Aos Domingos ... a quarentena!
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
domingo, 19 de abril de 2020
sábado, 18 de abril de 2020
Quotidiano
A quarentena tem sido um manancial de aquisição de conhecimentos e espero que assim continue. No final disto tudo, tenho de decidir a quem devo submeter a tese de "doutoramento virtual" abrangente.
No Facebook sabe-se e discute-se tudo; o Instagram segue o mesmo caminho e os vídeos, textos, discursos, enviados pelo Messenger, são carregados de sapiência e de certezas.
Discute-se e opina-se sobre tudo (sim, separado, se não era casacão) desde a queda do PIB aos "coronabonds", a permanência de Centeno e as moratórias, a burocracia do crédito e as garantias, o dinheiro que não chega, as comemorações, o "pico" e o "planalto", os ventiladores e as máscaras, a vacina que há-de chegar e o medicamento que já aí está, sempre com eloquência e certezas que não se vislumbram quando se ouvem as pessoas que estudam o problema. Enfim ...
Hoje o tema ainda é mais arrasador: vamos ou não à praia no Verão? Podemos marcar as férias? As praias terão senha a determinar a vez de ir ao banho? E quantos poderão estar na água? E no chapéu? Haverá filas e distância profilática para o areal? Não seria conveniente haver legislação que determinasse o tamanho da toalha?
Rendo-me e vou "dar a coxa à Caparica".
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Quotidiano
Na (minha) instrução primária faziam-se ditados.
A professora ou, na primeira classe, algum colega da quarta, ditava textos com palavras cada vez mais complicadas, à medida que a aprendizagem ia evoluindo e as classes também.
A professora corrigia e, no próprio dia ou no dia seguinte, obrigava a repetir as palavras erradas, dez, vinte, cinquenta vezes, conforme achava que o erro era recorrente ou resultava de distracção pura.
Não fui muito penalizado com estes castigos - presunção e água benta, cada um toma a que quer ou, de outro modo, gaba-te cesto que amanhã vais à vindima - mas lembrei-me disto hoje, quando assistia à conferência habitual da Direcção Geral de Saúde.
Coitada da pobre senhora: todos os dias tem de repetir frases inteiras já ditas e reditas anteriormente.
É mesmo castigo "à antiga".
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Quotidiano
Hoje, o dia fica marcado pela notícia da morte de dois grandes da literatura.
Rubem Fonseca, um excelente escritor brasileiro, foi vítima de um enfarte do miocárdio, que o levou poucos dias antes de completar a bonita idade de 95 anos.
Luís Sepúlveda foi, aos 70 anos, mais uma vítima do coronavírus. O escritor chileno, que residia em Espanha há muito - a ditadura de Pinochet obrigou-o a abandonar o país -, era grande amigo de Portugal e esteve no Correntes d'Escritas em Fevereiro deste ano, onde participou numa mesa intitulada, curiosamente ou talvez não, "Era uma vez a liberdade".
Fica por aqui o registo do desaparecimento de dois grandes escritores, cujos livros nos continuarão a fazer companhia.
quarta-feira, 15 de abril de 2020
Quotidiano
Ainda não foi hoje que fui à Foz!
As recomendações das autoridades para os grupos de risco, as chamadas de atenção familiares para a minha normal rebeldia, obrigam-me a ser cordato, obediente e educado ou, como se dizia em tempos longínquos de má memória, atento, venerando e obrigado.
Cumpro, respeitosamente, as ordens da senhora Directora Geral de Saúde (não consigo escrever DGS), por entender que é o melhor para todos, incluindo para mim, que pertenço ao grupo de risco, e por entender que a senhora merece ter esta modesta compensação, pelo enorme esforço que tem feito.
Este mês deve ter sido o mais comprido de toda a sua vida e isso está bem expresso na sua cara, quando, diariamente, nos entra pela casa. É visível o cansaço, que deixa marcas, mas também a paciência de JO que evidencia perante algumas perguntas (im)pertinentes.
Não quero ser ave de mau agoiro, mas estou convencido que, no final, será ela o "guarda-redes". Se não houver golos, não fez mais do que a sua obrigação; se correr mal, via-se logo que ia haver "frango".
Continue a mandar, Doutora Graça Freitas, que quem decide será sempre criticado.
"Os cães ladram e a caravana passa", diz o velho adágio.
terça-feira, 14 de abril de 2020
Quotidiano
Quando, de manhã, tudo indicava que iria ser mais um dia sensaborão, sem nada para registar ou apelar aos sentidos, eis que, afinal, Abril uma vez mais surpreende.
Ainda não são seis da tarde e o Sol já aqueceu, o vento já soprou, a chuva já molhou (e bem), já relampejou, muito, e trovejou, ainda mais.
Se mais não houvera, já seria suficiente para que o dia não fosse mais um normal da ... quarentena.
Houve mais: o melhor foi ver duas fotografias, lindas, do meu neto mais novo, atentíssimo no regresso às aulas.
