sexta-feira, 14 de agosto de 2020

No meu tempo ...

 Na instrução primária, lembro-me bem, o texto sobre o dia de hoje dizia que "A 14 de Agosto de 1385, quando o Sol raiava, as tropas portuguesas sob o comando do Condestável D. Nuno Álvares Pereira ...", seguido de um relambório explicativo da grande vitória sobre os castelhanos à custa dessa extraordinária táctica do quadrado inventada pelo Condestável e executada pela Ala dos Namorados. 

No caminho para a praia fui, já não sei a propósito de quê, a debitar as matrículas dos carros que já tive e de muitos outros que conduzi ou conheci. 

Já na praia, a conversa descambou para o Ramal da Amieira que vai (ou ia), lembro-me bem, de Alfarelos à Amieira, das serras - Suajo, Peneda, Gerês ... -, dos rios - Minho, Lima, Cávado, Ave ... -, dos casos notáveis da multiplicação, do princípio de Arquimedes, do teorema do Pitágoras, e tantas outras coisas que eram decoradas e ocupam, agora, o espaço profundo das "gavetas", sempre disponíveis para virem à tona.

Falou-se também da nanotecnologia, dos jogos de telemóvel, dos comandos e duma "geringonça" que transportava um "artista" passeando-se no mar, a uns bons trinta centímetros acima da água, - aprendi agora, na Net, que se chama "prancha voadora"-, factos que já vão passando despercebidos  ou já não cabem, na "gaveta" do entendimento, por serem de todo estranhos ou não estarem acessíveis ao "sistema operativo" do computador cerebral que me integra.

A propósito: o que foi o meu almoço?

Já não me lembro bem, mas acho que foi peixe. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Enjoo

Andam por aí alguns saudosos do antigamente, sem vergonha nem pudor pelo que fizeram durante quase meio século.

São poucos, mas batem latas e gritam muito, como é próprio de quem não tem a razão pelo seu lado. E, pasme-se, têm a desfaçatez de invocar a democracia para se fazerem ouvir e terem tempo de antena.

Por mim, dou-lhes a importância que merecem: zero, para não utilizar números negativos.

Já me excedi. Eles não valem nem uma linha!

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Liga dos Campeões

Por força da pandemia que nos assola há vários meses, as competições de futebol sofreram grandes alterações, que não se resumiram, apenas, à ausência do público.

As meias-finais da Liga dos Campeões são disputadas em apenas um jogo, em campo neutro. Tanto estas como a final terão lugar em Lisboa, nos Estádios da Luz e Alvalade, com o jogo inicial - Atalanta/PSG - a acontecer hoje.

Se, para estes jogos sem público, a PSP montou uma "mega-operação" de segurança e disso deu conta em pormenorizada conferência de imprensa, qual seria a denominação correcta para "segurar", se houvesse público apaixonado para assistir aos jogos? Talvez a expressão "operação do outro mundo" fosse ajustada e não fosse despiciendo pedir a intervenção de agentes marcianos, usando as influências possíveis junto do ET.

Valha-nos a sede de protagonismo e os "cinco minutos de fama" tão importantes para que o vizinho reconheça o nosso poder. E abriram telejornais, em farda número um, e foram notícia em todos os jornais. Faltou apenas o alerta de uma cor qualquer, para gáudio dos daltónicos! 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Vírus

 Hoje não há obituário, nem música, nem palavras bonitas, nem livros.

É um dia de nem ...

Nem há sol, nem há vento, nem há (muita) gente na praia, nem há chuva (por enquanto), nem há vontade de escrevinhar.

Mas há este "compromisso" de, enquanto Sua Alteza o Covid 19 não nos abandonar, o ir aborrecendo diariamente com meia dúzia de palermices, de palavreado sem qualquer interesse, se mais não fora para que "ele" não julgue que aqui chega, toma conta de nós e a todos submete à sua excelsa vontade, sem sequer se estrebuchar.

Não conte comigo! Não me submeterei à sua vontade, por mais violento que queira ser ou parecer. Faz parte de mim esta lógica de, como dizia Régio, "não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí". E já não mudo, por muito que isso possa custar ao "invasor" ou ao invadido.

Cá vou fazendo um esforço para o fintar, não lhe dar oportunidade de me deitar a luva, facultando-lhe a importância, atenta, que "ele" obriga e o desprezo que merece. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Waldemar Bastos

Waldemar Bastos, aqui (bem) acompanhado por Dulce Pontes, partiu hoje, aos 66 anos.
Já "não fala política" e não verá "Angola e o mundo em paz".

domingo, 9 de agosto de 2020

Mapa

Hoje uma rudimentar folha de Excel faria o trabalho com muito mais rapidez e eficiência. 

Em 1963, o mapa dos combustíveis consumidos era muito importante e delicado.

- O senhor S.G. quer os números bonitos e todos dentro das quadrículas

Era uma folha A3 pré-impressa, com o emblema da Mobil Oil Portuguesa no alto do lado esquerdo: um cavalo alado, Pégaso, vermelho vivo, dentro de um círculo azul forte. Ainda na parte de cima e ao centro um espaço para colocar o mês e o ano a que os números diziam respeito; no lado direito a identificação do revendedor, com sítio para o carimbo e tudo.

