Apesar de o teatro da vida nos reservar surpresas onde menos se esperam, regista-se a comemoração do dia salientando o excelente trabalho que o Teatro da Rainha, remando muito, vai realizando nesta terra.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
terça-feira, 27 de março de 2012
Dia Mundial do Teatro
quarta-feira, 21 de março de 2012
Palavras bonitas
Passavam pelo ar aves repentinas,O cheiro da terra era fundo e amargo,E ao longe as cavalgadas do mar largoSacudiam na areia as suas crinasEra o céu azul, o campo verde, a terra escura,Era a carne das árvores elástica e dura,Eram as gotas de sangue da resinaE as folhas em que a luz se descombina.Eram os caminhos num ir lento,Eram as mãos profundas do ventoEra o livre e luminoso chamamentoDa asa dos espaços fugitiva.Eram os pinheirais onde o céu poisa,Era o peso e era a cor de cada coisa,A sua quietude, secretamente viva,E a sua exaltação afirmativa.Era a verdade e a força do mar largo,Cuja voz, quando se quebra, sobe,Era o regresso sem fim e a claridadeDas praias onde a direito o vento corre.
Murchou a flor aberta ao sol do tempo.Assim tinha de ser, neste renovoQuotidiano.Outro ano,Outra flor,Outro perfume.O gumeDo cansaçoVai ceifando,E o braçoDoutro sonhoSemeando.É essa a eternidade:A permanente rendição da vida.Outro ano,Outra flor,Outro perfume,E o lumeDe não sei que ilusão a arder no cumeDe não sei que expressão nunca atingida.
Que margens têm os riosPara além das suas margens?Que viagens são navios?Que navios são viagens?Que contrário é uma estrela?Que estrela é este contrárioDe imaginarmos por vê-laTudo à volta imaginário?Que paralelas partidasNos articulam os braçosEm formas interrompidasPara encarnar um espaço?Que rua vai dar ao tempo?Que tempo vai dar à ruaPor onde o FirmamentoE a Terra se unem na lua?Que palavra é o silêncio?Que silêncio é esta vozQue num soluço suspensoChora flores dentro de nós?Que sereia é o poente,Metade não sei de quêA pentear-se com o penteDo olhar finito que o vê?Que medida é o tamanhoDe estar sentado ou de pé?Que contraste torna estranhoUm corpo à alma que é?
É o mar do deserto, ondulaçãoSem fim das dunas,Onde dormir, onde estender o corpoSobre outro corpo, o peito vasto,As pernas finas, longas,As nádegas rijas, colinasSucessivas onde o ventoDemora os dedos, e as cabrasPassam, e o pastorSonha oásis perto,E o verde das palmeiras se levantaAté à nossa boca, até à nossa almaCom sede de outras dunas,Onde o corpo do amorSeja por fim um gole de água.
sábado, 10 de março de 2012
Estórias
- Há muitos anos, quando eu era chefe de turma na escola secundária de Boliqueime, um rapaz chamado José qualquer coisa - olha, não me lembro do apelido, tinha a ver com filosofia, Grécia, não, Grécia, Grécia, não, nós não somos gregos nem queremos ser como eles ...
- Deixa-te de entretantos e vai aos finalmente, para ver se me dá o sono ...
- ... Segismundo, Séneca, Scarlatti, que confusão, bem, não interessa, o rapaz, dizia eu, fez uma redacção e entregou-a ao professor sem ma mostrar, a mim, que era o chefe da turma.
- E tu, que fizeste?
- Nada. Aguardei que o tempo me fizesse justiça. E assim foi!
- ?!?!
- Pois! Passado muito tempo, voltei a encontrá-lo e escrevi no quadro:
- " Mamã, este menino bateu-me!"
- Ó Aníbal, que dizes tu? Dorme, que o teu mal é sono.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Aniversário
sexta-feira, 2 de março de 2012
Palavras bonitas
Dia da vida,
Noite da morte ...
O verso
e o reverso
da medalha.
E não há desespero que nos valha,
nem crença,
nem descrença,
nem filosofia.
Esta brutalidade, e nada mais:
Sol e sombra - o binómio dos mortais.
Só que o sol vem primeiro,
e a sombra depois ...
E à luz do sol é tudo o que sabemos:
Juventude,
beleza,
poesia,
e amor
- Amargo fruto que na sepultura,
em vez de apodrecer, ganha doçura.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Quotidiano
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Tributo a Zeca Afonso
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Livros (lidos ou em vias disso)
Em 1986 José Saramago romanceou uma hipotética fractura nos Pirenéus, que colocou a Península Ibérica a navegar no Atlântico, num afastamento inesperado, surpreendente e contínuo, do continente europeu.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Whitney Houston
Partiu ontem, sem sequer chegar ao meio século.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Notícias
- O Presidente da República não ganha para as despesas.
- Vamos passar a trabalhar no 5 de Outubro, para não nos lembrarmos da República.
- A pedido expresso (recebido via mail do além) de Miguel de Vasconcelos, o 1º de Dezembro deixa de ser feriado.
- O Governo poderia trocar o 1º de Dezembro pelo Dia de Reis. Matavam-se dois coelhos com uma só cajadada - ficávamos como Espanha e comemorávamos o Gaspar !!!
- Cavaco devia exigir que o Governo decretasse a alteração dos dias para 48 horas. Melhorava a produtividade, as reformas já chegariam para as despesas, diminuiria o consumo da energia, por haver luz solar durante 24 horas e o mandato do PR acabaria mais depressa.