Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sábado, 14 de janeiro de 2023
sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
Questionário
Não vale a pena insistirem. Recuso liminarmente ser convidado para Secretário de Estado e muito menos para Ministro. Bolas!
Trinta e seis perguntas para responder, num questionário que nem sequer é de escolha múltipla, é obra. Decidi: nem pensem. António Costa que me desculpe, mas não colaborarei. Ainda por cima, o questionário será destruído logo que o seu "respondente" cesse funções, o que, nalguns casos, pode significar pouco mais de 24 horas. Também neste aspecto, a minha alma fica parva e sem conseguir encontrar explicações.
Um papel, ou melhor, um documento tão importante, preenchido com todo o rigor e sapiência, subscrito por declaração de honra, essencial à vida de todos nós e ao conhecimento dos vindouros, deveria, no mínimo, ter lugar na Torre do Tombo ou, até, num Museu a construir para esse fim específico, talvez utilizando as verbas do PRR ou algum edifício devoluto dos muitos que há na capital.
Mas pronto. Está decidido e quem quiser subir a escada, tem de se dar ao incómodo de responder, com cuidado, para que nada seja omitido. As respostas não podem ser "Sim", "Não" ou "Talvez" e é importante que não contenham erros ortográficos, não vá o diabo tecê-las e alguém as divulgar nesse mar imenso das redes, causando um total descrédito de quem tanto tem de se aplicar. A extensão do "exame" e o nível de respostas exigido deve pressupor que o candidato a ele dedique pelo menos um dia.
Para além de ter de responder aos "rabos de palha", o candidato também fará, em simultâneo, prova inequívoca de que sabe ler e escrever, não necessitando de evidenciar capacidade para contar, porque isso é feito pelas máquinas.
E o mestre André a esfregar as mãos ...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2023
Balanço 2022
Cumprindo a tradição (inovar já não é tarefa que me motive nem espaço que me acolha), ainda que com um ligeiro atraso, ficam as capas dos livros que li em 2022, digitalizadas, tratadas em Power Point, e, finalmente, convertidas em imagem JPG e aqui "plantadas" na esperança de que, para o ano, se repita a acção.
Muitos ou poucos, não interessa. Contribuí para que a estatística de livros lidos não seja tão baixa e para que os escritores, os editores, as livrarias, continuem a sobreviver e a dar-nos sempre livros, bons, de preferência.
De alguns foram deixados por aqui alguns excertos. Isso não significa que outros o não merecessem tanto ou mais. A ocasião faz o ladrão e o momento da leitura também desperta o entusiasmo da partilha.
Se, um dia, alguém se quiser dar ao trabalho de procurar nas estantes as obras pelas quais passei as mãos, os olhos e a "pinha", tem a tarefa mais facilitada pelo menos em relação aos últimos anos.
Sou um lírico, assumido. Porventura haverá alguma alma que perca tempo com isso?!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2023
Dinheiro
Circunstâncias que não vale a pena trazer, agora, à colação, determinaram a ida à Bordallo Pinheiro, com o intuito de adquirir uma peça para ofertar. Levando cartão ou dinheiro, não é possível sair daquela casa sem algo. Ontem, uma vez mais, a regra foi confirmada.
Espero que o destinatário da peça dela goste e que, sempre que a olhar, recorde a forma como tratou do meu assunto, sendo certo que não conseguirá, nessa recordação, chegar à infinita gratidão que lhe hei-de manter. Numa das peças miradas e remiradas, saltou a referência a um poema de João de Deus, que não conhecia nem consta dos escaparates cá de casa. Fui à "enciclopédia" virtual e de lá o transcrevo, mantendo toda a actualidade de ter sido escrito há 130 anos.
DINHEIRODinheiro é tão bonito,Tão bonito, o maganão!Tem tanta graça o maldito,Tem tanto chiste o ladrão!O falar, fala de um modo ...Todo elle, aquelle todo ...E ellas acham-no tão guapo!Velhinha ou moça que veja,Por mais esquiva que seja,Tlim!Papo.E a cegueira da justiçaComo elle a tira n'um ai!Sem lhe tocar com a pinça;É só dizer-lhe; Ahi vae ...Operação melindrosa,Que não é lá outra cousa;Cataracta, tome conta!Pois não faz mais do que isto,Diz-me um juiz que o tem visto:Tlim!Prompta.N'essas especies de examesQue a gente faz em rapaz,São milagres aos enxamesO que aquelle demo faz!Sem saber nem patavinaDe grammatica latina,Quer-se a gente d'alli fóra?Vae elle com taes fallinhas,Taes gaifonas, taes coisinhas ...Tlim!Ora ...Aquella physionomiaE labia que o demo tem!Mas n'uma secretariaAhi é que é vel-o bem!Quando elle de grande gala,Entra o ministro na sala,Aproveita a occasião:«Conhece este amigo antigo?- Oh meu tão antigo amigo!(Tlim!)Pois não!
Poesias lyricas completas
João de Deus
Imprensa Nacional (M DCCC XCIII)
terça-feira, 10 de janeiro de 2023
Partidas
Meia dúzia de coisas compradas, o carrinho do supermercado a tomar o rumo das caixas, sem grande movimento àquela hora da manhã. Só velhos ...
- Bom dia! Vais a pensar na morte da bezerra?
