sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Palavras bonitas

Neste mar imenso
em que me vejo
de nada vale o que desejo
e o que penso.
Na vastidão do espaço
nem sequer um bocejo,
um débil ponto ou sumido traço.
No corpo voado que sonâmbula viagens
azul e mais azul trazendo
as miragens
de sonho já esquecido
e que me vão doendo
no corpo adormecido.
Neste mar imenso
de sal e água
lutando quase me convenço,
num misto de revolta e mágoa,
de que nada tem sentido.

Poemas num mar inquieto
Lino Sebastião
cordel d' prata (2024)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Sempre perto ...

Lá longe, onde o Sol se levanta quatro horas mais cedo e o frio da rua deve enregelar a pontinha do nariz, acordou hoje o meu neto Miguel preparado para festejar o seu nono aniversário, na companhia do mano e dos pais e com todos, por aqui, a desejarem muitos anos de vida, tão perto quanto as novas tecnologias permitem.

Teve direito a dia de folga na escola e deve ter passado um dia bem divertido. A esta hora, a festa do dia aproxima-se do fim, com a hora da caminha a chegar muito em breve. Amanhã já não haverá folga e a escola voltar-lhe-á a pedir atenção, na forma sempre excelente com que ele encara a tarefa de conhecer e adquirir mundo.

Aproveita bem, meu neto. Um dia destes vou aí dar-te aquele abraço bem apertado, sem distâncias nem tecnologias a perturbarem o nosso contentamento.

Muitos parabéns, neto querido e ... até já!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Palavras bonitas

Partiu hoje uma das enormes, das quais já restam poucas.

A sua escrita há-de subsistir no tempo, lembrando outros tempos, negros, e buscando sempre um mundo novo, mais igual na diferença e, sobretudo, mais justo.

Maria Teresa Horta - 20.05.1937 / 04.02.2025

 

EXALTAÇÃO

Sou poeta, feiticeira
escrevo poesia

exaltada

pelo excesso da paixão
procuro a linguagem

Sou poetisa
Cassandra
conto histórias devastadas

invento verbos
e versos
ludibrio e reconstruo

vou em busca da gramática

Por entre temas e excessos
divido as orações
de freiras alumbradas

Sou poeta, pitonisa
moro na poesia

alada

não ganhei medo às fogueiras
apago-as com o regozijo
e o tumulto das palavras

Poesis
Maria Teresa Horta
D. Quixote (2017)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Auschwitz

Há 80 anos, as tropas soviéticas libertaram os poucos judeus que haviam resistido à barbárie hitleriana.

Vamos lembrando, pedindo para não ser esquecido, desejando que não se repita mas ...

domingo, 26 de janeiro de 2025

Mal(h)as que o império tece ...

Olha a mala, olha a mala,
Olha a malinha de mão,
Não é tua nem é minha
É de quem lhe deita a mão!!!







Aquele partido zangado e pregador, que se senta à direita de "Deus Ventura", perdeu um elemento de peso e já não tem meio cento. Agora são apenas quarenta e nove e o país vai sentir imenso essa diminuição. Por enquanto, vamos ter de conviver com esse descalabro, que talvez não fique por aqui.

E tudo isto porque, alegadamente, um ser inspirado e distraído desviou umas quantas malas das passadeiras dos aeroportos de Ponta Delgada e de Lisboa, nas múltiplas viagens de e para os Açores de que usufrui à conta do orçamento.

O homem não se explica claramente e com toda a razão. O processo está em segredo de justiça e isso rouba-lhe a memória, como toda a gente sabe. Para além disso, a presunção da inocência e o decorrer do tempo hão-de dar-lhe todas as hipóteses de lavar a honra, dispensando-lhe a inusitada tarefa de assumir o que fez. Nota-se claramente, na forma como o dito cujo explica o acontecido, que ele nunca roubou malas ... apenas umas quantas lhe acharam tanta graça que não resistiram em partilhar o seu conforto e ir com ele para a sua casinha ou, talvez até, para a sua caminha.

E continua a ser deputado da Nação, sem o mínimo de vergonha e com maior rendimento porque:

"Tem a consciência muito tranquila"

sábado, 25 de janeiro de 2025

"Trumpada"

Chapéus há muitos!

A clareza, a beleza, a actualidade e o "risco" do cartonista António, no Expresso desta semana.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

24 Janeiro

Sem números, que a matemática não é o meu forte e eles, nesta altura, (já) não são importantes.

Apenas música ... da boa!

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Livros (lidos ou em vias disso)

"(...) Os tamarindos, além de servirem para compotas, também tinham uma vantagem particular para ele. Chupava os frutos e guardava as sementes castanho-pretas no bolso dos calções. Uma semente, quando esfregada durante meio minuto no chão cimentado de uma sala, aquecia bué. Ele se inclinava na carteira da escola para esfregar a semente no chão sem a professora ver e, quando estava bem quente, tocava com ela na perna da colega sentada à frente. Sucedia sempre um grito da menina, pois aquilo queimava mesmo. A professora nem precisava de perguntar quem tinha feito a maldade, o próprio Santiago levantava do assento com um resignado encolher de ombros e ia se ajoelhar num canto da sala, virado para a parede. O castigo era esse, ficava durante o resto da aula ajoelhado sem nada mais ver, só a parede. Doía mais o castigo do que a queimadura leve na perna da menina? Não se podem comparar as dores. Doíam. A menina, solidária e já esquecida da maldade, depois vinha lhe perguntar se os joelhos estavam muito mal e ele dizia, não é nada, vamos correr até no muro, te ganho de dez metros. Corriam, em competição feliz. Não fazia aquilo para lhe causar sofrimento, era uma brincadeira de criança, ela sabia perdoar. Se chamava Rita e tinha muito bom feitio, sorte de Santiago, como dizia a mãe dele, cansada de ouvir as queixas da Dona Esmeralda, mãe de Rita. Porque lhe fazes aquilo, não percebes magoa? Rita não queixava na mãe, a senhora é que notava as nódoas na perna da filha e a obrigava a confessar, quem te fez isto?, sabendo muito bem qual a resposta. Perguntada a razão do crime, Santiago respondia, não sei explicar, juro mesmo sangue de Cristo, o que exasperava os pais e demais familiares. Não sabes? E ainda por cima meteres Cristo no assunto? Apanhava castigo. Mas não podia evitar, uns dias depois reincidia.

Se tudo tivesse uma explicação, era tão fácil viver. (...)"

Tudo-está-ligado
Pepetela
D. Quixote (2024)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Casa Branca

Nem o frio, o vento ou a aba do chapéu da madam conseguiram desmanchar a poupa amarelada, bem penteada que, a partir de hoje, volta a mandar no mundo.

Será a laca usada de fabrico chinês?