Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
terça-feira, 9 de abril de 2024
Ramerrame
sábado, 6 de abril de 2024
Livros (lidos ou em vias disso)
Já levo muitos milhares de páginas lidas e continuo sempre a surpreender-me. Este livro, oferecido pela minha filha no Dia do Pai, confirmou, se necessário fosse, que estamos sempre muito longe de saber e conhecer tudo. Não conhecia o autor e, da história narrada, talvez tivesse ouvido algumas coisas, sempre pela rama. Não foi uma delícia porque os factos são arrasadores, marcantes, terríveis. Mas é um livro fantástico!
sexta-feira, 5 de abril de 2024
Emblemas
Ainda mal conhecem os cantos à casa (para muitos, o palácio de sonho) e já começa a haver "mosquitos por cordas". Da Secretária de Estado que, ainda antes da posse, já está com as indemnizações (mal) recebidas às costas, até à primeira decisão pública do Conselho de Ministros: alteração do logótipo do Governo, fazendo a vontade aos cultores do amor pátrio, de que são lídimos defensores.
Longe dos locais onde a sapiência impera, surge-me a dúvida se esta era a medida que se impunha com a maior urgência e se o procedimento de agora passará a lei futura, com aplicação imperativa a todos os novos governos.
Parece-me ser elementar este procedimento, que garantirá a eficiência futura. Apraz-me deixar uma sugestão para a próxima quinta-feira: alterar os logótipos das forças de segurança, que já estão bastante caducos ... do tempo, claro!
terça-feira, 2 de abril de 2024
Tempo novo
Hoje haverá novo Governo e, de acordo com a maioria dos ilustres comentadores da nossa praça, será de combate, e constituído por gente de grande prestígio e capacidade, capaz de conduzir os destinos da nação com a proficiência reconhecida, a julgar pelos currículos tão meticulosamente divulgados.
A expectativa aumenta quando se tenta adivinhar a conversa que virá de Belém, sabendo-se quão loquaz gosta de ser o nosso Presidente. Deverá subir a Calçada da Ajuda, a pé, e aproveitar para dar uma aulita de história à sua ajudante de campo e fazer um pouco de exercício.
Apesar de as televisões estarem sintonizadas com o tema desde manhã, com repórteres à chuva a palavrear em modo hiperbólico, a cerimónia só começará daqui a pouco menos de meia hora, salvo se Luís Montenegro fizer alguma alteração de último hora, como lhe pediu encarecidamente o "palrador".
quarta-feira, 27 de março de 2024
Dia Mundial do Teatro
"(...) PRIMEIRA COMADRE: Não ouve, comadre? O mafarrico quer continuar a fazer de cego!
FALSO CEGO: Não, senhora. Fui cego até agora, mais nada. Isto (sacode a venda) é a prova! Fui cego. Fui! Mas hoje a boa hora soou para o povo. Pelas frestas deste trapo conheci o padre Cano. Presenciei o medo que vai na tropa, e, nesses montes além, vi o Ruivo e mais três sargentos a entregarem-se ao bando do Académico. Andando por toda a parte, tudo soube, tudo ouvi. De Coimbra vêm estudantes, Vila Real já se rende, fogo para aqui fogo para ali, bala vai, bala vem, e - poder do mundo - as vilas levantam-se pela Maria da Fonte.
SEGUNDA COMADRE, PARA A OUTRA: E ele, cego.
PRIMEIRA COMADRE: Pudera. O mundo está para os cegos.
FALSO CEGO: Nem mais. Se não tivesse feito o que fiz nunca teria as vantagens que tive.
SEGUNDA COMADRE: Que vantagens?
PRIMEIRA COMADRE: Sim, que vantagens?
FALSO CEGO: As vantagens de ser cego.
(Pega na viola e canta)
AS VANTAGENS DE SER CEGO
Perguntaram ao cegose ele não ia às eleiçõesnem dava contribuiçõese mais impostos devidos."Assina, escolhe os mandõesque há muito estão escolhidos."
"Senhor, respondeu o cego,"Eu sou cego, cego, cego,E o meu rosto jamais vi.Desconheço a minha letraE de quantos nos governam." (...)
terça-feira, 26 de março de 2024
Saltimbancos
Em vésperas de Abril, o dia começou com muita chuva, vento e granizo, coisa que não é muito habitual por este oeste sossegado. As pedrinhas estragaram algumas flores da laranjeira, dos limoeiros e da ginjeira, e alteraram o verde da relva para um esbranquiçado parecido com a minha cabeleira.
