Para recordar e ter sempre presente!
Há 50 anos, em Santiago do Chile,
e há 22, em Nova Iorque,
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
Para recordar e ter sempre presente!
Há 50 anos, em Santiago do Chile,
e há 22, em Nova Iorque,
O cais palafítico está quase, quase construído, ou melhor, reconstruído.
E vai ficar bonito, convidando à olhadela imprescindível sobre a beleza da Lagoa e ao passeio pela "estrada" assente nas estacas, com o cuidado e o respeito que se impõem.
Como não há bela sem senão, mantém-se a estranheza perante a ausência de quaisquer sinais de ligação à margem esquerda, que facilitaria o acesso a todo o conjunto para procurar as diferenças entre um lado e o outro, nalguns casos bem significativas e com a beleza sempre presente.
Ficaria, até, como símbolo do entendimento entre dois concelhos vizinhos, que têm uma lagoa em comum e, por vezes, mais parece que nem se conhecem.
O senhor professor quer que os alunos sejam e se mantenham atentos, sorridentes e com capacidade de o ouvir, entender e idolatrar.
O senhor professor fala muito, mesmo muito, e não deixa margem para que os aprendizes se exprimam, dêem opiniões, usem o silêncio, que é quase sempre bom conselheiro.
No início do curso, o senhor professor explicitou, com a clareza e a verborreia que todos lhe reconhecem, a metodologia e as regras que presidiriam às aulas, realçando que a sua (muita) qualidade de pedagogo lhe dava a obrigação de gerir a matéria a seu gosto e sempre de acordo com as suas determinações.
As regras genéricas e há muito estabelecidas deveriam ser cumpridas com rigor, e os comentários deveriam ser permitidos e incentivados, na procura das melhores soluções para os problemas de todos, mas deveriam ficar circunscritos à sala de aula. Devia ser e foi sempre assim, a bem do prestígio das instituições.
A gente coscuvilheira adora este diz que disse e há quem, apesar das obrigações, ame contribuir para isso.
Descobrir quem, é trabalho de Hércules, sendo certo que "quem muito fala, pouco acerta".
Decorrido já mais de um mês sobre o final das Jornadas Mundiais da Juventude, o alto do Parque Eduardo VII exibe esta selecta maravilha, para turista apreciar e fotografar como "recuerdo".
- O que é que quer?! Faltam recursos humanos ...
"(...) Verónica percorre as áleas da clínica, exibindo a segurança da superintendente de um goulag e arvorando por regra a doce satisfação do dever cumprido.
A especialista de saúde mental ocupa-se dos recém-admitidos com ostensivo empenhamento em os ajudar, e nesta primeira fase prescinde da neutralidade do código, chegando a tratar quem dela precisa por <<minha querida>>, ou por <<meu bom amigo>>. <<Minha querida>>, toma ela assim as rédeas do roteiro terapêutico da bibliotecária, <<eu mesmo tenho experienciado o pânico, nenhum de nós está a coberto disso, e ainda que se declare ele uma única vez na vida.>> Preparada em tais moldes a receptividade da doente, Verónica expande-se neste discurso imparável, dobrando o busto sobre o tampo da secretária do gabinete onde a atende agora, molemente aluída na poltrona de couro. <<Vou confiar-lhe um segredo>>, participa ela, e investe, <<um segredo que nem aos mais próximos me atrevo a confessar, há uns anos, submetida a uma intervenção cirúrgica, de correcção do septo nasal, verifico posteriormente nunca mais me recompor, enjoos e vertigens, sinais precursores de um inferno que não tarda a abrir-se-me, manifestado por alterações de marcha, por uma espécie de repentina paralisia geral, e como se alguém me amarrasse com cordas invisíveis, além da decorrente impossibilidade de descerrar os lábios para comer, ou para falar, em suma, a conturbação dos mecanismos vitais, dominados por uma vontade muito superior à minha.>> Verónica afasta o busto do tampo da secretária, assume a posição erecta, introduz ao computador umas quantas mudanças medicamentosas na ficha da internada, levanta-se com solenidade, acaricia os cabelos descuidados da que dela depende, e dá por terminada a consulta.(...)"
Tudo tão próximo e tudo tão longe ...
A aparente contradição confirma-se, apesar de os meios tecnológicos permitirem mitigá-la, trazendo perto quem está longe e levando ao fim do mundo a imagem de quem preferia, mil vezes, dar apenas um afago e sussurrar, ao ouvido, qualquer coisa mesmo que efémera e sem nexo.
O meu "menino" nasceu há quarenta e dois anos e, nessa altura, não passava pela minha capacidade imaginativa vê-lo tão adulto e tão longe. A Polónia é já ali, no centro da Europa a que pertencemos, tão distante do mar da Foz do Arelho e tão próxima dos trovões da guerra ... cujo fim não se vislumbra.
A Foz no seu melhor:
Sol ausente,
Vento presente,
Água "quente",
Mar decente,
... E não há gente!
Porque será?
Eu não tenho vistas largasnem grande sabedoria,mas dão-me as horas amargaslições de filosofia.António AleixoEste livro que vos deixo
O vento assentou arraiais no Oeste (e noutras zonas do país) e não se cansa de varrer tudo a eito, lembrando que o Verão se aproxima do fim e testando a resistência das árvores.
Os preparativos para o Inverno começam quando se ajeita e acondiciona a lenha trazida do pinhal há algum tempo e ainda amontoada na garagem, se pensa em duas ou três (trans)plantações que o jardim necessita e, cúmulo, se recebe um telefonema ao início da noite:
- Podemos ir amanhã levar a lenha, por volta das dez?
Claro que sim! A praia deverá continuar encerrada ou, melhor, com as portas escancaradas. Nada melhor do que uma manhã ocupada com algum esforço físico, para manter a forma.
Para o meu pai que, há 8 anos, subiu as colinas e desceu em busca da clareza do olhar definitivo.
Estou sentado nos primeiros anos da minha vida,o verão já começou, e a porosasombra das oliveiras abre-se à nudezdo olhar. Lá para o fim da tardea poeira do rebanho não deixaráromper a lua. Quanto ao pastor,talvez um dia suba com ele às colinas,e se aviste o mar.PoesiaEugénio de AndradeFundação Eugénio de Andrade (2000)