sábado, 6 de março de 2021

Futuro?

Não vale a pena especular e pensar em agregar esta ideia. Apenas se aplica aos grandes actores Ruy de Carvalho e Eunice Munoz e não passa de uma representação teatral de dois grandes actores, bem longe da realidade ...

Será?

sexta-feira, 5 de março de 2021

Janelas

Nos últimos dias e muito por influência do jornalista (ainda) director da Gazeta, JLAS,  têm circulado pelas redes ditas sociais muitos recortes de notícias sobre professores da "minha" Escola, publicadas aquando das suas vindas para as Caldas, das nomeações e tomadas de posse ou de realizações que conceberam ou ajudaram a levar a cabo.

Os comentários que surgem são, como é normal, extremamente abonatórios para as pessoas "noticiadas", o que se compreende bem e segue a regra. Até hoje, sempre me tem sido difícil, para não dizer impossível, encontrar alguém desaparecido que, em vida, tenha sido uma peste.

"Lá no fundo, no fundo, até nem era mau diabo."

Um dos professores "noticiados" recentemente era conhecido por gostar demasiado das alunas, de disso fazer publicidade com galanteios frequentes, alguns de mau gosto mesmo para a época, e também por, no seu trabalho didáctico, não ser dos de primeira água. Era vítima de muitas tropelias por parte dos alunos, quer em "bocas" lançadas à sua passagem quer nas aulas, que podiam ir das abelhas levadas numa caixa a serem soltadas em plena sala às garrafinhas de mau cheiro, tão populares no Carnaval.

Num dia de muito calor e sem ar condicionado a funcionar ou a existir, uma aluna pediu para abrir uma janela, porque o ar estava muito "pesado", fruto, talvez, de algum "vapor" escapado por distracção ou mesmo por vontade. O professor teve resposta pronta:

"Ó menina, descasque-se, ponha-se à vontade. Abrir as janelas é que não!"

quinta-feira, 4 de março de 2021

Pecado

Eu, pecador, me confesso ...

Ontem carpi mágoas de saudade de um café do café. Hoje, a meio da manhã, um SMS "maroto" dava a sugestão de uma visita ao café habitual, antes das 14 horas, que é a hora do fecho. Talvez haja uma surpresa.

Almocei e fui até lá. Não havia ninguém à espera. Mostrei-me através da montra e aguardei que o sinal sonoro me desse indicação para entrar. Em vez de me dirigir à parte do take-away ou à do quiosque, foi-me indicado o acesso outrora livre e agora apenas destinado a quem lá trabalha.

No escuro, a chávena apareceu, por milagre, à minha frente. Quentinha, a chávena, e a bebida, cremosa, ainda a fumegar. Bebi. Nem saboreei, mas soube tão bem! Até a máscara gostou! Quando a voltei a colocar, passadas mais de duas horas, ainda havia o cheirinho maravilhoso daquela bica tão ansiada.

Sabe sempre bem pisar o risco ... mas não pode ser sempre nem se deve divulgar.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Rotina ou talvez não ...

O drama da folha em branco ... não tenho nada para dizer e muito menos para escrever.

Não que o mundo tivesse parado, eu tivesse deixado de estar atento ou não estivessem a acontecer coisas que a todos interessam, como aquela do japonês que está a oferecer viagens à Lua, para concretizar em 2023. Só não me inscrevo porque ainda não tenho o "passaporte vacinal" e não arrisco ir lá e sujeitar-me a apanhar o "corona lunar".

Sinto falta de café do café, de andar por aí sem "rédeas", de ver gente, de conversar ou de estar calado, sem a isso ser obrigado. Não há meio, mas tudo indica que o dia vai chegar em breve. Já ninguém põe à janela o "vai ficar tudo bem" e deixou de ouvir-se o papagaio carioca falar do "resfriadinho". O das melenas já foi passear e estará agora a meditar sobre a cor da casa que substituirá a Branca, que não deverá ter Sala Oval. Pondera, também, se deve manter a cor do cabelo e a "brasa".

Cá pela cidade, tal como no país, começou a agitação dos candidatos a autarcas e já há um candidato perfilado. É edil de Junta e vai tentar ser promovido à governação principal do concelho.

"Cheira-me" que, este ano, as autárquicas vão ser diferentes ...

terça-feira, 2 de março de 2021

Mãe

- Vou buscar os medicamentos e volto já.

- Não vale a pena. Quando voltares já cá não estarei.

Era um final da tarde e estavas deitada na cama do hospital, com grandes dificuldades na respiração mas completamente lúcida. A percepção do que iria acontecer era muita mas, ainda assim, saí para satisfazer o pedido da enfermeira. Não cheguei a casa e os medicamentos por lá ficaram ... o telefone tocou antes e voltei pelo mesmo caminho. Tinhas razão ...

