Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Waldemar Bastos
Já "não fala política" e não verá "Angola e o mundo em paz".
domingo, 9 de agosto de 2020
Mapa
Hoje uma rudimentar folha de Excel faria o trabalho com muito mais rapidez e eficiência.
Em 1963, o mapa dos combustíveis consumidos era muito importante e delicado.
- O senhor S.G. quer os números bonitos e todos dentro das quadrículas
Era uma folha A3 pré-impressa, com o emblema da Mobil Oil Portuguesa no alto do lado esquerdo: um cavalo alado, Pégaso, vermelho vivo, dentro de um círculo azul forte. Ainda na parte de cima e ao centro um espaço para colocar o mês e o ano a que os números diziam respeito; no lado direito a identificação do revendedor, com sítio para o carimbo e tudo.
O corpo do mapa era um quadriculado imenso, com a primeira coluna pré-preenchida com os dias do mês, de 1 a 31, para servir todo o calendário. As colunas seguintes tinham como título os diversos tipos de combustível - Gasolina Super, Normal, Mistura, Gasóleo, Gasóleo Agrícola e Lubrificantes diversos. A cada dia correspondiam duas linhas, para que a subtração fosse fácil, embora o número mais alto estivesse na segunda parcela e a conta fosse efectuada "ao contrário". A seguir a cada espécie de combustível, havia uma coluna "sub-total" onde era colocado o resultado da conta feita, de cabeça, naturalmente.
O posto de abastecimento funcionava dia e noite, em três turnos de oito horas cada: 8/16, 16/24 e 24/8. No final de cada turno, o empregado da rodovia registava os consumos de cada espécie, num livro de linhas azuis, habitualmente cheio de nódoas e de dedadas. Era por aí que se apurava a receita de cada turno e também era de lá que se extraíam os dados para o mapa estatístico que o senhor S.G. havia de elogiar ou desancar, aquando da sua visita mensal. A última linha do mapa, mais larga, mostraria os totais de litros vendidos, de cada espécie de combustível, obtidos pela soma dos totais diários previamente calculados e registados.
Nem máquina de calcular quanto mais computador com folha Excel.
- O senhor S.G. gostou muito do mapa. Disse que tens uns números muito bonitos.
Só viu dois. Ao terceiro já as "férias" tinham acabado e a escola chamava.
sábado, 8 de agosto de 2020
Inveja
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Dúvida
- O Porto descrito na letra de Carlos Tê?
- A música e a voz de Rui Veloso?
- A arte de Carlos Paredes?
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
O teatro e a vida
Ontem, uma explosão de nitrato de amónio, seja lá o que isso for para além do adubo que eu pensava conhecer, destruiu o porto da capital do Líbano - Beirute - causando mais de uma centena de mortos (ao que se sabe) e milhares de feridos. A destruição, que vimos nas imagens televisivas que nos chegam, atestam a dimensão da tragédia que, ao vivo e para os libaneses deverá ser muito pior do que sequer imaginamos.
Hoje, passam 75 anos do dia em que o avião Enola Gay despejou a bomba atómica Little Boy sobre a cidade japonesa de Hiroshima, provocando milhares de mortos, inocentes, e abrindo as portas para o final da II Grande Guerra.
Ontem, soube da morte do actor e encenador Juvenal Garcês, que, em conjunto com Mário Viegas, fundou a Companhia Teatral do Chiado. Conheci-o, pessoalmente, em Maio de 1997, aquando da apresentação nos Pimpões de "As obras completas de William Shakespeare em 97 minutos".
Hoje, partiu Fernanda Lapa, que não conheci pessoalmente, mas que me habituei a gostar, e a respeitar, como actriz e encenadora, e "mulher de armas".
Os dias têm sempre histórias para contar, boas, más, assim-assim, mas é assim a vida.
Amanhã será outro dia e, como sempre, alguém se há-de encarregar de registar, para a história, o que dela for digno e merecer permanecer para os vindouros.
E, com tudo isto, já passaram seis meses sem assistir a um qualquer espectáculo de teatro ao vivo. Maldito Covid!
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
Teimosia
terça-feira, 4 de agosto de 2020
Livros (lidos ou em vias disso)
Escrita diferente.
Um conjunto de histórias com História, com vida, com sentido.
Curtas quase todas, algumas curtíssimas, de uma frase apenas, todas de longo alcance.
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
Parafuso
domingo, 2 de agosto de 2020
O pião das nicas
O estica larica, o mangas portuga
Fecha-se em copos e copas
Cafés e cachopas, trabuca e madruga
Galfarro afiambrado, pachola arremelgadoDe grimpa levantada e garrafalAmigo do amigo, farelo e muito umbigoVestiu-se e veio a pé pró arraial
Viva o Santo António, viva o São João!Viva o 10 de junho e a Restauração!Viva até São Bento, se nos arranjar!Muitos feriados para festejar!
Gosta de armar ao efeito
Baboso e com jeito pra ser bagalhudo
Mas na mulher do carteiro
Já manca o dinheiro, alfaces e é tudo!
Se ele anda com nerveco grazina dum canecoLá vai o lascarino pró granelE faz as partes gagas, fosquinhas de aldiagasPalrando até fazer grande aranzel
Viva o Santo António, viva o São João!Viva o 10 de junho e a Restauração!Viva até São Bento, se nos arranjar!Muitos feriados para festejar!
Chorou por causa da seca, que a terra ficou viúva
Até correu seca e Meca, fartou-se de pedir chuva
A chuva quis-lhe agradar, banhou a terra as culturas
A água deu-lhe p'la barba a fome em farturas
Às vezes já nem petiscaA doença na isca é má pró vistaçoOs vinhos e os jaquinzinhosSão só descaminhos, vai dar ao esquinaço
És tu Pião das Nicas das bocas e das dicas
Que pegas nos calcantes e te vais
Adeus leão dos trouxas, chupado das carochas
Que foste no embrulho uma vez mais
Viva o Santo António, viva o São João!Viva o 10 de junho e a Restauração!Viva até São Bento, se nos arranjar!Muitos feriados para festejar!
