sábado, 17 de junho de 2023

Modernices

Isto anda tudo mudado...

A semana começa ao sábado, violando tudo o que estava ancestralmente estabelecido. Ainda por cima, vai ser dedicada ao ócio e ao lazer, sem horários nem compromissos e a remuneração chegará dentro do prazo normal, como convém e é fundamental que se mantenha!

Mudanças, sim, mas não em tudo... 

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Viagens

Quase todos os dias me confronto com a frase, já por aqui citada várias vezes, do professor Dragomir Knapic, que me deu aulas nos idos de setenta do século passado: "Quanto mais sei, maior é a minha ignorância". E confirmo-a, sempre, cada vez mais desiludido ou, melhor, mais consciente.

As demissões, as comissões de inquérito, os comentários dos "tudólogos" e as opiniões, sempre claras e assertivas, do mais alto magistrado na Nação, alertam-me para a degradação da minha capacidade interpretativa e obrigam-me a constatar a diminuição, vertiginosa, dos neurónios que permitem o acesso ao entendimento.

As notícias de ontem informaram que a Top Atlântico, na sua qualidade de agência organizadora da viagem de Marcelo Rebelo de Sousa a Moçambique, assumiu o pedido de alteração da data do regresso do Presidente, sem que ninguém lho tivesse pedido e apenas com a preocupação, suprema, de facilitar a agenda do Presidente.

Parecendo-me desde logo estranho que a agência de viagens saiba os condicionalismos da agenda, fico apreensivo e a pensar que, se fosse comigo, correria o risco de não ter ninguém à minha espera no aeroporto, por o regresso acontecer antes da data programada, sem o meu conhecimento e consentimento.

Assim sendo, como confiar numa agência que se permite tentar alterar a data do regresso do Presidente da República sem lhe "passar cartão" ou "dar cavaco", transportando situação idêntica para um ser vulgar de Lineu que, ainda por cima, nunca passará de um "cliente da treta".

terça-feira, 13 de junho de 2023

Mares

Um novo mar entrou hoje na casa, agitado e rochoso, como para demonstrar, se tal fosse necessário, que a nossa costa não é só areia ...

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Poda

A poda é uma actividade agrícola essencial para que as árvores e um grande número de plantas se desenvolvam harmoniosamente, cresçam nos limites e tenham melhor produção.

Ainda que sem qualquer intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa e bem antes de o Presidente ter dado ênfase a tão antigo mester, os pinheiros foram podados por quem "sabe da poda" e lá estão, brilhantes, viçosos, enormes, lindos. Vê-se a olho nu que adoraram a intervenção humana e até o seu porte tem agora um ar majestoso, talvez até aristocrático. Os pássaros gostam de por lá andar - corvos, melros, peneireiros, pintassilgos - o vento sussurra nas agulhas, as nuvens espreitam de cima e impedem que o Sol castigue muito. Lá bem no alto, o mundo é outro, até na forma como o clima se comporta. 

Mas, como sempre, "não há bela sem senão": os ramos cortados ficaram espalhados por toda a extensão do pinhal e há necessidade de os apanhar, não só porque sim mas também por darem jeito à lareira, quando o inverno chegar. O trabalho é duro - apanha, corta, ensaca, transporta - tudo feito por "avenidas" cheias de socalcos e com inclinação acentuada.

A agricultura, para além de ser "a arte de empobrecer alegremente", puxa pelo cabedal a sério!

domingo, 11 de junho de 2023

Coexistência

Coelho e Rola: a convivência pacífica entre o mamífero e a ave, sem cartazes nem gritos, num entendimento perfeito.

Bem sei que é apenas o nome de uma embarcação e que a qualidade do fotógrafo deixa muito a desejar, tal como o diálogo que acontece nos humanos, por mais responsabilidades que tenham. Ainda ontem, sem "Peso" nem "Régua", alguns "educadores" gritaram bem alto a sua falta de educação, que se espera não seja o cartão de visita profissional.

sábado, 10 de junho de 2023

10 de Junho

Comemora-se hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Depois do início na África do Sul, as cerimónias oficiais decorreram no Peso da Régua, confirmando-se que o interior, tantas vezes esquecido, também tem direito à festa e sobre ela manifestou grande carinho e orgulho.

Para além dos desfiles próprios da ocasião, num tempo de guerra em que, por cá, ainda se limpam armas, houve os discursos de circunstância, com Marcelo a apelar à "poda das árvores" numa terra de cepas. Também se assistiu à sofreguidão costumeira de quem dá notícias, na procura dos protestos dos professores, dos assobios ao (ainda) Ministro Galamba, dos comentários do líder da oposição sobre a carta escrita e a resposta recebida.

