sexta-feira, 25 de março de 2022

Circo

Conseguirá o "trapezista" chegar ao "baloiço"?

A dúvida no Expresso de hoje, pela mão, sempre brilhante, de António.

quinta-feira, 24 de março de 2022

25 Abril

Começaram ontem as comemorações dos cinquenta anos do 25 de Abril, com uma cerimónia no Pátio da Galé, que contou com as entidades oficiais e a presença da Chaimite "Bula", que foi a "Uber" de Marcelo Caetano para a saída do Quartel do Carmo. As músicas foram interpretadas pela Orquestra Geração, projecto extraordinariamente interessante e importante.

No final, foi guardada uma caixa de cortiça, a que chamaram cápsula do tempo, que irá ser aberta quando se comemorar o Centenário da Revolução dos Cravos. Nela se guardaram alguns objectos relacionados com a operação militar, que foram colocados pelo "capitão" Vasco Lourenço. Foi ainda colocado um exemplar do jornal Público, cartas de dois jovens estudantes e um poema de Alice Neto de Sousa. O objectivo é que, em 25 de Abril de 2074, sejam estes documentos consultados e lidos, talvez por alguns daqueles que os escreveram e que, nessa altura, serão já "pessoas de uma certa idade". 

A leitura do poema "Março", efectuada de forma brilhante pela sua autora, deixou-me fascinado. Já tinha acontecido aqui e ontem encheu-me de novo. Fica o registo do seu magnífico poema, "roubado" ao Expresso, com a esperança de, daqui por cinquenta anos, já não haver necessidade de a poeta escrever assim e poder dizer que valeu a pena escrever e gritar Liberdade.

Expresso

quarta-feira, 23 de março de 2022

Liberdade, sempre!

Para além das mortes e das destruições que implica, a guerra transporta consigo ódios irracionais entre pessoas, algumas que, por vezes, até eram amigas. A raiva é fomentada, a culpa atribuída, a razão está sempre do "nosso" lado.

Não é de agora. Sempre foi assim, durassem as disputas muito ou pouco tempo. Quase um mês depois de ter começado, a barbárie está a trazer ao de cima esses ódios, indiscriminados, com alguns a pretenderem tomar a parte pelo todo e a considerarem que, pelo facto de o ditador e déspota ser russo, mais ninguém daquele país se aproveita, mesmo aqueles que já nem sequer cá estão.

Das artes às letras, da música à dança, parece haver gente hipócrita que pretende passar lixívia para que tudo fique branco. O homem há-de desaparecer e os russos continuarão a deixar-nos grandes obras, para serem registadas nas páginas mais sublimes da História. O ditador, esse, juntar-se-á, em letras minúsculas, a todos aqueles a quem fará companhia, na história de letra pequena.

A liberdade não tem preço e a opção do gosto não precisa de qualquer controlo. 

Só conhecendo se escolhe bem!

terça-feira, 22 de março de 2022

Água aberta

Raro é o dia em que não se comemora um qualquer acontecimento, uma efeméride, um aniversário, um nascimento, uma morte, qualquer coisa importante que está, ou deve estar, na memória das pessoas e fazer parte da cultura que têm de exibir, para que conste ...

Hoje é o Dia Mundial da Água e a "Aberta" foi aberta!

Não há fotografias que o comprovem, porque o S. Pedro, sempre do contra, não colaborou e mandou para o Oeste um dia sem sol, com vento desagradável e muito chuvoso. Claro que apesar das condições climatéricas não serem favoráveis, um fotógrafo de qualidade teria conseguido uma boa "chapa", talvez até ilustrada por um criativo céu azul obtido num qualquer fotoshop.

Assim e porque o fotógrafo é rasca, fica apenas a palavra, mais do que suficiente para garantir a todo o mundo que a ligação ao mar está restabelecida, ainda que as máquinas por lá continuem a torná-la mais larga e mais profunda, para que o seu desempenho seja melhorado e se evite que o "malandro" do mar não seja como o S. Pedro, e volte tudo à estaca zero.

Está quase a chegar o tempo de usufruir daquela maravilha, desde que o S. Pedro se porte bem e não baralhe tudo, como tem feito até aqui.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Actualidade

A poesia tem a virtude de poder ser lida mil e uma vezes e trazer sempre novidade, mantendo-se actual.

COM CINCO LETRAS DE SANGUE

De súbito três tiros na memória.
Apagaram-se as luzes. Noite. Noite.
De súbito três tiros nas palavras
uma poeta calou-se e acabou-se a canção.

De súbito um poema foi bombardeado
um poeta fechou-se nas vogais
cercado por consoantes que talvez
caminhassem cantando para um verso.

