segunda-feira, 25 de abril de 2011

Aniversário

As duas melhores prendas das que hoje me ofereceram.
De manhã, bem cedo, uma visita ao quarto para entregar a primeira obra, feita às escondidas: "é uma surpresa, vô!"
A seguir ao almoço e enquanto os adultos se perdiam em conversas que lhe não interessavam, alheamento e um novo quadro, desta vez pintado com os dedos directamente na tinta.
É o meu neto, que faz 5 anos em Julho e vai ter um mano também nesse mês.

25 de Abril

Para todos os que, apesar de haver coisas muito mais importantes para comemorar e/ou fazer, ainda se lembraram do meu aniversário, ficam as palavras, perenes, de Sophia de Mello Breyner Andresen, sobre o cravo da liberdade e do agradecimento.

sábado, 23 de abril de 2011

Ruivaco do Oeste

Porque a modéstia em demasia é defeito e porque o que não fica escrito não aconteceu, aqui se regista para que os netos, um dia, leiam e tenham orgulho da mãe. Um, que já está um "homem" com quase 5 anos, experimentou estas andanças ainda na barriga, tal como acontece, agora, com o irmão. Farão parte da geração que nos há-de criticar muito, por não termos conseguido preservar aquilo que os nossos avós deixaram. É o desenvolvimento ...


segunda-feira, 11 de abril de 2011

FMI

Amanhã chega o FMI e o Fundo da Comunidade Europeia.
Vêm resgatar o tal país à beira mar plantado onde vivem uns quantos que "não se governam nem se deixam governar" e demonstrar que os romanos não tinham razão quando nos classificaram com este epíteto.
Vai ser lindo ...

. Acabam-se as empresas municipais.
  - Não pode ser! Há muitas que são utilíssimas e dão emprego a muita gente.
. Determina-se o fim de uma grande maioria dos Institutos Públicos.
  - Impossível! Para além de também contribuir para o aumento do desemprego, causaria uma redução significativa na venda de automóveis de grande cilindrada e, consequentemente, uma descida brutal nas receitas do IVA e do IA.
. Reduzem-se os Ministérios, as Secretarias de Estado e os Deputados.
  - Nem pensar! Como seria possível despachar obras públicas por outro Ministro que não o das ditas? E quem viria dizer que o número de ignições de 2011 será inferior ao de 2010, se não existisse Ministro da Administração Interna? E o problema do comércio automóvel não ficaria ainda mais complicado?
Pensando melhor: para evitar tantos problemas, mudemos alguma coisa, pouca, mas mantenhamos tudo na mesma. Aumente-se o IRS e o IVA, congelem-se salários e pensões, aumentem-se as taxas moderadoras para evitar que os malandros andem sempre no médico, baixem-se as comparticipações nos medicamentos, diminuindo o desperdício e acabando com este aumento assustador da esperança média de vida.
Ficamos todos a ganhar ... e, como diz o Mário Zambujal, "À noite logo se vê".
Nota: Tenho o FMI do Zé Mário Branco, em vinil e em CD, e não é que aquilo ainda se mantém actual!

sábado, 2 de abril de 2011

Crise, geração e futuro

Um bom tema para a campanha eleitoral que se aproxima e para os debates com que, diariamente, somos bombardeados pelos "politólogos", "coladores de cartazes", "burros", e outras espécies afins.
Não consta que o discurso do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, tenha sido objecto de análise e muito menos de resposta por parte dos altos dignatários presentes e, claro, dos ausentes. 
Entretanto, a crise agrava-se para a grande maioria e continua a beneficiar uns quantos que gravitam em volta da corte e, como desenhou Bordalo, "mamam na porca".

segunda-feira, 28 de março de 2011

Orgulho

Há momentos em que a retrospectiva de uma vida nos enche de orgulho, compensando as dificuldades, as agruras, os maus momentos, os momentos maus, o que fizemos de errado, as desilusões e as frustrações.
Recebi hoje, de novo, um texto de Mia Couto que circula pela Net, no qual o autor, com o nível a que nos habituou, comenta a "Geração à Rasca".
Até aqui, tudo normalíssimo, um igual entre tantos, aparentemente sem quaisquer diferenças a não ser que ... o texto vinha acompanhado de comentários dos meus filhos, um directamente de Israel onde se deslocou em trabalho e outra da linha de Cascais, onde se recompõe da "trabalheira" de um fim de semana a tentar que o Ruivaco do Oeste volte a povoar o rio Alcabrichel.
Há momentos em que a gente sente que ... valeu a pena!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Palavras bonitas

LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa …

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças …
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca …

Fernando Pessoa

EM TODOS OS JARDINS

Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens

Sophia de Mello Breyner Andresen

MIRADOIRO

Com tristeza e vergonha enternecida,
Olho daqui
A ponte das palavras
Que construí
Sobre o abismo da vida.