Tudo indicava que seria um de
"vai prá barraca, Mimoso!"
sem qualquer interesse, a não ser aquele a que o livro actualmente a ser lido, proporciona.
Afinal, tudo se alterou. Para quem, como eu, gosta de teatro, o espectáculo surgiu no televisor, sem necessidade de comprar bilhete, em directo da Assembleia da República. A "peça" transmitida está a baixar de nível e a subir de interesse. Trata-se da eleição do novo Presidente da AR, segunda figura da hierarquia do Estado.
Confesso as minhas limitações: ainda não percebi se é comédia, drama ou farsa, e se o elenco - 230 "actores" - tem nível para o papel que lhes destinaram. Contudo, já entendi que a minha geração, que depositou enormes esperanças na chegada da liberdade, não foi capaz de transmitir valores a muita da gentalha que hoje se senta em cadeiras cuja ocupação deveria ser por pessoas de nível, preocupadas com as funções para que são (foram) eleitos.
sábado, 23 de março de 2024
Poeiras
A poeira, parece que africana, suja os carros, a roupa estendida e até a relva do quintal. Torna o azul do céu meio acinzentado e cria alguma dificuldade na respiração ... dos velhos, principalmente daqueles que fumaram desalmadamente, em tempos idos.
Já lá vão muitos anos, mas o tabaquito alugou uns quartos nos alvéolos e por lá se vai mantendo, quase sempre sossegado, sem pagar alojamento e dando um ar da sua graça de quando em vez. Um médico amigo bem me avisou e em tempo útil:
Olha que alvéolo fechado nunca mais reabre ...
O aviso deve ter entrado a 100 no ouvido esquerdo e saído a 200 pelo direito. Era fixe, como agora se diz. Dava um certo charme, ocupava as mãos e permitia ganhar tempo em situações críticas, propiciando pensar melhor antes de sair asneira.
Deixou marcas, que acordam de vez em quando, lembrando que as asneiras se pagam sempre e, muitas vezes, os custos são enormes e nunca cobrem os pretensos benefícios.
Mas a que propósito me lembrei eu disto, agora?
Ah! Já sei!
Os fumos do 10 de Março passado vão ter consequências no futuro, mais cedo do que tarde, digo eu que conheço bem os malefícios do tabaco. Assim não fechem todos os alvéolos ...
quinta-feira, 21 de março de 2024
Palavras bonitas
No Dia Mundial da Poesia, palavras tão antigas e tão actuais.
GUERRA
Quando Francisco Charruachegou ao largo gritando:- Eh! gente, estalou a guerra!Zé Gaio de alvoroçadopôs-se a bater o fandango.Os outros só pelos olhosfalavam surpresa, esperança:- Será agora? Talvez ...!Mas Zé Gaio tinha a certeza:estava a bater o fandango! ...Já vão dois anos passados.Agora a telefoniada venda, à esquina do largo,informa todas as noites:"Uma esquadrilha inimigabombardeou a cidade:morreram trinta mulherese vinte e sete crianças."Agora a telefoniainforma todas as noites,dias, meses, anos ... noites:"Morreram trinta mulherese vinte e sete crianças."... E lá num canto do largo,coberto de noite e raiva,Zé Gaio abriu a navalha.Zé Gaio espetou a navalhano grosso tronco da faia.Lá num canto do largo,a faia toda dobrada- será do peso da noiteou do vento da desgraçaque sai da telefonia?Manuel da FonsecaPoemas completosForja (1958)
quarta-feira, 20 de março de 2024
Primavera
Embora cada vez mais pareça que, em Portugal e no resto do mundo, o Inverno é a estação do ano prevalecente, com nuvens por todo o lado, tempestades em muitos sítios, ciclones em várias regiões, o calendário continua a registar que hoje é o primeiro dia de Primavera do ano de 2024.
Ofuscada pelos muitos tiroteios que continuam a ceifar vidas inocentes, deixando os culpados gozarem de um Verão que lhes continua reservado em exclusivo, a "Prima", ainda assim, mantém viva a esperança de que, um dia, talvez se consiga uma sociedade mais justa, mais serena e, sobretudo, mais pacífica.
terça-feira, 19 de março de 2024
Dia do Pai
Ainda que as comemorações deste tipo não sejam o meu forte, hoje é, efectivamente, o Dia do meu Pai. Completaria 102 anos dum "saber da experiência feito", consolidado à custa de muito trabalho, desde a meninice.