quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Vícios

Alguns dias de ausência, não que faltem assuntos mas apenas porque "outros valores mais altos se alevantam", como disse o nosso Camões. Por vezes, também a paciência se ausenta e a vontade suspira por alguns momentos de descanso e meditação. 

O pouco tempo livre (ser reformado dá muito trabalho) tem sido aproveitado para dar uma nova (e melhor, espero) organização aos selos, de forma a que, se aparecer alguém que evite que eles sejam "mergulhados" no camião que há-de "limpar o lixo" existente cá por casa, perceba alguma coisa do que por ali está. A filatelia já teve os seus tempos áureos e o selo é, cada vez mais, um "utensílio" arcaico, em vias de extinção.

Estamos em mudança constante e só alguns "tontos" ainda vão achando que vale a pena preservar alguns vícios ...

Voltando ao tempo livre, aguarda-se que a IA altere a duração dos dias e possibilite espaço temporal que permita ver e ouvir, atentamente, o que se vai passando pelo mundo. Será? Ou já estarei a delirar?

As guerras mantêm-se, o homem da melena continua a dizer bacoradas e a ser ouvido; o seu "imitador portuga" grita, berra e barafusta como se estivesse na tasca e fosse o único bêbado ainda em condições de debitar asneiras; o nosso embaixador do futebol transferiu-se para os negócios estrangeiros árabes e foi jantar à Casa Branca; as sondagens dos resultados das presidenciais servem todos os gostos e interesses e são de um rigor acima de qualquer suspeita.

O vício de ler continua mas os livros, pelo menos os que aqui "moram", são escritos por mão e pensamento humano. Até quando?

sábado, 15 de novembro de 2025

Dança

A arte e o humor de António, no Expresso desta semana, dá-nos conta de que, pelo andar da carruagem, todos aprenderemos a dançar a valsa da melena. Daí a necessidade de fazer um grande salão na Casa Branca, para que toda a gente lá caiba. Ou será apenas a gente importante?

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Convívio

Não concordo muito com a proliferação dos "Dias" disto e daquilo, por razões várias, uma das quais tem a ver com a banalização de tudo e de nada. Porém, hoje é o Dia Mundial da Diabetes e esta moléstia, por si só, justifica que me dobre e me renda à evidência da necessidade de estarmos atentos ao problema. Muitos especialistas consideram que a Diabetes se está a tornar um caso preocupante de saúde pública, a juntar a muitos outros que por aí andam.

A pouca experiência diz-me que não é uma doença "fácil", pela cobardia de que faz uso, não se mostrando e dando poucos sinais de alerta. Para agravar, os portadores dominam a arte da dificuldade em conviver com "é melhor não" perante gulodices apetecíveis e de recordações infinitas.

São demasiados hidratos, bolos nem pensar, que não os há sem açúcar, chocolate, só do negro e poucochinho, três peças de fruta diárias já é demais, um cacho de uvas, longe, bem longe, meia dúzia de figos moscatel, um crime, uma tangerina e já vais com sorte, legumes, legumes.

Valha-nos o RAP que, como sempre, demonstra no seu último livro de crónicas - Mundo, pára quieto - , que "rir é o melhor remédio".

Tentemos ceder apenas a esta tentação ... 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Livros (lidos ou em vias disso)

"(...) Mas nem toda a história de retrocesso é uma história de derrota.

Na Segunda Guerra Mundial, mais uma vez, os serviços especiais do exército inglês desenvolveram ratos incendiários. Os ratos, cuja utilidade para os serviços de informações ou para os militares parece despontar apenas depois de devidamente privados de vida, eram esventrados e recheados com explosivos, sendo então distribuídos na cercania das casas de máquinas alemãs, na esperança de que os boches, subconscientemente condicionados pela mortandade decorrente das muitas eclosões de peste negra na Idade Média, pegassem neles com muito noginho e cuidado e optassem por se livrar dos bichos incenerando-os higienicamente na caldeira. Os alemães perceberam a marosca à primeira, e nenhuma caldeira chegou a rebentar mas, alemães como não conseguem deixar de o ser, dedicaram tanto tempo e recursos à busca de mais ratos armadilhados que os ingleses consideraram a Operação Rato um imenso sucesso.

Com tantos e tão diversos exemplos de animais recrutados para o caos do eterno desaguisado entre humanos de diferentes credos, nacionalidades ou tonalidades epidérmicas, não é de espantar que os iranianos, constantemente em palpos de galinha com a perspectiva de a Mossad tirar da sua cartola de truques e patifarias um coelho ainda mais discreto e mortífero, detiveram catorze esquilos, em 2007, sob a acusação de os pequenos e aparentemente inofensivos roedores serem, na verdade, espiões a mando de Israel. Sem adiantar detalhes, as autoridades iranianas limitaram-se a confirmar o zunzum, assegurando ter capturado os animais, artilhados com a mais recente electrónica de escuta, antes mesmo de estes iniciarem funções. (...)" 

O desfufador
- Volume 1 Contágio
Valério Romão

sábado, 8 de novembro de 2025

Palavras bonitas

QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.

João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Vai, Carlos!
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Mudanças

A "trovoada" que aconteceu ontem nos Estados Unidos, com a eleição de um ugandês, muçulmano e democrata para mayor de Nova Iorque, deve ter mexido imenso com o homem da melena. Nem deve ter pregado olho, o que muito terá custado à "boneca".

