Parece haver uma nova linguagem, mais clara, mais determinada, sem rodeios.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Quotidiano
Parece haver uma nova linguagem, mais clara, mais determinada, sem rodeios.
domingo, 19 de junho de 2011
Quotidiano
"... A minha avó paterna, analfabeta, veio, aos quarenta e tal anos, de Resende para o Porto. Criou-me, teve um impacto muito forte em mim ..."
"... Depois, foi a literatura à porta. Sentia-me intimidado por entrar em livrarias. Era um mundo reservado a outras pessoas, achava que se entrasse me punham fora ..."
" ... Mas havia um lado B, mais ou menos obscuro. «O gajo é dos que lê livros», estás a ver? Dava-me um ar suspeito."
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Homem prevenido
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Quotidiano
terça-feira, 24 de maio de 2011
Palavras bonitas
NOITE PERDIDA
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sem descansar um momento,
Sempre a cantar, sem dormir,
Absorto no pensamento
De ver uma rosa abrir ...
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sempre a cantar, sem dormir.
Mas o mísero - coitado!
Cantando tão requebrado,
Com tal cuidado velou,
Que adormeceu de cansado,
E os olhos tristes cerrou
No minuto, no momento
Em que ao luar e ao relento
A rosa desabrochou ...
Coitado do rouxinol!
Com tal cuidado velou
Do pôr ao nascer do sol
E tanto, tanto cantou,
A noite inteira ao relento,
Que de fadiga e tormento,
Sem descansar, sem dormir,
Fecha os olhos, perde o alento,
No minuto, no momento
Em que a rosa vai abrir ...
Coitado do rouxinol!
sábado, 14 de maio de 2011
Opinião e um poema
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba – o ar –
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.
domingo, 8 de maio de 2011
8 de Maio
Se não tivesse partido, a minha mãe completaria hoje a oitava capicua da sua vida.
Ficamos sempre incompletos ...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Aniversário
De manhã, bem cedo, uma visita ao quarto para entregar a primeira obra, feita às escondidas: "é uma surpresa, vô!"
25 de Abril
sábado, 23 de abril de 2011
Ruivaco do Oeste
segunda-feira, 11 de abril de 2011
FMI
sábado, 2 de abril de 2011
Crise, geração e futuro
segunda-feira, 28 de março de 2011
Orgulho
segunda-feira, 21 de março de 2011
Palavras bonitas
LIBERDADEAi que prazerNão cumprir um dever,Ter um livro para lerE não o fazer!Ler é maçada,Estudar é nada.O sol doiraSem literatura.O rio corre, bem ou mal,Sem edição original.E a brisa, essa,De tão naturalmente matinal,Como tem tempo não tem pressa …Livros são papéis pintados com tinta.Estudar é uma coisa em que está indistintaA distinção entre nada e coisa nenhuma.Quanto é melhor, quando há bruma,Esperar por D. Sebastião,Quer venha ou não!Grande é a poesia, a bondade e as danças …Mas o melhor do mundo são as crianças,Flores, música, o luar, e o sol, que pecaSó quando, em vez de criar, seca.O mais do que istoÉ Jesus Cristo,Que não sabia nada de finançasNem consta que tivesse biblioteca …Fernando PessoaEM TODOS OS JARDINSEm todos os jardins hei-de florir,Em todos beberei a lua cheia,Quando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde o mar ondeia.Um dia serei eu o mar e a areia,A tudo quanto existe me hei-de unir,E o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagens,A secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagensSophia de Mello Breyner AndresenMIRADOIROCom tristeza e vergonha enternecida,Olho daquiA ponte das palavrasQue construíSobre o abismo da vida.Sonhei-a;Desenhei-a;Sólida até onde pude,Lancei-a como um salto de gazela:E não passei por ela!Vim por baixo, agarrado ao chão do mundo.Filho de Adão e Eva,Era de terra e trevaO meu destino.E cá vou como um pobre peregrino.Miguel TorgaO SAL DA LÍNGUAEscuta, escuta: tenho aindaUma coisa a dizer.Não é importante, eu sei, não vaiSalvar o mundo, não mudaráA vida de ninguém – mas quemÉ hoje capaz de salvar o mundoOu apenas mudar o sentidoDa vida de alguém?Escuta-me, não te demoro.É coisa pouca, como a chuvinhaQue vem vindo devagar.São três, quatro palavras, poucoMais. Palavras que te quero confiar.Para que não se extinga o seu lume,O seu lume breve.Palavras que muito amei,Que talvez ame ainda.Elas são a casa, o sal da língua.Eugénio de Andrade
domingo, 20 de março de 2011
Livros (lidos ou em vias disso)
Canto VIII - 28A hipocrisia, por exemplo, é das velharias maisdifíceis de o homem se livrar; apegou-se ao homemcomo o lixo ao trapo já sujíssimo de pó.Conhecer crápulas, diga-se, não é uma raridade:normalmente são mansos, entram discretoscomo empregados de mesa de restaurantesde luxo e acabam a tentar degolarquem acabou de adormecer. (...)
Primavera
Está a chegar e, de acordo com o calendário, isso vai acontecer amanhã.
Entretanto já as flores, as árvores, a paisagem ganharam as cores e a luz que nos deliciam.
domingo, 13 de março de 2011
Fim de semana
domingo, 6 de março de 2011
Palavras bonitas
Mas a natureza também aparece, e muito,
nesta viagem.
O vento, por exemplo, que poderá parecer
elemento neutro,
que distribui os ligeiros incómodos por ricos
e pobres,
mas na verdade é apenas hábil:
nos fracos provoca frio e nos fortes é leve brisa que
acalma o calor excessivo.
Canto I - 91
Um dos cobardes, numa recaída afoita
que até o mais medroso tem,
pegou ainda, durante a fuga, numa forte pedra,
mas com a má pontaria, que nervos excessivos
sobre as omoplatas e o cotovelo provocam,
acabou por acertar em cheio
na praticamente vazia cabeça do velho pai.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Tributo à minha mãe
são os anos que passaram.
Tantos quantos são os dias
das muitas semanas em que me deste
o melhor.
Sete são as cores do arco-íris
com que pintaste o quadro
de uma vida tão cheia quanto dura
por vezes até madrasta.
Sete são as notas de uma música
de valores
que me ensinaste a tocar
tão bem. (aprendi?)
São incontáveis as horas
de sono que te roubei
sem saber.
E não consigo contar
as outras, que, bem sabendo,
te deixei bem acordada.
Recebi, em paga disso,
uns ralhetes disfarçados
uns escudos escondidos
uns conselhos murmurados
que ficaram
cá bem no fundo de mim.
Foste assim ... e não me esqueço.