E ia. Concentrado em tudo e em nada, não me apercebi da chegada dele até ali, quase, quase encostado a mim. Nem valia a pena pedir desculpa. Ele tinha percebido que o corpo andava por ali, os olhos espreitavam as prateleiras, as mãos empurravam o carro, a cabeça estava bem longe.
Meia dúzia de palavras de circunstância, referências ao tempo que não há meio de trazer o sol para que o regresso à praia aconteça.
- Vamos pensar que só faltam três meses. É um instante.
Ambos sabíamos que havia qualquer coisa atravessada na garganta que queria sair. Era difícil. É sempre difícil ...
- Este ano vai ser menos um ...
- Pois ... quem diria. Desde sempre vendeu saúde e afinal ...
- Nem percebi bem como foi ... mas foi.
No próximo Verão, o LT já não nos fará companhia na "nossa" Foz. Os peixes deixarão de picar os seus anzóis e terão saudades, tal como nós.
E vendia saúde ... desde miúdo.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2023
Cópias
O que nos chega do Brasil não augura nada de bom para o futuro daquele país e deixa preocupações a quem, mesmo longe, vê o que a alienação, a demagogia, a falta de discernimento e de espírito crítico, podem trazer. Copiando o acontecido no Capitólio dos USA, uma quantidade significativa de vândalos invadiu e destruiu a sede dos poderes democráticos de Brasília, com, a julgar pelas imagens, a complacência de quem devia cuidar da segurança.
Nesta altura haverá muita gente a lembrar-se da sinistra ditadura militar, uns com as rezas a pedir a intervenção da tropa e muitos outros a prepararem o passaporte, não vá o diabo tecê-las.
A memória é curta, a manipulação intensa, o perigo real. Os tempos vão de molde a abrir portas a energúmenos, não acontece apenas do lado de lá do Atlântico e, é dos livros, as cópias são sempre muito piores que os originais.
domingo, 8 de janeiro de 2023
Ano Novo
Hoje foi dia de Concerto de Ano Novo, não o de Viena - esse aconteceu no primeiro dia de 2023 - mas o que a Banda Comércio e Indústria dedicou à sua cidade.
O CCC esteve completamente lotado e mais de 700 pessoas assistiram a uma excelente tarde musical, com um conjunto de peças muito bem escolhido, onde não faltaram as polkas e as valsas de Strauss, o tango de Piazzola e duas gaitas de foles que fizeram as delícias da plateia, tal a qualidade exibida.
Está de parabéns a Banda Comércio e Indústria, superiormente dirigida pelo Maestro Adelino Mota, pela qualidade que, uma vez mais, foi possível apreciar e aplaudir, e também pelo prazer imenso de ver uma quantidade significativa de jovens talentos, que garantirão a continuidade da obra a caminho do século.
sábado, 7 de janeiro de 2023
Palha
Depois de uma semana de sol radioso, apenas toldado pela escuridão de alguns figurões e figuronas (acertemos o passo com a moda) que, a qualquer preço, tentam gravar o seu nome nos anais da governação e nos respectivos currículos, volta a chuva. E com violência. Provoca algumas inundações e a molha, impiedosa, dos jornalistas televisivos que têm o azar ou são obrigados a estar de serviço à reportagem do momento, ouvindo o balanço do primeiro transeunte que apareça disponível para as câmaras.
Bem melhor deve ser correr atrás de ministros e ministras (acertemos o passo com a moda), de microfone em punho e perguntas, repetidas mil vezes, na ponta da língua.
- Não sabia?
- Já disse tudo o que tinha a dizer no local próprio. Agora vou trabalhar ...
- Mas ... acha que tem condições?
- Já disse tudo ...
- E não se demite?
Peripécias que se têm repetido nos últimos dias, por haver gente sem escrúpulos e que não se enxerga. A obtenção da primeira página, da abertura do telejornal, do cargo no currículo, da importância na ribalta, do acesso às portas que o poder abre (?).
Quase meio século passado, parece haver quem queira chamar o antigo, dar oportunidade de uns garganeiros gritarem e gesticularem, trazer excepções como retratos de regra. O exercício de qualquer cargo, público ou privado, deve acontecer com rigor, dedicação e empenho, tendo presente que poder não é colar cartazes em qualquer parede mas antes tomar decisões que, desagradando a alguns, tenham o bem de todos por objectivo.
Quem tem rabos de palha deve ficar instalado no palheiro onde os criou e esperar que o tempo passe...
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
Expresso
Passaram 50 anos. Meio século. Era sábado e, pela manhã, antes de me dirigir ao Lisboa & Açores da Rua das Montras para levantar o dinheiro necessário ao pagamento das jornas da semana - os bancos e muita outra gente, eu incluído, ainda trabalhava ao sábado - fui comprá-lo.
Era o primeiro número de um jornal com um conceito novo, desde logo por ser semanário, e porque as novidades, naquela época como ainda agora, atraíam quem tinha vontade de saber. A Jornália, onde o comprei, já fechou há largos anos. O Lisboa & Açores mudou de nome e de sítio e já poucos se recordarão dele e muitos menos do caixa - Sr. Mendonça - que estava de pé e contava o dinheiro a conversar sobre tudo, incluindo o tempo.
O Expresso continua e o vício de o comprar também, como sempre aconteceu ao longo deste meio século. Falhei muito poucos ...
A edição de hoje é enorme, com o tamanho original, para matar saudades de uma leitura que se apresenta tão diferente e, muitas vezes, logo desactualizada. Até o dia da saída mudou. Agora, sai o sábado à sexta-feira.