Foi há dezassete anos e continuas a ser a minha rosa, da noite, da tarde e da manhã.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Palavras bonitas

 SERENATA DO ADOLESCENTE

Que doentia claridade
a que me invade e me obsidia,
durante a noite e à luz da tarde,
à luz da tarde, à luz do dia!
Que doentia aquela grade
de insone e ténue claridade,
sob a avançada gelosia!

Passo na rua e nada vejo
senão a luz, a luz e a grade, 
Ó lamparina do desejo,
porque ardes tu, até tão tarde?
E às vezes surge, entre a cortina,
aquela sombra vespertina
que me retém nesta ansiedade.

Se tens trint'anos? ou cinquenta?
Quis lá saber a tua idade!
Sei que em meus olhos se impacienta
fome de luz daquela grade!
Sei que sou novo, e que me odeio
porque me tarda - ante o teu seio -
queimar tão pobre mocidade!

Obra Poética
David Mourão-Ferreira
Editorial Presença (1997)

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Sismo 1969

Não sou muito dado a efemérides. Os jornais e as televisões encarregam-se de nos trazer à lembrança coisas que, aos olhos de muitos, aconteceram há imenso tempo e das quais já poucos se lembrarão. A mim, parece que foi ontem ...

Ainda não tinha feito 17 anos e estava a dormir em casa, com apenas a minha mãe por companhia. O meu pai teria saído há pouco para o trabalho - começava bem cedo, quando a noite ainda estava no auge - e a minha irmã estava pela capital do distrito, a estudar. Só regressava ao fim-de-semana e aquela noite de 28 de Fevereiro de 1969 marcava o início de uma sexta-feira. Já não recordo bem a hora em que o sismo se deu, mas deverá ter sido por volta das quatro da manhã. O sono era profundo e a minha mãe abanou-me bastante para me acordar. Ainda ouvi os copos a tilintarem no armário da louça e vi a aflição dela, a gritar para sairmos, que a casa podia cair.

Viemos até à porta. Havia vizinhos aflitos, com medo, mas nenhuma casa tinha caído e não havia outros estragos. O susto foi grande. Dele restou um efeito: ainda hoje acordo sem dificuldade nenhuma e sem rabujice.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Magnólia

A Primavera está a chegar e o Inverno, que tanto nos tem torturado, parece finalmente disposto a partir, e a dar-nos possibilidade de voltarmos a ver o Sol e a rua, sem grandes receios mas com as cautelas que se impõem e, tudo o indica, vieram para ficar. 

A magnólia, que foi retirada do vaso já moribunda, adaptou-se ao espaço amplo, no meio da relva, renasceu e já floriu.

Por vezes o conforto não garante o bem-estar e liberdade rima sempre com felicidade, por pouca que seja. Foi o que aconteceu à magnólia: confinada ao espaço de um vaso, feneceu e manifestou claramente intenção de partir. O vaso dava-lhe algum espaço e conforto mas ela queria a liberdade, sem muros, para mostrar a sua graça, o seu contentamento e ... a mosca que dela muito gosta.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Palavras bonitas

CIRCULAMOS EMBOLSADOS

Circulamos embolsados
em automóveis de luxo

Nas portas surdas
os fechos
são linhas a níquel a traçar o limite
dos peões ocasionais

O espaldar desune
anula o solavanco
reduz a área exposta

Esguichos lavam
pára-brisas que a gargalhada abaula
Clareiam as estradas

Só o retrovisor
lembra o caminho andado
a um olho reflectindo
de quem guia

Trémulo o chassis
pressagia
as roturas
os sulcos dos freios
a divulgação do desastre

Mas real e criada
no bolso de Picasso
uma pomba de bico florido
suja por inocência os tejadilhos

A noite dividida
Sebastião Alba

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Tempos novos

Desde há um ano que vivemos tempos novos, inclementes para muitos, dificílimos e estranhos para todos. O malfadado bicho e as suas variantes têm azucrinado a vida, provocado nervosismo, aumentado a miséria, impedido os contactos, a diversão e o lazer, o descanso e o convívio, para além do trabalho da grande maioria.

A situação que temos vivido é inédita para as actuais gerações, sem qualquer semelhança com os ecos da guerra civil espanhola, a fome e as restrições da segunda grande guerra, a violência da ditadura e os tormentos da guerra colonial.

Apesar disso, numa altura em que o bom senso devia prevalecer e a união na diversidade de opiniões deveria estar sempre presente e ser obrigação de todos, assiste-se a um conjunto de barbaridades ditas, muitas vezes, por gente que deveria estar calada. Proliferam pelas redes ditas sociais "notícias" e "comentários" de arrepiar, algumas vezes com aproximações à verdade mas, na maior parte, com redondas mentiras e invenções.

Dir-se-á: é o produto do progresso e da evolução tecnológica! Não é nada! É o espalhar da burrice, da grosseria, da malcriadice, da insensatez, de muitos que, se estivessem "olhos nos "olhos", ficariam caladinhos a acenar a cabecinha e de "rabinho entre as pernas".