Eram granadas? Eram sílabas de fogo?
E de súbito a guerra. Noite. Noite. E um poeta
com cinco letras escreveu no chão: porquê?
Com cinco letras do seu próprio sangue.

30 Anos de Poesia
Manuel Alegre
Dom Quixote (1995)

domingo, 20 de março de 2022

Distância

Vieram visitas, lá de longe, do outro lado do Atlântico. 

Há mais de dois anos que não estávamos juntos e havia muito que contar sobre o período "sabático" que o vírus nos obrigou a cumprir. Foi um dia bom, curto para tanto que havia para dizer e desfrutar. 

Para evitar experiências idênticas, espera-se e deseja-se o regresso à normalidade, com saúde e em paz.

Assim o queiram, por um lado, o coronavírus, que não se vê mas sente-se, e, por outro, o micróbio Putin, para o qual a ciência ainda não encontrou um antibiótico que lhe trate da saúde.

sábado, 19 de março de 2022

Dia do Pai

Neste dia do pai, o meu faria 100 anos - um século -, se não tivesse partido.

TREVAS

Bato à porta da minha solidão,
E ninguém abre!
Na grande noite que me rodeou,
Quem vinha ao meu encontro, desviou
A direcção fraterna da ternura ...

Trevas - é o que ficou
Na concha de que fiz a sepultura.

Cântico do Homem
Miguel Torga
Coimbra (1974)

sexta-feira, 18 de março de 2022

"Aberta"

As máquinas já se instalaram e a areia começou a ser removida, ainda que de forma lenta.

A abertura da "aberta" está marcada para o próximo dia 22, quando estiverem concluídos os trabalhos preliminares que estão a ser efectuados, e faltar apenas romper a ligação. O peso da água da lagoa fará o resto, levando uma boa corrente para o mar que, em maré vaza, a receberá, espera-se, de braços abertos. Será o reatar das relações de duas entidades que se toleram, convivendo juntas para sempre, ainda que, por vezes, pausem a ligação para recarregar baterias.

Depois, bem, depois, ver-se-á. Todos anseiam que o mar concorde e se disponibilize para a situação criada pela mão humana, contrariando a pausa decidida por quem detém o poder naqueles domínios.

Nem sempre assim acontece e o mar, já se sabe, é rei e senhor daquelas bandas e, por norma, gosta de contrariar quem o provoca.

quinta-feira, 17 de março de 2022

Finalmente?

A avaliar pelos ecos que nos chegam, parece que estará em vias de se concretizar a "vacina" que acabará com a mortandade e com a destruição que a Rússia e o seu "dono" instalaram na Ucrânia, desde o passado dia 24 de Fevereiro. Já lá vão 24 dias! Tenho a sensação de que são ecos distorcidos e continuo bastante céptico em relação ao fim que se deseja, embora não tenha nenhum conhecimento que me permita fundamentar. Apenas me limito a ansiar que o meu cepticismo não vingue e que aquela selvajaria acabe "ontem".

Pelo que sei, habitarão na Ucrânia cerca de 44 milhões de pessoas, havendo mais alguns milhões de ucranianos espalhados por vários países, entre os quais Portugal. De acordo com as informações veiculadas pela ONU, mais de três milhões já abandonaram o país e haverá à volta de seis milhões que se encontram deslocados internamente. 

É muita gente, não haja dúvida! Mas é tão pouca quando comparada com a que se mantém nas suas terras, sabe-se lá em que condições e com que sofrimento. 

A História há-de encarregar-se de adjectivar os autores desta vergonha, mas isso não trará nada de importante para quem o sofreu nem lhes servirá de consolo.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Coragem

A "idade" que o blogue leva faz com que muitos assuntos, acontecimentos, peripécias, já por aqui tenham feito escala, numa viagem qualquer, e por isso exige atenção para que se não perca muito tempo com os tratados anteriormente, evitando-se repetições sempre algo maçadoras.

O 16 de Março de 1974 foi um dia importante para o (meu) Regimento de Infantaria 5 (actualmente Escola de Sargentos do Exército), para a cidade, para o país e para todos aqueles que nele se envolveram. Não teve o sucesso que se desejava, talvez por uma deficiente planificação e uma apressada corrida, mas serviu para alertar os mais distraídos de que alguma coisa andava no ar, fazendo transparecer a  disponibilidade militar para pôr fim à ditadura.

Como sempre, a pressa é inimiga da perfeição e a saída das Caldas rumo a Lisboa não surtiu o efeito desejado. Apesar disso, é importante que a data não seja esquecida, muito menos omitida, para que a memória permaneça e seja possível trazer ao conhecimento das gerações mais novas o que se passou e quão difícil era, naquela época, dar um passo tão importante.

Era preciso muita coragem para correr os riscos implícitos e que todos bem conheciam.