu argumentava que se devia dizer sempre "obrigado" e, para justificar o meu argumento, ilustrava com uma frase:
- A menina não se sinta obrigada a dizer obrigado sempre que lhe oferecem flores!
A A.L. mantinha-se irredutível. O seu professor de português tinha-lhe ensinado a regra, há muitos anos, e nunca se tinha esquecido.
Comecei a duvidar de mim e cedi:
- Quando chegar a casa, vou confirmar!
És homem? Sê delicadoE agradece, cortêsSempre com um "obrigado",Pra falares bom português!Porém, a recusa delicadaDa menina esbelta e fina,Será sempre: não, obrigada,Por a voz ser feminina! "
As novas tecnologias ajudam muito aqueles a quem o tempo falta.
Ver televisão, durante a semana, é um "luxo" cada vez mais difícil de conseguir. Vou deixando a gravar alguns programas que não quero perder e, quando surge a oportunidade, "play" com ele.
O "5 para a meia noite" das terças-feiras é sempre gravado e, assim que é possível, lá coloco o Zé Pedro Vasconcelos em diferido, para me deliciar com o seu humor e com a inteligência com que aborda os assuntos e convidados.
Hoje vi o programa do passado dia 12, no qual estiveram presentes dois jornalistas: Pedro Coelho, da SIC, que falou da sua grande reportagem sobre o BPN, e Rita Marrafa de Carvalho, da RTP, que dissertou sobre jornalismo de investigação e mostrou os dotes da sua voz, bem bonita, a cantar, "à capela".
O nível estava elevado e subiu quando, na rubrica que surgiu nesta segunda série, Vítor de Sousa, com a sua extraordinária voz, disse um poema de Manuel da Fonseca, apropriado para o programa e para os dias em que vivemos.
DONA ABASTANÇA"A caridade é amor"proclama Dona Abastançaesposa do Comendadorsenhor da alta finança.Família necessitadaa boa senhora acodepouco a uns a outros nada"Dar a todos não se pode".Já se deixa verque não pode serquemo que temDá a pedir vem.O bem da bolsa lhes saie sai caro fazer o bemela dá ele subtraifazem como lhes convémela aos pobres dá uns cobresele incansável lá vaicom o que tira a quem não temfazendo mais e mais pobres.Já se deixa verque não pode serdarsem tere ter sem tirar.Todo o que milhões furtousempre ao bem fazer foi dadopouco custa a quem rouboudar pouco a quem foi roubado.Oh engano sempre novode tão estranha caridadefeita com dinheiro do povoao povo desta cidade.