Mais um dia grande para o futebol nacional, com a selecção principal a conquistar a Liga das Nações pela segunda vez, contra as perspectivas desenhadas pela crítica sabedora. E foi muito bonito de ver a capacidade de Nuno Mendes, numa equipa que procurou sempre, com "ganas", vencer "nuestros hermanos".
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
segunda-feira, 9 de junho de 2025
domingo, 8 de junho de 2025
Tempo ... de praia
(Re)começaram as conversas da praia, acompanhadas pela nortada "fozeira", acentuando as dificuldades de audição que vão aumentando à medida que o tempo percorre o caminho inexorável ... para o aparelhinho do Goucha.
A água, ao contrário do que acontecia há uns anos, está muito fria, o sol anda fraquinho, a camisola aconchega o tronco dos conversadores presentes e não parece nada incomodada com isso. O banho fica para a próxima.
- Ainda é cedo, que diabo. Nem sequer há banheiro ... Calma, que vai ser bom ... verão.
- E o vento, ai, o vento está bem pior que o ano passado.
Falou-se da inteligência artificial, da falta de sentido crítico, das eleições, dos apertões de Marcelo, de abortos e desmanchos, do que era e do que é, do que lá vai e do que estará para chegar, deste e daquele, disto e daquilo. Tudo tratado e nada resolvido, como sempre.
- Começou a chegar a "fauna" da tarde. Está na hora de a "Cacilda" ir tratar do almoço. Até amanhã ... se o tempo quiser!
sábado, 7 de junho de 2025
Palavras bonitas
No desvarioDo sonho me socorroE nele percorroO denso frioDa distância,Os delirantes lugares da demência,A delicada fragância,A seda e o brocadoDesenhando o fulgor e a fluorescênciaDo teu corpo semeadoDe azul e maresia ...Meu castelo de vento,Meu portento, Meu mar sulcadoE para sempre aradoDe louca fantasia! ...Pequena elegia em busca de MoadLino Sebastiãocordel d' prata (2025)
sexta-feira, 6 de junho de 2025
Paz e lirismo
E se, de repente, começasse a surgir alguma coisa com nexo daquela cabecinha amarelada que comanda os destinos americanos, gritaríamos todos:
- Milagre!
Desenganem-se. Não vai acontecer, por muito desejável que seja e muitas rezas ocorram. Continuaremos a ouvir muitas "bacoradas" e um sem número de alarvidades que trazem à memória a frase do antigo seleccionador nacional de futebol Luiz Filipe Scolari:
- E o burro, sou eu?
A guerra, que tinha o destino traçado, terminaria mal ele sentasse os glúteos no sofá da Sala Oval e nunca teria começado se ele se tivesse mantido como chefe da nação naquele acto eleitoral tão festejado no Capitólio, afinal continua, agravada, e sem fim à vista. A faixa de Gaza está quase em condições de serem iniciadas as obras do resort de luxo, faltando apenas acabar com os palestinianos.
Entretanto, o cavalheiro holandês que apelidou os portugueses de gastadores e boémios, pede encarecidamente que todos os países aumentem a sua contribuição para a NATO e, ao que tudo indica, o nosso já está a escarafunchar no mealheiro para lhe fazer a vontade.
Como toda a gente sabe e a história confirma, a solução é aumentar o esforço militar e deixar que essa coisa da paz se mantenha como uma miragem dos líricos.
segunda-feira, 2 de junho de 2025
Livros (lidos ou em vias disso)
Biblioteca acima das possibilidades de leitura
Uma biblioteca cheia de livros que não foram lidos - sabendo que muitos deles nunca o serão - é uma biblioteca enorme, porque contém em si a semente da possibilidade. É imensa porque inclui desejo. Quem a criou tinha um desejo acima das suas possibilidades, e isso define o leitor: a sua ambição. Nunca concretizaremos plenamente os nossos desejos, mas o tamanho da biblioteca pode evidenciar o tamanho da ambição e, por reflexo, o tamanho do leitor. Um leitor tímido terá um ou dois livros por ler, um leitor ambicioso terá logicamente mais. Em japonês, existe uma palavra para a pilha de livros por ler: tsundoku.
Seria expectável que um grande leitor fosse aquele com menos livros por ler na sua biblioteca, pois leu muitíssimo, mas não é isso que acontece: o melhor leitor tem sempre cada vez mais livros por ler. Quanto mais lê, mais essa lista aumenta.
domingo, 1 de junho de 2025
Livros (lidos ou em vias disso)
"(...) Por norma, a leitura não tem uma gratificação imediata e contraria as nossas características gregárias, isolando-nos dos outros e do mundo, impondo algum silêncio, exigindo atenção, concentração e, como se tal não bastasse, obriga ao esforço da descodificação. Ao contrário de outras formas de arte, como a música, a pintura ou o cinema, a leitura não se oferece directamente à sensorialidade - exige um processo cognitivo, converter letras em cenários mentais, converter letras em vozes, rostos, emoções e paisagens. Ler dá trabalho. Essa exigência torna a leitura uma arte activa, mais próxima da tradução do que da fruição imediata, e, talvez por isso, quando funciona, seja tão poderosa: porque é o leitor quem completa a obra. A leitura é uma arte de co-autoria.
