FÉ
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2024
Palavras bonitas
quarta-feira, 25 de dezembro de 2024
Ilusões
Se Fernando Pessoa escreveu que
O poeta é um fingidorFinge tão completamenteQue chega a fingir que é dorA dor que deveras sente
São apenas ilusões e, amanhã, o mais provável é que as velhas ilhas e os seus companheiros Farilhões já só apareçam no horizonte de quem sabe que, por detrás da neblina, lá bem longe, elas permanecem descansadas.
Malhas que o império tece ou a confirmação de que o hoje só determina que o amanhã se verá.
terça-feira, 24 de dezembro de 2024
Natal
A todos os que (ainda) vão perdendo algum do seu precioso tempo a espreitar o que por aqui vai aparecendo, votos de um excelente NATAL, com tudo o que pretendem e, especialmente - lugar comum - saúde e paz.
BOAS FESTAS
domingo, 22 de dezembro de 2024
Livros lidos (ou em vias disso)
Podia ser um texto sobre a actualidade, a época natalícia, as desigualdades, o sofrimento, as diferenças, tudo o que a nossa imaginação queira. Nada disso! Apenas um excerto de um capítulo de um livro deliciosamente bem escrito.
Qu'é isso?
Descoberto pelos irmãos Don Fausto e Juan José Delhuyar em 1783.
Elemento químico metálico (símbolo: W).
Número atómico 74.
Massa atómica 183,85.
Cor pardacenta, quase preta.
Densidade de 19,3 g/cm3.
Funde a cerca de 3419 ºC.
Uma merda pra fazerem armas, munições ou coisa co valha.
O tambor que o mar é ao bater na rocha. Falam do Volframista na praia, tratando das redes. Recordando pela centésima vez o que lhes disse o homem.
Sou como vocês, vou sempre ao leme.
Que leme, homem? Estes barcos não têm leme. (...)
sexta-feira, 20 de dezembro de 2024
Realidade ou ficção
Havendo informação sem censura (até quando?), vamos sabendo o que se passa no país, e no mundo, e podemos, por nós próprios, aquilatar a licitude e a verdade dos factos, fazendo a nossa análise sem recorrer aos "analistas" que todos os dias nos "invadem" a casa sem pedir autorização.
Ontem vimos um filme de "cowboys", rodado na Rua do Benformoso, no qual os "cowboys" encostam os "índios" à parede, de mãos bem levantadas e pernas bem abertas, para que a revista decorra com a pompa securitária que o "povo" reclama. Encontraram uma faca ...
Noutros tempos, naquela mesma rua, passava a rusga e a "ramona" levava toda a gente - homens e mulheres - para o Governo Civil, onde os esperava uma noite para mais tarde recordar. Ficavam os proxenetas que, à época, o calão apelidava de chulos. Estes mantinham excelentes relações com a autoridade e sabiam que o negócio prosseguiria no dia seguinte. Ontem não foram para o Governo Civil (já não existe) mas os "índios" foram bem avisados (em que língua?) e enxovalhados. E os proxenetas?
Andaremos à nora ou os alcatruzes estão a recuperar águas de antanho?
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
Palavras bonitas
QUATORZE VERSOS
O primeiro é assim: fica de parte.No segundo já posso prometerque no terceiro vai haver mais arte.Mas afinal não houve ... que fazer?Melhor será calar, pois que dizernem no sexto conseguirei destarte.Os acentos errados é favor não ver;nem os versos errados, que também sei hacer ...Ó nono verso por que vais emborasem que eu te sublime neste décimo?Ao décimo primeiro dediquei uma hora.Errei-o. Mas que importa se a poesia,mesmo que o não errasse, já não vinha?É este o último e, como os outros, péssimo ...Tomai lá do O'NeillAlexandre O'NeillCírculo de Leitores (1986)
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
Língua
Concluo, muitas vezes, que estaria na hora de voltar às aulas de Português, se a saudosa Doutora Elvira pudesse voltar a ministrá-las e a reforçar-me, se necessário fosse, o gosto pela língua, do vocabulário à ficção, da leitura de prosa ou de poesia e, sobretudo, dos cuidados a ter com a escrita e com a fala.
- Se não há certezas, não escrevam nem digam. Vão procurar saber a forma correcta antes de dizerem ou escreverem asneiras.
Procurei seguir sempre o sábio conselho.
Hoje fui, uma vez mais, surpreendido com a minha ignorância. De acordo com a Sic Notícias, um autocarro sem condutor desgovernou-se e albarroou um táxi que se encontrava estacionado junto à Gare do Oriente. Do albarroamento não resultaram quaisquer (vá lá, não foram quaisqueres) vítimas, estando já em curso um rigoroso inquérito por parte da empresa proprietária do autocarro, para apuramento dos motivos e das responsabilidades do albarroamento. Durante os dois ou três minutos em que o jornalista esteve de microfone na mão, várias vezes abalroou a língua que devia dominar em pleno. Da segunda vez que interveio, repetiu a proeza.