Sonhei-a;
Desenhei-a;
Sólida até onde pude,
Lancei-a como um salto de gazela:
E não passei por ela!

Vim por baixo, agarrado ao chão do mundo.
Filho de Adão e Eva,
Era de terra e treva
O meu destino.
E cá vou como um pobre peregrino.

Miguel Torga

O SAL DA LÍNGUA

Escuta, escuta: tenho ainda
Uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
Salvar o mundo, não mudará
 A vida de ninguém – mas quem
É hoje capaz de salvar o mundo
Ou apenas mudar o sentido
Da vida de alguém?

Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
Que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
Mais. Palavras que te quero confiar.

Para que não se extinga o seu lume,
O seu lume breve.
Palavras que muito amei,
Que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Eugénio de Andrade

domingo, 20 de março de 2011

Livros (lidos ou em vias disso)

(...)
Canto VIII - 28

A hipocrisia, por exemplo, é das velharias mais
difíceis de o homem se livrar; apegou-se ao homem
como o lixo ao trapo já sujíssimo de pó.
Conhecer crápulas, diga-se, não é uma raridade:
normalmente são mansos, entram discretos
como empregados de mesa de restaurantes
de luxo e acabam a tentar degolar
quem acabou de adormecer. (...)

Uma viagem à Índia
Gonçalo M- Tavares
Caminho (2010)

Primavera

Está a chegar e, de acordo com o calendário, isso vai acontecer amanhã.

Entretanto já as flores, as árvores, a paisagem ganharam as cores e a luz que nos deliciam.

Hoje, o mar da Foz estava lindo, como as fotos evidenciam. Convidava a um mergulho, fazendo companhia a um corajoso que por lá andou mais de 15 minutos. Não ia preparado, senão ...


domingo, 13 de março de 2011

Fim de semana

Está a terminar ...
Foi bem preenchido e atarefado. Ainda na sexta-feira, uma correria para chegar a tempo ao jantar dos amigos com quem reúno às segundas sextas de cada mês. Refeição à pressa, com a actualização das conversas por entre os bocados de chouriço assado, as moelinhas, o queijinho fresco com oregãos e outras iguarias que o estômago detesta e as papilas gustativas adoram, antecedidas por um sopinha de feijão com hortaliça que caiu como "sopa no mel". Às 21H15 um toque no telemóvel indicava que a viatura e a "motorista" já me aguardavam, para rumar ao CCC. O Grupo de Teatro O Bando apresentava, em estreia, Pedro e Inês, uma peça escrita por Miguel Jesus, com o título Inês Morre. Os históricos amores do rei justiceiro e da castelhana coroada rainha depois de morta não foram suficientes para aquecer o ambiente do CCC, que continua gelado, mantendo o ar condicionada avariado há vários meses.
As rotinas habituais de sábado, a visita do neto perturbada pela má disposição que a chegada da febre já lhe provocava e, à noite, de novo o teatro e mais uma estreia do Teatro da Rainha: Kabaret Keuner e outras histórias, de Bertolt Brecht. Um conjunto de histórias, escolhidas e interpretadas pelo Zé Carlos Faria, sozinho em palco, numa encenação de Fernando Mora Ramos.
Extraordinário! Textos com quase 100 anos e uma actualidade incrível, um Zé Carlos Faria soberbo a tocar banjo, a cantar e a interpretar, numa peça para recordar e a não perder.
Entretanto, já tinha acabado o desfile daquela massa de gente - seriam 200.000 - que se havia deslocado a Lisboa a representar todos os que estão à rasca. Desta vez e ao contrário do que sucedeu em Viseu, Sócrates não convidou ninguém para jantar nem opinou sobre a possibilidade de ser uma brincadeira de carnaval no "sambódromo" da Liberdade que, apesar da crise, da inevitabilidade do FMI, dos mercados , dos cortes, das ironias, "está a passar por aqui".