O corpo do mapa era um quadriculado imenso, com a primeira coluna pré-preenchida com os dias do mês, de 1 a 31, para servir todo o calendário. As colunas seguintes tinham como título os diversos tipos de combustível - Gasolina Super, Normal, Mistura, Gasóleo, Gasóleo Agrícola e Lubrificantes diversos. A cada dia correspondiam duas linhas, para que a subtração fosse fácil, embora o número mais alto estivesse na segunda parcela e a conta fosse efectuada "ao contrário". A seguir a cada espécie de combustível, havia uma coluna "sub-total" onde era colocado o resultado da conta feita, de cabeça, naturalmente.

O posto de abastecimento funcionava dia e noite, em três turnos de oito horas cada: 8/16, 16/24 e 24/8. No final de cada turno, o empregado da rodovia registava os consumos de cada espécie, num livro de linhas azuis, habitualmente cheio de nódoas e de dedadas. Era por aí que se apurava a receita de cada turno e também era de lá que se extraíam os dados para o mapa estatístico que o senhor S.G. havia de elogiar ou desancar, aquando da sua visita mensal. A última linha do mapa, mais larga, mostraria os totais de litros vendidos, de cada espécie de combustível, obtidos pela soma dos totais diários previamente calculados e registados.

Nem máquina de calcular quanto mais computador com folha Excel.

- O senhor S.G. gostou muito do mapa. Disse que tens uns números muito bonitos.

Só viu dois. Ao terceiro já as "férias" tinham acabado e a escola chamava. 

sábado, 8 de agosto de 2020

Inveja

Muitas vezes dou comigo a pensar como deve ser difícil pensar, descobrir, discernir, e concluo que são tarefas só ao alcance de uma meia dúzia de sapientes filósofos, cientistas e outros que conseguem analisar, com discernimento, o passado e o presente e projectar o futuro, e sobre essa sua capacidade falam com uma humildade e uma reserva que enternece.
E concluo sempre que, por mais esforço que faça, por mais atento que esteja, por mais livros que leia, cumpre-se sempre a máxima aprendida há mais de quarenta anos com um professor no ISCAL - "quanto mais sei, maior é a minha ignorância."
E por este caminho vou andando, sempre com a certeza de que, embora o saber não ocupe lugar, o material é tão vasto que, afinal, não há capacidade para o absorver na totalidade nem disso nos aproximarmos.
Incapacidade minha. Todos os dias tropeço com gente que tudo sabe, não tem a mais pequena dúvida, detém a solução ideal para o mais ínfimo ou para o maior problema e extravasa a sua "sapiência", dissertando sobre os males do mundo, a economia, a ciência, a arte e até o dia a dia, sem peias, dúvidas ou cuidados.
Fico invejoso, mesmo sabendo que a inveja é um pecado mortal.
Como é possível esta gente saber tanto de tudo e eu saber tão pouco de pouco mais que nada?
Concluo: devo ter sido muito relapso nestes anos todos que já levo ...

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Dúvida

Qual das três maravilhas é a melhor?
  1. O Porto descrito na letra de Carlos Tê?
  2. A música e a voz de Rui Veloso?
  3. A arte de Carlos Paredes?

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

O teatro e a vida

Ontem, uma explosão de nitrato de amónio, seja lá o que isso for para além do adubo que eu pensava conhecer,  destruiu o porto da capital do Líbano - Beirute - causando mais de uma centena de mortos (ao que se sabe) e milhares de feridos. A destruição, que vimos nas imagens televisivas que nos chegam, atestam a dimensão da tragédia que, ao vivo e para os libaneses deverá ser muito pior do que sequer imaginamos.

Hoje, passam 75 anos do dia em que o avião Enola Gay despejou a bomba atómica Little Boy sobre a cidade japonesa de Hiroshima, provocando milhares de mortos, inocentes, e abrindo as portas para o final da II Grande Guerra.

Ontem, soube da morte do actor e encenador Juvenal Garcês, que, em conjunto com Mário Viegas, fundou a Companhia Teatral do Chiado. Conheci-o, pessoalmente, em Maio de 1997, aquando da apresentação nos Pimpões de "As obras completas de William Shakespeare em 97 minutos".

Hoje, partiu Fernanda Lapa, que não conheci pessoalmente, mas que me habituei a gostar, e a respeitar, como actriz e encenadora, e "mulher de armas".

Os dias têm sempre histórias para contar, boas, más, assim-assim, mas é assim a vida.

Amanhã será outro dia e, como sempre, alguém se há-de encarregar de registar, para a história, o que dela for digno e merecer permanecer para os vindouros.

E, com tudo isto, já passaram seis meses sem assistir a um qualquer espectáculo de teatro ao vivo. Maldito Covid!

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Teimosia

Mais uma manhã de sonho!
Sonha-se com céu azul, ausência de vento, mar límpido, e uma temperatura que não precisa de ser parecida com a que a Protecção Civil indica para justificar os alertas (30º), enfim, uma saborosa manhã de praia.
Mas a Foz é desmancha-prazeres. Não gosta de planeamento, de antecipação, da monotonia de verão que acontece em qualquer praia algarvia.
Nada disso! 
Inclemente para quem gosta das manhãs, fecha-se, esconde o mar, borrifa os cabelos, obriga à camisola e, por mais vontade que haja, teima em não permitir veleidades. Quando lhe apetece e se lhe apetece, vai abrindo lá por volta do meio-dia.
Neste Agosto, que já leva cinco dias, ainda não ofereceu uma manhã de jeito.
Mas, porém, todavia, contudo, como um teimoso nunca teima sozinho, amanhã volto lá, pela manhã, só para a contrariar.