Tudo isto trouxe-me à memória um velho treinador de futebol que, tal como a minha dilecta professora, já cá não está para confirmar.
- Ó menino, não inventes! Joga só o que sabes!
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
Livros (lidos ou em vias disso)
"(...) Numa tarde do mês de Março de 1955, quando se preparava para servir o chá, a menina Fabre surpreendeu as suas alunas numa grande conversa. Os estudantes do secundário estavam em greve havia uma semana, por causa de uma jovem que um professor humilhara. Ele acusara-a de ter escrito uma composição subversiva sobre o combate de Joana d'Arc contra os Ingleses e de ter aproveitado a disciplina de História para manifestar as suas amizades nacionalistas. Do andar de cima, chegava-lhes o riso dos trabalhadores que reparavam o telhado da menina Fabre e as raparigas não se contiveram e tentaram vê-los. A dona da casa serviu, à moda dos Marroquinos, com um gesto amplo e cerimonioso, o chá de menta em copos lascados. Aproximou-se de Selma.
- Venha comigo, menina, quero falar consigo.
Selma seguiu-a até à cozinha. Perguntou-se qual seria o motivo daquela conversa à parte. Teve vontade de dizer que se estava a borrifar para a política, que a sua cunhada era francesa, que não tomava o partido de ninguém, mas a menina Fabre sorriu-lhe e convidou-a a sentar-se a uma mesinha de madeira, na qual estava pousado um cesto com fruta coberta de mosquinhas. A menina Fabre esticou as pernas. Durante uns minutos, que pareceram infindáveis a Selma, perdeu-se na contemplação da buganvília que se espraiava, em enormes cachos malvas, sobre o muro ao fundo do jardim. Pegou num pêssego demasiado maduro, com a casca a descolar, e deparou com a polpa escura e mole.
- Soube que deixou de ir às aulas.
Selma encolheu os ombros.
- Para quê? Não entendia nada.
- A menina é uma tonta. Sem estudos, não será ninguém na vida.
Selma ficou surpreendida. Nunca ouvira a menina Fabre exprimir-se daquela maneira, dar mostras de tamanha severidade junto de uma das adolescentes.
- É por causa de algum rapaz, é isso?
Selma corou e, se pudesse, teria fugido a sete pés e nunca mais a veriam naquela casa. As pernas começaram a tremer-lhe e a menina Fabre pousou uma mão no joelho dela.
- Julga que não compreendo? Provavelmente pensa que nunca estive apaixonada.
<<Faz com que ela se cale. Faz com que ela me deixe ir embora>>, pensou Selma, mas a velha continuou, roçando os dedos na sua cruz de marfim, que, de tanto ser acariciada, estava lustrosa.
- Hoje está apaixonada e é maravilhoso. Acredita em tudo o que os rapazes lhe dizem. Está convencida de que isso vai durar e que eles vão gostar sempre tanto de si como gostam agora. Comparado com isso, os estudos não têm importância. Mas a menina não sabe nada da vida! Um dia, se sacrificar tudo por eles, vai ficar sem nada e dependente dos mais pequenos gestos deles. Dependente da boa disposição e afecto dos homens, à mercê da brutalidade deles. Acredite que devia pensar no seu futuro e estudar. Os tempos mudaram. Não tem de abraçar o mesmo destino que o da sua mãe. Pode vir a ser alguém, advogada, professora, enfermeira. Ou até aviadora! Não ouviu falar daquela rapariga, a Touria Chaoui, que conseguiu o brevet de piloto com apenas dezasseis anos? A menina pode ser quem quiser, desde que faça por isso. E nunca, nunca pedirá dinheiro a um homem. (...)"
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Se ...
E se, de repente, houvesse paz no mundo?
E se, de chofre, os pobres ficassem remediados?
E se, bruscamente, passasse a haver respeito por todos?
E se, sem pressas, toda a gente chegasse a tempo?
E se, sem falsos pudores nem nomenclaturas de ocasião, todos fossem livres?
E se, ostensivamente, desaparecessem os preconceitos?
E se ... te calasses no teu cantinho e te deixasses de parvoeiras sem nexo?
domingo, 8 de dezembro de 2024
Manhã fria
O João não está nada Feliz e tem muita pena de A Canária ter ficado tão tremida.
Paciência. Estava muito vento, frio, e a habilidade é pouca!