Não creio que tenha sido uma relação causa/efeito, mas lá que esta noite trovejou como há muito tempo não se ouvia neste cantinho oestino, aconteceu. E logo por aqui, sítio que, felizmente, até costuma ser muito calminho.

Tudo muda ...

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

sábado, 1 de novembro de 2025

Veremos ...

Roubo, parcial, da crónica de José Pacheco Pereira, publicada no jornal Público de hoje.  Está a tornar-se cada vez mais difícil encontrar quem pense, analise e diga o que lhe vai na alma, e desbrave o caminho retrógado que, parece, estamos a trilhar.

Lembro-me sempre de um meu professor, há mais de meio século, que dizia, com ênfase, "quanto mais sei, maior é a minha ignorância" e confronto-me, diariamente, com a exposição ignorante, estúpida, parva e burra, alérgica a qualquer hipótese de possível melhoria e convencida que as suas "mensagens" podem servir para alguém ou alguma coisa.

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"(...) Vejam-se estes exemplos de uma caixa de comentários na página de Facebook do Chega: 

È por camara escondida para depois os visitar-mos na calada da noite. E apagar essas velas

Eles com as coécas todas mulhadas

O homem está corretíssimo, mas como é um homem onesto a grande parte desta gente mamona, ou BURRA NÃO GOSTA.

Nem mais ... é a mesma coisa aqui na englaterra ... se fore preson por mais de um ano. Compre a pena e a deportado

Estão com medo de alguma coisa! Força André Ventura, se fores presidente da República, no CHEGA a substitutos a altura para liderar o partido! CHEGA (sic)

Todos os dias, nesta página de Facebook, e por todo o lado nas caixas de comentários, escreve-se assim, e pode-se imaginar como fala quem assim se expressa. Ora, quem escreve assim não é patriota, porque despreza aquele que é um dos principais factores de identidade nacional: a língua.

Esta não é uma questão de elites contra o "povo", mas sim um confronto entre quem respeita a sua língua e quem a despreza, entre quem despreza o saber e quem sabe o que lhe falta saber. Isto hoje é uma questão política, porque a democracia precisa da consciência do valor do saber, do falar, do conhecer. Esta consciência é hoje um dos alvos preferenciais do populismo que valoriza a ignorância.

Quem, por razões sociais, não tem o mínimo de educação formal, vem de meios de vida difícil, não teve oportunidade de estudar, teve de atravessar muita dificuldade, muita miséria, tem vergonha de não falar ou escrever bem, porque tem a aguda consciência que isso é um factor de pobreza e exclusão. Quem, por outro lado, fala e escreve mal português e tem um vocabulário exíguo, pode escrever com erros de ortografia palavra sim ou palavra não, e ser muito eficaz em usar emojis de merda em linhas  e linhas ou em insultar, mas não pode bater no peito nacional pelo seu país.

Uma das suas ironias é a reivindicação aos imigrantes de, para terem a legalização, saberem falar português, coisa que os seus julgadores não sabem de todo. É por isso que muitos imigrantes, a começar pelos que vieram das nossas colónias, falam muitas vezes melhor, num português impecável, e que é, para muitos deles, também a sua língua natal. Teriam vergonha de escrever a língua absurda das citações acima. (...)"

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Limpeza

Já não ando muito a pé pela cidade, é verdade, (prefiro a beira da Lagoa) mas, sempre que isso acontece, deparo-me com ruas sujas, lixo fora dos respectivos contentores, cartão no "amarelo", plástico no "verde", cascas de batata e espinhas de peixe no "azul", papéis e sacos por todo o lado, "beatas" em busca de cinzeiro, meio atarantadas pelo chão, etc., etc..

Apetece-me sempre sugerir à Câmara Municipal que distribua e/ou coloque, em locais estratégicos, panfletos e cartazes que, de forma educada, chamem a atenção de todos os munícipes para a necessidade de colaborarem na manutenção das ruas limpas, alertando, assim, as consciências de cada um. 

Por exemplo: "Não deite lixo nas ruas. Utilize os caixotes destinados a esse fim. Colabore connosco e lembre-se que o custo da limpeza municipal também é seu".

Depois, raciocino mais um pouco, pondero e apetece-me pedir para, em vez do anterior, ser colocado em cada rua, em cada esquina, talvez até em cada porta, um cartaz com letras enormes, bem vermelhas e sublinhadas, dizendo:

NÃO SEJA PORCO!  PONHA O LIXO NO LIXO.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Clonagem

Um, dois, três ... foi a conta que Deus fez!

E o "caramelo" quer três "Botas", talvez para utilizar dia sim, dia não e descansar ao sétimo dia. Ou será um para lhe lavar os pés, outro para lhe massajar o ego e um terceiro para lhe limpar a pinha?

Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar, mas dá uma vontade louca de perder a cabeça e mandá-lo à mxxxx com todas as letras, se isso fosse o remédio para o calar. Valha-nos o botão que muda de canal ou tira o som e as páginas do jornal que (ainda) vai sendo possível saltar. Neste tempo, ainda se vai vendo, ouvindo e lendo opiniões diversas, ao contrário do tempo por que ele grita, onde isso custava bem caro.

E vamos ter de gramá-lo, pelo menos, até 18 de Janeiro do próximo ano, cheio de vento, de certezas, de voz forte, clamando ao vento e aos céus, talvez na tentativa de que aquele pequenino defeito na língua desapareça com as asneiras que solta ... sem "3,14".

Valha-lhe um burro aos coices e três aos pontapés!