Depois disto, tudo o resto é pouco importante mas, ainda assim, li a indignação de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, contra uma pseudo-análise da TVI sobre o número de infectados no Norte do país, que tem, na douta opinião do autor, a "população menos educada, mais pobre, envelhecida e concentrada em lares"; o director da estação já veio pedir desculpas pela "enormidade" mas, tenho para mim que o autor deve ser um daqueles iluminados que acham que, após Vila Franca, tudo é provinciano e vive atrás da moita.
Como tinha tempo livre, ainda fui à Culturgest espreitar uma exposição, assisti a um concerto de Chico Buarque, li uma quantas páginas do Adeus às armas, de Ernest Hemingway, e recebi, pelo correio, um livro enviado pelo meu amigo ADS - Uma aventura inquietante, de José Rodrigues Miguéis - numa edição de 1963, que conto ler assim que terminar o referido antes.
E, para que o dia ficasse completo e não fugisse à rotina, tomei o pequeno almoço, conferi a conta do banco, lavei as mãos muitas vezes, vi notícias na TV, li jornais online, almocei, não dormi a sesta, lanchei, resolvi palavras cruzadas e Sudoku do Público e ainda conto jantar.
Bolas!!! Esta vida é muito cansativa e desgastante!
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Auto de São Martinho
O Teatro da Rainha disponibilizou a gravação do Auto de São Martinho, de Gil Vicente, que levou à cena em Maio de 2017 no Largo do Hospital Termal, num espectáculo a que tive a oportunidade e o gosto de assistir.
Numa altura em que os espectáculos são apenas miragens, é bom recordar, ainda que não haja nada que substitua o calor da vivência do momento.
Mas, em tempos de "fome", valha-nos "sopa requentada" de tão boa qualidade!
Quotidiano
Palavras pertinentes e sempre actuais ... há um mês que não vou à Foz do Arelho, ver o mar!
domingo, 12 de abril de 2020
Quotidiano
O momento que vivemos é único nas nossas vidas e deixará marcas para sempre. É um lugar comum mas, dificilmente, mesmo os mais novos deixarão cair no esquecimento um tempo tão marcante e tão inesperado.
Hoje, Domingo de Páscoa, houve almoço virtual que juntou a família à mesa, cada um em seu recanto, com tudo e sem nada em comum. Daqui por muitos anos, os netos recordarão a escola, o "exílio", o almoço, os chocolates partilhados em rede, as dificuldades com a posição das câmaras para se conseguirem as melhores imagens - não vejo os teus olhos - tudo o que os mais velhos não esperavam que acontecesse e muito menos contavam viver.
Depois de tudo isto bem mastigado e digerido e de ver, uma vez mais, o Papa sozinho na igreja que costuma estar cheia, sento-me na secretária e ligo o computador.
Vou assistir, em directo, a um espectáculo de Andrea Bocelli, a partir da Catedral de Duomo, em Milão, na vergastada Itália.
Bocelli canta Música pela Esperança e aquilo que, em circunstâncias normais, seria um concerto com igreja cheia, foi, afinal, um cenário onde duas pessoas - cantor e organista -, enormes, se mantiveram a um nível impressionante e a deixarem claro que o homem tem e terá sempre força para resistir às adversidades e seguir em frente, rumo a um futuro que se espera melhor e será sempre diferente.
As pálpebras cerradas de Andrea Bocelli transmitem-nos a confiança de que a luz, um dia destes, vai surgir.
sábado, 11 de abril de 2020
Quotidiano
O confinamento "obriga" a uma maior atenção ao que se passa em casa e no jardim.
Os olhos estão mais abertos e qualquer alteração salta de imediato.
Os limoeiros estão carregados e a laranjeira cheia de flor. A glicínia já mostra os seus grandes cachos violeta e o seu aroma peculiar começa a sentir-se. As strelitzias mantêm a sua beleza durante todo o ano mas, nesta altura, ainda se apresentam mais bonitas, para não perderem a corrida primaveril.
O hibisco mantém disputa acesa com a cameleira e as roseiras, embora rindo-se ainda pouco, já vão dando um ar da sua graça, que é muita.
Mais prosaicos, os tomateiros, a salsa, os coentros, as alfaces, os pimentos e os morangueiros, uns mais do que outros, aprestam-se ou já vão indo para a mesa, para serem saboreados sem companhia, que o tempo não vai para refeições com mais de duas presenças.
O bonsai está entusiasmado e o jasmim já trepa, verdinho, pelo algeroz. Há mais flores, arbustos, árvores de pequeno porte, e a excepção jacarandá, enorme, mas ainda sem flores.
Apesar disto tudo, há surpresas agradáveis, que agora chegam sempre que o Sol aparece.
As abelhas invadem o escovilhão, limpa-garrafas ou, mais cientificamente, o(a) Callistemon Rigidus. Está lindo, de um vermelho único. As abelhas trabalham nele que nem desalmadas, sugando o pólen das suas flores. Pacíficas, não nos ligam nada, mesmo quando nos encostamos à árvore. Aparecem de repente, assim que o Sol descobre e abalam tão depressa como chegaram.
Não faço ideia se estão "domesticadas" por algum apicultor ou se são livres de tutela. Mas que são bem-vindas, são!
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