quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Palavras bonitas

PERSPECTIVA
 
Olho a sebe de versos que plantei
Ao longo do caminho dos meus dias:
Tristezas e alegrias Enlaçadas
Como irmãs vegetais. Silvas e alecrim ...
O pior e o melhor que havia em mim,
Num abraço de arbustos fraternais.
Nada quero mudar dessa harmonia
De agruras e doçuras misturadas.
Pasmo é de ver a estranha maravilha.
Poeta que partilha
O coração magoado
Por presentes e opostas emoções,
Contemplo, deslumbrado,
O renque de vivências do passado,
Longo poema sem contradições.

Câmara Ardente
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1995)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Lagoa de Óbidos

As manilhas separaram-se e o seu conteúdo "mergulhou" na Lagoa. O acidente, dizem-me, aconteceu há quase 15 dias, mas a situação mantém-se.
(...)
Salta o esgoto,
cai o muro,
morre o porco
no monturo;
e no porto
o sussurro
dos navios
enche o escuro;
ardem corpos,
ardem blocos,
cresce o rio;
sobre os puros
e os impuros
tomba o frio
prematuro
do futuro;
grasna o corvo
que assistiu
a um outro
terramoto.
Terramoto,
te esconjuro!

Obra Poética
David Mourão-Ferreira 1948-1988
Editorial Presença (1997)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Adágio da semana

" O BOM FILHO À CASA TORNA "
Dos jornais:
Dias Loureiro vai voltar a ser ouvido na Comissão de Inquérito parlamentar ao BPN

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quotidiano

Nos arredores, não num cinema perto de si, mas numa localidade não muito longe da urbe.
- Que se passa contigo hoje?
- Dói-me o corpo todo, não me consigo mexer.
- ?! Caíste?
- Não. Agora durmo todo enrolado, num sofá pequenino.
- ?!
- Dormia com a minha mãe; arranjou um namorado, fui dormir com a minha avó. Há três dias, a minha avó também arranjou um namorado ...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Crise (6)

Por dever de solidariedade para com os mais pobres, parece que os impostos de quem recebe (e paga) mais vão sofrer um agravamento, situação que deve merecer a compreensão de quem, felizmente, pode dispender alguma ajuda em benefício de quem dela necessita.
Para que o "povoléu demagogo" não continue a dizer que só paga impostos quem trabalha por conta de outrém, poder-se-iam criar algumas medidas de excepção que contribuissem para minorar os buracos BPN, BPP e outros que estejam a chegar, e auxiliar quem, de facto, precisa.
Tendo presente a premissa e enquanto não fosse "decretado" o fim da crise, não deveria ser possível:
  1. Imputar na contabilidade das empresas almoços, jantares, dormidas e viagens dos seus sócios e quadros, salvo se de claro interesse para as mesmas, devidamente justificado;
  2. Contabilizar os custos das operações de leasing e renting de veículos automóveis, não imprescindíveis para a actividade empresarial;
  3. Atribuir cartões de crédito a quadros e contabilizar despesas confidenciais e não documentadas.

Não se resolveriam os problemas, mas seria dado um sinal de que é possível mudar alguma coisa e que não fique tudo na mesma.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Freeport


Se é mentira, os fins não justificam os meios e é perversa a forma como se inventa, manchando o bom nome com uma nódoa que, qual ferrete, permanecerá para sempre; se é verdade, a perversidade ainda é maior, pela desfaçatez com que se nega, assumindo uma imagem impoluta que, afinal, não existirá.
Como o "nim" tão do nosso agrado não é solução, urge esclarecer, para que os estilhaços não sobrem para o País, que respira com dificuldade e corre riscos de se eclipsar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

I have a dream


A esperança num mundo melhor nasceu hoje, do lado de lá do Atlântico.
Aguardada com ansiedade por quem acredita que é possível e com cinismo por aqueles (ainda muitos) que pretendem que mude alguma coisa para que tudo fique na mesma.
A crise talvez ajude ... a tomar medidas que diminuam o fosso e criem condições para que, se não for possível todos, a grande maioria seja considerada e tratada como GENTE.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Nós, por cá (SIC)

Pessimista ou realista? Visionário ou espectador atento? Fora do tom ... Medina Carreira, no seu melhor, a recordar Rafael Bordalo Pinheiro, a chamar a atenção para a santola sem recheio e para a diferença entre oferecer um quadro e receber um fato ...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Prestígio e poder

Com a segurança devida e um convite oficial, o antigo presidente do Banco Português de Negócios, Oliveira e Costa, saiu hoje da cadeia onde (por enquanto) se encontra detido, para efectuar uma visita à Assembleia da República.
Chegou, mirou, cumprimentou, ouviu e calou, saindo pouco tempo depois, no mesmo transporte público que havia utilizado na ida.
Terá escolhido a hora da visita, como há alguns anos fez Belmiro de Azevedo, ou essa foi determinada pelo protocolo da Assembleia, ouvido algum Conselheiro de Estado e o ilustre visitante?