Sendo difícil ultrapassar os primeiros obstáculos que a própria leitura impõe aos seus possíveis futuros amantes, as medidas para aumentar o número de leitores têm resultados tíbios. Repare-se que esse número deveria ter aumentado estrondosamente com a diminuição da iliteracia, mas tal não se verificou. Nunca houve um entusiasmo esfuziante com a leitura; pelo contrário, sempre foi um fenómeno sóbrio, que vai tendo mais leitores, é certo, mas de forma lenta, ou muito lenta. De todos os que foram alfabetizados, poucos se tornaram leitores assíduos. (...)"
quinta-feira, 29 de maio de 2025
Prova real
Estava um calor "de ananases", talvez parecido com o que se sentiu, e ainda se sente, no dia de hoje. Sem nuvens no céu nem a nortada oestina tão familiar, pareceria que se estava em pleno Alentejo. Havia necessidade de uma deslocação à outra quinta, para resolver um qualquer problema cuja origem já não recordo. Devia ser importante. O patrão, habitualmente, decidia sem se deslocar lá.
O exame de condução tinha sido realizado com êxito e o documento, em cartolina avermelhada, havia chegado poucos dias antes. A notícia tinha sido transmitida, com ênfase, a quem de direito. A receptividade foi a habitual: sem comentários.
- Hoje levas tu o carro.
Já tinha pegado no Peugeot 504 algumas vezes, mas apenas para pequenas arrumações, na garagem ou na procura da sombra, com a conivência do motorista da casa. Isso ele não sabia e não era eu que lhe iria dizer. Ainda se zangava e alterava a decisão que havia tomado. "Patrão manda, marinheiro faz ... "
É fácil de entender que os nervos eram muitos e imenso o medo de falhar. O Peugeot era, na época, uma "bomba" topo de gama, privilégio de quem tinha grandes posses. Espaçoso, de um verde claro discreto, estofos muito macios, em pele, espaço para copo e garrafa no meio, rádio e leitor de cassetes "cartucho". Até chauffage tinha ...
O patrão instalou-se no lugar do pendura, escolheu a música, clássica, como sempre, e a viagem iniciou-se rumo ao Negrelho. Vidros todos abertos, para que o ar circulasse e diminuísse um pouco o desconforto causado pela tal temperatura nada habitual na região.
O braço esquerdo apoiou-se na janela, deixando que os dedos dessa mão apoiassem o volante. O trabalho era todo executado pela mão direita, que guiava e engrenava as cinco mudanças, dando aquele ar importante de quem sabe bem o que faz e não está nada constrangido.
O trânsito era residual e a viagem correu bem, com o "motorista" a sentir-se "inchado" com o desempenho.
- Não estás mal! Mas olha que o braço é para o volante, não para a janela.
terça-feira, 27 de maio de 2025
Palavras
Finalmente, a senhora que manda na União Europeia acordou da letargia e disse qualquer coisita sobre a catástrofe humanitária que o Bibi israelita está a levar a cabo.
Não foi muito assertiva nem teve a violência verbal que se justificava perante tamanha crueldade que o homem (?) tem promovido mas, valha-nos isso, falou.
sexta-feira, 23 de maio de 2025
Livros (lidos ou em vias disso)
"(...)
Mãos estranhas enterraram no dia seguinte o corpo mirrado do pobre aventureiro na terra estrangeira onde devia pagar o preço das suas aventuras.
E como sem mensalidades o Colégio de Santo António não ensinava nada a ninguém, passados meses, o pequeno Sérgio foi despachado em terceira para Penedono.
O Gaudêncio velho, então, teve pena dele e pô-lo a guardar ovelhas no Farrobo.
Pastor, que foi por onde o Senhor Ventura começou."
segunda-feira, 19 de maio de 2025
Sufrágio
Cada eleitor teve direito a manifestar a sua escolha e fê-lo sem pressões, no recato da urna, com sigilo garantido sobre o sítio onde decidiu marcar a sua cruz.
No final da votação, logo a seguir às 19 horas, os membros das mesas contaram os votos, elaboraram a acta e fizeram chegar os resultados ao patamar superior. A freguesia juntou os votos, a autarquia coligiu a soma concelhia, o distrito somou tudo, dividiu pelo método de Hondt e apurou os deputados eleitos. Todos cumpriram com afã as tarefas que lhes estavam confiadas e o país soube dos resultados finais ainda antes de o dia terminar.
Os resultados não se saboreiam nem se digerem: aceitam-se enquanto as regras forem claras, iguais para todos e não haja suspeitas de fraude ou de "chapeladas", como nos tempos "da outra senhora".
Custa a perceber? Custa, mas a cada um só cabe uma cruz ...