O dia, que já foi da raça de má memória, vai terminar sem que o Peso da Régua se faça sentir sobre quem se porta mal. Felizmente, o tempo dela já passou há muito. Nos entretantos, alguns professores em protesto portaram-se francamente mal, deixando a turma perplexa. Quem dirigia a "aula" não teve a capacidade de corrigir e manter o nível.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Livros (lidos ou em vias disso)

Lealdade invisível

(...) No País de Gales, o turismo, divisa ou fachada de quase todos os países da actualidade, já se encontra em grande medida nas mãos dos ingleses, desde o pub ao hotel supostamente sofisticado (mas não muito, na verdade). São poucas as lojas de bairro que não fecharam. Metade dos postos de correios estão nas mãos de ingleses. E a imensa vaga de famílias inglesas que para aqui vem faz com que até as escolas, de cujo programa a língua galesa faz parte, fiquem mais ameranglicizadas a cada período que passa - pois por cada criança que para cá vem e se torna galesa, meia dúzia de crianças que sabem falar galês já não usam a nossa língua no recreio. Todos os dias do ano há mais umas centenas de casas das zonas rurais galesas que são vendidas a ingleses por preços que muito poucos galeses do campo poderiam pagar, muitas vezes para se transformarem em cabeça de ponte de corrosão cultural.

Quanto a mim, meio galesa e meio inglesa, não sou certamente nenhuma racista, e só por pouco me considero nacionalista, pois já não acredito em nacionalidades, nem na porcaria do Estado-Nação. No entanto, sou uma culturalista e parece-me que, infelizmente, os povos têm de alcançar a condição de estado para preservarem o seu próprio ser. Na minha opinião, seria uma tragédia medonha se os pequenos povos como o nosso desaparecessem realmente do mapa - não do mapa geográfico, o que provavelmente não acontecerá no próximo milhão de anos ou assim, mas do mapa político, o que pode acontecer a qualquer momento.

Mas atrevo-me a dizer que aqueles cartógrafos do Compêndio Estatístico do Eurostat estariam a expressar subconscientemente uma verdade quando relegaram o País de Gales ao esquecimento. De certa forma, o nosso país já é invisível ou, pelo menos, oculto. <<Assim que entrámos no pub>>, dizem os ingleses que gostam de contar histórias quando voltam para casa, <<aquela gente desatou a palrar em galês.>> Que disparate. Já estavam a palrar em galês muito antes de lá entrar, meu senhor, muito antes de os seus antepassados atravessarem o Severn e pode acreditar que continuarão a palrar quando se for embora.

Assim será porque muita da cultura galesa é privada. (...)"

Alegorizações
Jan Morris

terça-feira, 6 de junho de 2023

Selos

Estavam há alguns anos em hibernação, por falta de pachorra e também alguma desmotivação. As rotinas, por vezes, quebram-se e depois não é fácil retomar.

Na semana passada, uma conversa com um amigo despertou a lembrança e eis-me a verificar o estado dos selos guardados com tanto carinho e que, por certo, já tinham estranhado a ausência e a falta de mimo.

As colecções nunca estão terminadas, têm sempre algo a rever e a modificar e dão uma trabalheira danada. 

Assim, a tarde passou a correr e nem deu para preocupações com as audiências dos casos e casinhos. Valeu a pena. A satisfação final até faz esquecer o tempo ... ganho.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Esforço e dedicação

Marcelo Rebelo de Sousa preocupado, como sempre, com o bem-estar de todos os portugueses, resolveu usar toda a sua influência e, num encontro fortuito e perfeitamente ocasional com os jornalistas, fez um veemente apelo à banca, pedindo um "esforçozinho" para que as taxas de juros dos depósitos sejam aumentadas. Podia ter feito uma chamada telefónica para os responsáveis máximos de cada banco, mas assim só gastou o "latim" uma vez e deu nota a toda a gente da sua preocupação.

A banca tremeu, reuniu, estudou, ponderou e decidiu, de imediato, o que não foi surpresa para ninguém: ficou tudo na mesma, mas tomaram boa nota das preocupações do PR. Quando precisarem de dinheiro, irão comprá-lo.

Entretanto, é expectável que o Presidente da República nomeie um grupo de trabalho que lhe forneça os elementos necessários às centenas de apelos que vai ter de fazer para que as grandes superfícies paguem mais aos agricultores, as gasolineiras vendam o combustível mais barato, os senhorios cobrem as rendas ao "preço da chuva", as construtoras diminuam o preço por metro quadrado, os táxis baixem as bandeiradas. 

Com um "esforçozinho" de todos, isto vai lá ...

domingo, 4 de junho de 2023

ORDEM

Há livros em vários locais da casa, espalhados pelos sítios mais inverosímeis aos olhos dos bem comportados e preocupados com a imagem. Estão começados, aguardam vez, esperam reunir condições para ocuparem o lugar que lhes compete e lhes está reservado numa das três enormes estantes que fazem parte da mobília.

A arrumação está a tornar-se, cada vez mais, um problema de difícil solução. As prateleiras estão repletas, com formatura em duas filas e, por vezes, algum atravessamento na parte superior. Procura-se a manutenção da ordem alfabética, para que a eventual necessidade de os encontrar dispense a consulta da base de dados. Livro terminado não é assunto arrumado; é problema complicado.

- Já não cabe aqui!

Muda-se o último para a prateleira seguinte, como forma de abrir o espaço necessário. Mas a seguinte também está completa e o mesmo se verifica com a seguinte. Existe um buraquinho lá ao fundo, mas isso implica alterar um montão de registos no computador.

- Que chatice!

O livro acaba por se aconchegar num espaço disponível, sem a preocupação da ordem, com a certeza de que, se a memória não funcionar, a consulta informática dá a localização precisa, qual GPS no carro.

No final, penso: quando deixar de comprar, reformulo tudo isto e a ordem alfabética regressa.

Será?