quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Estações

O Duque, da empresa de máquinas e não o "duque" da água revolta, está a recolocar a "aberta" lá para bem junto do Gronho, de modo a garantir a sobrevivência da "Avenida do Costa" e a manutenção da praia dos "teimosos".

O tempo não vem ajudando nada mas esperam-se, e desejam-se, bons resultados. A Foz merece e os "teimosos" ainda mais.

E saibam todos: o Carnaval já aí está e o Verão não tardará!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

8 de Fevereiro

A ansiedade e a dúvida que por aqui existiam - tenho sempre muitas dúvidas nas sondagens - desapareceram às 20 horas de ontem e deram lugar a uma enorme satisfação e alegria. Afinal, o povo português ainda não se esqueceu do antigamente, mantém discernimento e reduz a "conversa da treta" à sua trapalhice evidente.

António José Seguro foi eleito Presidente da República e o outro teve cerca de um terço (ironia) dos votos.

Foi óptimo, mas cautelas e caldos de galinha não fazem mal a ninguém.

Miguel Torga escreveu no seu último Diário:

"Coimbra, 1 de Março de 1990 - Liberdade. Passei a vida a cantá-la, mas sempre com a identidade no pensamento, ciente de que é ela o supremo bem do homem. Nunca podemos ser plenamente livres, mas podemos em todas as circunstâncias ser inteiramente idênticos. Só que, se o preço da liberdade é pesado, o da identidade dobra. A primeira, pode-nos ser outorgada até por decreto; a outra, é sempre da nossa inteira responsabilidade."

Diário XVI
Miguel Torga
Coimbra (1993)

domingo, 8 de fevereiro de 2026

8 de Fevereiro

Apesar do vento, da chuva, das depressões e das tempestades que nos têm assolado, da lama que por aí tem corrido, votar hoje é possível e SEGURO!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Mau tempo

A Kristin, o Leonardo e a Marta vieram para criar ansiedade em todos nós e estragar sem dó nem piedade.

O "repórter", coscuvilheiro mas nada dotado para a arte da fotografia, foi à Foz ver a desgraça e guardar as provas para memória futura. 

As tempestades não podem ficar impunes ...








quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Longe

Cumpre-se hoje a primeira dezena do meu neto caçula e, uma vez mais, lá tão longe que aquele abraço apertadinho só é possível com a ajuda da tecnologia que encurta distâncias.

A esta hora já por lá é noite cerrada e o aniversariante disputa um torneio de ténis de mesa para terminar as comemorações em grande e combater o frio que por lá se faz sentir.

Quem corre por gosto não cansa.

Força, Miguel!!!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Esperança

Com gente nova a fazer coisas destas, é obrigatório acreditar que há futuro, por muitos energúmenos que por aí surjam a gritar a linguagem da taberna (com respeito pelos taberneiros).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

8 de Fevereiro

O meu amigo e companheiro de escola ASF fez o favor de me enviar o aviso, não por duvidar da minha capacidade de discernimento mas para que conste e não haja qualquer dúvida do sítio onde é SEGURO colocar a cruzinha.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dificuldades e soluções

Como qualquer bom portuga, tenho as melhores soluções e as extraordinárias capacidades para tudo resolver num abrir e fechar de olhos e bem melhor do que tem sido feito até aqui. E não sou excepção!

Somos sempre muito críticos, muito solidários e prestáveis nos dois, três primeiros dias de qualquer catástrofe que aconteça. Vá lá, uma semana! Depois, bem, depois é só estar atento e os comportamentos egoístas voltam e rapidamente esquecemos o que aconteceu ... aos outros. "Vai ficar tudo bem!"

Não vai! Há gente que nunca mais esquecerá não o quilo de arroz ou de feijão que recebeu com direito a aparecer na TV mas as telhas que voaram, partiram-se e demorarão a evitar a chuva que o S. Pedro não cessa de despejar.

Entretanto, surge a confirmação da incapacidade de muita gente exercer o poder de decidir que lhe está atribuído. Espera-se sempre que da acção resulte algo de concreto e não ainda mais confusão e aflição do que a que já existe.

