Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Mirones no Parque
terça-feira, 19 de maio de 2020
Mundo
segunda-feira, 18 de maio de 2020
Mercearia e Fanqueiro
- Cem gramas de café, meia quarta de banha, dois decilitros de azeite, e a minha mãe manda dizer que é "pra assentar".
- Está bem, desta vez. Diz-lhe que o livro já não tem folha ...
domingo, 17 de maio de 2020
sábado, 16 de maio de 2020
Ilusão
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Dia da Cidade
quinta-feira, 14 de maio de 2020
Livros (lidos ou em vias disso)
Vou escrevinhando umas historietas que deixam por aqui relatos de situações acontecidas, inventam factos ou deturpam-nos, exagerando ou minimizando, ou ainda porque sim, porque me apetece ou me dá gozo.
Escrever é outra coisa, completamente diferente e deliciosa, só acessível a alguns, privilegiados, que dominam as palavras e as situações, e as tornam tão belas que dá vontade de não parar de ler.
(...) Molhou a pena e escreveu na capa: Tratado da Semeação das Hortaliças.
Curioso, pensou olhando as letras: Tratado da Semeação das Hortaliças. Mas logo, mordiscando distraidamente a ponta da caneta, riscou Hortaliças e escreveu Legumes. E depois de algum tempo riscou Legumes e reescreveu: Hortaliças. E, pensando melhor, riscou Semeação e escreveu: Plantação. Para também riscar Plantação e voltar a escrever: Semeação.
O título, mesmo só provisório, não o satisfazia, reflectiu segurando a folha em posição vertical para poder olhar de mais longe. Hesitava antes de mais entre Semeação e Plantação, porque nenhum dos termos lhe parecia suficientemente abrangente. Grão e feijão, por exemplo, semeavam-se, batata e couve plantavam-se. Duvidava, assim, se seria legítimo usar para todos a palavra Semeação, e hesitava também entre Hortaliças e Legumes. Não eram evidentemente sinónimos, mas, para além do facto de o título ter de se adaptar perfeitamente ao assunto, a sua escolha dependia também de razões fónicas. Deste modo, preferia por um lado hortaliças, porque o i lhe parecia mais sonoro do que o u, mas por outro lado legumes era um termo que lhe parecia mais culto e adequado, hortaliças soava-lhe coloquial e quotidiano, qualquer camponesa sabia o que eram hortaliças porque todos os dias as deitava na panela, mas não tinha a menor noção do que seriam legumes. A escolha era assim entre um termo sonoro e eufónico, mas de sentido comezinho, e um termo mais elevado mas triste, legumes parecia-lhe uma palavra em tom menor, vizinha da negrura, e acabando em escuridão completa.
Além disso, embora Semeação fosse um termo em uso, registado como tal em todos os dicionários (como acabara de se dar ao trabalho de verificar), parecia-lhe ter um belo sabor refinado e arcaico, o que lhe agradava plenamente, pois uma palavra com sabor adequava-se bem a um título onde logo a seguir se mencionava algo comestível.(...)
(...) Melhor seria, nesse caso: Manual, até porque sugeria o manusear, o uso das mãos, o que se ajustava na perfeição a uma obra que versava o trabalho manual, campestre. Mas, por outro lado, Manual lembrava um livro escolar, e tinha uma conotação dogmática e algo simplista que profundamente lhe desagradava.
Poderia ainda adoptar Registo, mas logo rejeitou o termo por demasiado sucinto. Registo era um assentamento, a notificação de um facto, como um nascimento ou um óbito. O que o levava de novo ao ponto de partida, e o fazia reconsiderar Tratado. Que talvez se pudesse entender no sentido literal e modesto de coisa tratada - era um aspecto que teria de investigar com mais cuidado.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
O velho e a nova
O VELHO E A NOVA
Um velho edifício, tábuas dos degraus da escada já muito gastas, janelas a rangerem quando abriam, ou a deixarem gretas onde cabia pelo menos um lápis, quando fechavam.
No barracão que servia de ginásio, chovia tal como acontecia na sala 4 do primeiro andar, onde duas turmas tinham aulas de Desenho, num espaço dividido por (vários) biombos. Das janelas do meu lado - o esquerdo - tinha-se uma panorâmica excelente do parque de jogos e, não raro, o afiar do lápis permitia apreciar os "grandes" a jogarem voleibol e andebol, únicos desportos que as aulas de Ginástica contemplavam. Os campos eram marcados com um sarrafo de madeira, de cerca de meio metro, que abria um sulco no saibro. Em dia de jogos importantes - Comércio versus Indústria, por exemplo - o sulco era avivado com cal branca, permitindo que as marcações fossem visíveis para atletas e espectadores.
De Outubro de 1962 a Julho de 1964, a velha Escola do Chafariz das Cinco Bicas marcou o miúdo pouco vivido que ali entrou aos 10 anos, após três anos de Primária e um exame de admissão, que aferiu e atestou a "qualidade" e a "competência" para prosseguir os estudos.
O ano lectivo de 1964/1965 trouxe as alterações que se ansiavam, da mudança de voz ao início do Curso que daria a "ferramenta" para a vida, dos primeiros amores à admissão nas conversas e nos jogos com os "maiores" e, sublime, uma Escola nova!
Os exíguos campos de saibro deram lugar a amplos recintos alcatroados, com equipamentos fixos e marcações a tinta. O ginásio, esse, era um luxo: cordas, muitas, que saíam das paredes laterais ("cobertas" de espaldares) e permitiam subir "até lá acima"; plintos, trampolins, rede de voleibol, "chão" de madeira envernizada e, luxo dos luxos, chuveiros individuais para o banho retemperador e higiénico.
"Dez minutos para despir, tomar banho e vestir", gritava o Professor, "coscuvilhando" cada espaço para verificar se o sabão, azul e branco ou clarim, era devidamente aplicado.
Laboratórios, Salas com moderno mobiliário, Bar, Papelaria, uma Cantina espaçosa, com mesas para quatro alunos, onde, por vezes, se sentavam alguns professores e ... espaço, espaço, espaço, muito espaço.
O corredor enorme, coberto, junto às casas de banho (também elas extraordinariamente espaçosas quando comparadas com o que tínhamos antes), e que ligava a "casa da mocidade" à porta da entrada masculina, tinha (tem) uns bancos de pedra que serviam de balizas para grandes futeboladas, muitas vezes com uma pedrinha redonda a servir de bola!
Ainda se jogará assim?

