sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Regresso

O mar voltou ao lugar certo ou fui eu que tornei a ser oestino. É verdade que nunca deixo de o ser mas, por vezes, há necessidade de fazer umas pausas breves para fugir à nortada, à frialdade e à humidade.

Está tudo na mesma: o jardim e as plantas que o habitam não sentiram a ausência, porque S. Pedro foi amigo e deu-lhes de beber; a rolinha ainda conhecia o dono e o abastecimento deixado foi mais do que suficiente para os dias decorridos; as obras permanecem e, ao contrário do que seria previsível, não serão inauguradas antes das eleições, que se realizarão no próximo Domingo.

E por falar em eleições, amanhã é dia de reflexão, não se pode falar em nada que diga respeito ao acto eleitoral, entenda-se. Os meus desejos são que os eleitores pensem, reflictam e mudem. É bom mudar, mesmo que, daqui a quatro anos, se venha a dizer que pouco se alterou.

Por muito má, e nada indica que o seja, a mudança só pode trazer melhorias no marasmo instalado há décadas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

História

Sebastião José de Carvalho e Melo, primeiro Conde de Oeiras e mais tarde Marquês de Pombal, foi primeiro-ministro de El-Rei D. José I e autor da decisão de enterrar os mortos e tratar dos vivos, aquando do terramoto de Lisboa, em 1755.

Vive agora, disfarçado, a guardar os barcos da marina de Vila Real de Santo António.

Malhas que o império tece ...

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Hábitos

Há coisas a que não me habituo: ouvir, em altos berros, uns sons que saem das colunas de alguns bares e a que chamam música; ver uns corpos cheios de tatuagens nos sítios mais incríveis e visíveis - fico sempre a pensar como será nos invisíveis; falar a gritar ou gritar a falar, eu, que até falo alto; não ter um livro para ler, por ter falhado o devido aprovisionamento.

Que velho rabugento, ouve-se, ao fundo, do outro lado do mar.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Último olhar

Apenas uma nota breve, que o tempo é pouco e os dados móveis não se podem desperdiçar: a leitura de "Último olhar" foi terminada esta manhã, junto ao mar.

E o livro é fantástico! Do melhor que tenho lido nos últimos tempos. Obrigado, MST. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Férias

 Uma semana para descanso e meditação, que as eleições são no domingo e a decisão é difícil.

O mar está óptimo, o sol presente e o vento ausente. Ingredientes fundamentais para um descanso activo, compensador e delicioso ... quem trabalha, merece. 

Como dizia o meu amigo que gostava de ter sido comerciante: não tenho a tabuleta mas volto já, lá para domingo.

domingo, 19 de setembro de 2021

Livros (lidos ou em vias disso)

"(...) Regressara a França poucos dias depois de completar 18 anos, repatriado de Mauthausen através da Cruz Vermelha, num comboio que fizera o percurso inverso daquele há quase quatro anos. Um comboio que transportava, não propriamente sobreviventes, mas antes restos, despojos físicos, do que haviam sido seres humanos, agora deserdados de saúde, de alegria, de família, de lugar de regresso, de vida a que voltar. Da janela do comboio, na travessia da Alemanha e da Itália, vira cidades em ruínas ainda fumegantes, casas e fábricas destruídas e gente vagueando por entre as ruínas, aparentemente tão perdidos de destino quanto eles. E campos bombardeados, árvores queimadas, colheitas perdidas no chão, searas por fazer, animais mortos caídos na soleira das casas: só então se deu conta da barbárie que se passara lá fora, para lá dos muros da prisão em que estivera nos últimos anos e onde acabara por se convencer de que toda a vida que existia começava e acabava ali e se resumia a sobreviver um dia atrás do outro.

Fora directo ao campo de internamento de onde partira com o pai, em Dezembro de 41. No dia seguinte apresentou-se nos escritórios dos registos, onde era suposto as autoridades dos campos terem guardado os dados relativos a todos os internados espanhóis que por ali tinham passado ou que ainda lá estavam. Esperava que assim fosse, de facto, que tivessem os registos em ordem e que, entre eles, constasse o paradeiro actual da sua mãe e da sua irmã, a pequena Sara, de quem ele já quase não se lembrava. Foi recebido por uma funcionária ainda nova, com um ar cansado mas simpática, e que ainda mais simpática se tornou depois de consultar o seu próprio registo e confirmar que ele tinha saído dali para Mauthausen quatro anos antes e que agora estava de regresso: sobrevivera à traição dos franceses e à demência dos alemães. Mas, infelizmente, os passos seguintes confirmaram também que os registos estavam actualizados e que podiam ser implacáveis.(...)"

Último olhar
Miguel Sousa Tavares
Porto Editora (2021)

sábado, 18 de setembro de 2021

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Viagens

Uma fábrica com quase 200 anos, que continua a produzir coisas lindas e bem alegres.

A visita ao Museu da Vista Alegre valeu bem a viagem.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Chover no molhado ...

As entidades oficiais asseguram, com veemência, que os dragados da Lagoa são 80% de material limpo, classificado no Grupo I, e que apenas os restantes 20% poderão ter alguma contaminação. Daí não haver qualquer perigo para a saúde pública nem para o ecossistema, garantem.

Ficamos todos descansados, principalmente se deixarmos de ir à Foz. Hoje, apesar de o "aparelho" não estar a trabalhar - não consegui confirmar se "trambolhou" de novo -, a água do mar e da lagoa metia medo e causava repulsa, ainda que só os pés a fossem experimentar. O verde límpido foi substituído (talvez porque o Sporting perdeu por muitos) por um cinzento acastanhado, e o cheiro a maresia por um odor estranho, que parece uma mistura de algas com outras coisas mais esquisitas mas, pela certa, apenas normais.

Voltaremos a ter a Foz límpida e bem cheirosa? A ver vamos, mas os sinais não são muito animadores, mesmo sendo optimista.

Os pescadores esfregam as mãos de satisfação e um deles, dos mais antigos, referiu que, anteontem, apanhou mais de 40 quilos de robalos com mais de 1 quilo cada um.

- Nunca tinha pescado tanto, e os outros também ... tive de ir comprar uma arca nova! Sim, que eu não vendo peixe a ninguém. Está guardado para eu e a minha família irmos comendo.

- E hoje?

- Está fraco, mas ainda é cedo. A maré está a subir até quase à uma hora. Vamos ver!

A pescaria satisfaz alguns, mas não diminui a tristeza de muitos que conhecem bem a praia. 

Venha depressa o Inverno. "Penas que não se vêem, não se sentem". 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Quem te avisa ...

Já cheira a Outono, pelo menos cá pelo Oeste profundo. A chuva e a trovoada dos últimos dias alteraram a paisagem, o sol está mais baixo, as pessoas fugiram ou regressaram ao trabalho, e a praia ficou deserta.

Não há barracas, chapéus, "tapumes", toalhas, banheiros, muito menos a menina das bolas de Berlim. Sobra o sossego, com o rugido do mar em fundo e os surfistas em luta pela melhor onda. A água ainda permanece tépida, mas já não deverá ser por muito tempo.

Da meia dúzia dos que se aventuraram hoje a pisar a areia húmida, sobressaiu um, por certo habituado à calmaria dos algarves e caído aqui de kitesurf, quem sabe, que não prestou a devida atenção às ondas "fozeiras". Uma simples viragem para regressar à toalha e ei-lo experimentando as agruras da queda, o sabor da areia, a aflição do pulmão. O aviso deve ter-lhe ficado bem gravado na memória: na Foz, nunca vires as costas ao mar.