Um exemplo: com extraordinária boa vontade, estão a ser distribuídas telhas, no estádio de Leiria, a quem tem possibilidades de lá chegar, se perfila e aguarda serenamente a sua vez de pedir, e receber, as telhas que colocará na sua viatura e levará até à sua casa ... destelhada.

Não seria preferível concentrar os pedidos nas Juntas de Freguesia e estabelecer um circuito logístico que as fizesse chegar ao local? Seria muito difícil? 

É apenas um exemplo ido de quem, no conforto do seu sofá, resolve tudo ...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Actualidade

Depressões, cheias por chuvas diluvianas, ventos ciclónicos derrubando tudo, casas sem electricidade nem água, empresas destruídas, mar revolto, a aberta a encurtar cada vez mais a praia, a gasolina a desaparecer com as "bichas" dos aflitos, o açambarcamento a encher os carrinhos dos supermercados que, felizmente, ainda estão abertos.

É um privilégio viver numa cidade do distrito de Leiria onde (quase) tudo funciona, ao contrário do que por aí vai nas outras. Caíram muitas árvores e até o portão da casa antiga mas ... "tá-se bem". 

No meio de uma desgraça que a memória não avaliza ter semelhanças, só houve um benefício: as televisões deixaram de ter o "António Mourão" a todo o momento.

Nota: Para quem não é velho, o António Mourão verdadeiro cantava "Ó tempo volta para trás"!

domingo, 25 de janeiro de 2026

Livros (lidos ou em vias disso)

"(...) Por um momento, ele debruça-se do convés, sente o frio que vem do mar, do lado oposto à cidade que não quer ver ainda. Daqui a duas horas, dissera a vozinha de gaze do imediato aos microfones de bordo, o navio atracará na Gare Marítima de Alcântara. <<Tudo tão perto>>, pensa, <<tão na distância de um grito, e afinal para que serão precisas ainda duas longas horas de mar?>> Não conhece os ritos, as demoras que tornam extenuantes as navegações, nem as suas atracagens ao cais da chegada. Uma lentidão até certo ponto litúrgica, das que exasperam até a paciência dos santos. E, contudo, não experimenta nenhum anseio quanto ao momento que o papá, a mamã e Patrícia lhe acenarão de longe, descobrindo-o perdido entre as fardas mil dos batalhões e das companhias independentes. Não propriamente um número rigoroso de homens vestidos com suas muito velhas fardas, mas sim o espírito de quantos haviam somado anos, noites e dias nas suas três frentes de guerra. Em breve seriam talvez perto de um milhão, mas nunca ao certo o diria ninguém: estavam em todas as famílias e casas portuguesas, guardando álbuns de fotografias em cuja capa se lia <<ao serviço da pátria>> por baixo da gravura em relevo de uma sentinela alerta - a arma como que aperreada, os olhos fitos no seu ponto de mira; estavam vivos e mortos, mas todos calados, sem vontade de contar histórias e tragédias, e crimes que assustariam mulheres e crianças. Pior do que tudo, fingiam-se curados de uma dor que entrara neles para nunca mais deixar de doer, e à qual entregavam culpas, vergonhas, desgraças tais e tantas que não bastará ter duas vidas para expiar o castigo, cumprir toda a penitência e todo o remorso desse pecado.

<<O estranho pormenor da minha geração?>>, pensa João Alberto. O facto de ser única, perdida e solitária entre todas as demais - num país pequeno, com forma de urna e sem memória de nada. Onde nem mesmo as vicissitudes mais monstruosas têm qualquer importância. A Europa sabe de cor toda a música dos Beatles. Ouvira, em transe, o pânico provocado pelos bombardeiros B-52 sobre as lezírias do Vietname; vivera o sonho provisório dos hippies e o levantamento das novas comunas do Maio 68 - mas essa mesma Europa ignorava por completo a fatalidade de um destino estritamente português. Ri-se dos seus emigrantes avaros e suplicantes, tolera os exilados, os refratários, os desertores - mas mantém-se cega como a toupeira, sem suspeitar que o tempo dessa geração portuguesa é também o vinho mortal, a nuvem do seu próprio e inevitável crepúsculo. (...)"

A nuvem no olhar
- O tríptico dos barcos
João de Melo
D. Quixote (2025)