quarta-feira, 22 de junho de 2011

Quotidiano

Mudará?
Parece haver uma nova linguagem, mais clara, mais determinada, sem rodeios.
Outro ar, menos viciado, que elevou uma mulher  - Assunção Esteves - para o segundo lugar da hierarquia do Estado. 
Há uns anos não conseguimos eleger uma outra - Maria de Lourdes Pintassilgo - para o primeiro e foi uma oportunidade perdida.
Não são águas em que navegue mas o vento parece soprar do lado certo e à velocidade correcta. Espero não ter de "engolir" a opinião de hoje.
Sou um crédulo que (ainda) acredita no País.

domingo, 19 de junho de 2011

Quotidiano

Algumas frases soltas para despertar a curiosidade para uma excelente entrevista de Carlos Tê, publicada na revista Visão da passada 5ª. feira, que só hoje consegui ler.

"... A minha avó paterna, analfabeta, veio, aos quarenta e tal anos, de Resende para o Porto. Criou-me, teve um impacto muito forte em mim ..."

"... Depois, foi a literatura à porta. Sentia-me intimidado por entrar em livrarias. Era um mundo reservado a outras pessoas, achava que se entrasse me punham fora ..."

" ... Mas havia um lado B, mais ou menos obscuro. «O gajo é dos que lê livros», estás a ver? Dava-me um ar suspeito."

"Começamos a ficar cheios de pessoas que só sabem muito de uma coisa e são incapazes de relacionar assuntos".

A não perder!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Homem prevenido

Prevenindo situações de angústia resultantes da inactividade, nada melhor do que ir preparando a reforma estabelecendo um horário que garanta uma passagem gradual, calma e tranquila à inércia completa.


Angra do Heroísmo - Terceira - Açores

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Quotidiano

Um "jovem trintão", meu amigo e colega de profissão, enviou-me hoje um mail com uma canção residente neste endereço Youtube, a sua letra completa e uma epígrafe que dizia
"... ainda acho que nem tudo o que é antigo é para deitar fora ...".
Obrigado, GP.
O espectáculo do vídeo, denominado "Três Cantos" aconteceu em Outubro de 2009 e juntou, pela primeira vez, três "dinossauros" da música portuguesa: Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto Bordalo Dias.
Fazem parte da minha colecção os dois CD's e os dois DVD's que o registaram para a posteridade. 

terça-feira, 24 de maio de 2011

Palavras bonitas

NOITE PERDIDA
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sem descansar um momento,
Sempre a cantar, sem dormir,
Absorto no pensamento
De ver uma rosa abrir ...
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sempre a cantar, sem dormir.
Mas o mísero - coitado!
Cantando tão requebrado,
Com tal cuidado velou,
Que adormeceu de cansado,
E os olhos tristes cerrou
No minuto, no momento
Em que ao luar e ao relento
A rosa desabrochou ...
Coitado do rouxinol!
Com tal cuidado velou
Do pôr ao nascer do sol
E tanto, tanto cantou,
A noite inteira ao relento,
Que de fadiga e tormento,
Sem descansar, sem dormir,
Fecha os olhos, perde o alento,
No minuto, no momento
Em que a rosa vai abrir ...
Coitado do rouxinol!

Antologia de poemas portugueses modernos
António Feijó
Ática Poesia (2010)

sábado, 14 de maio de 2011

Opinião e um poema

No Expresso desta semana:
Ricardo Costa – Isto depois logo se vê (1º Caderno - Pág. 03)
“… Dou a minha causa por perdida. Este país adora documentos e powerponts. Eu também desenho um governo numa tarde ….”  
Miguel Sousa Tavares – Não há inocentes (1º. Caderno - Pág.07)
“… Acho que nunca tinha visto um partido tão mal preparado para uma campanha eleitoral. Certamente que há outra e melhor gente no PSD, mas remeteram-se ou foram remetidos ao silêncio. E, perplexo, o país pergunta-se se são estes, que só acumulam asneiras, ignorância e incompetência chocantes e até argumentam com palavrões e insultos, que querem mesmo governar Portugal. Já sabíamos que Sócrates tem sete vidas, mas oito?”
Henrique Monteiro – Vem aí o lobo mau (1º. Caderno – Última página)
“ Mas não foi com pensionistas ou trabalhadores que houve derrapagens e se cometeram excessos. Foram, sim, estradas inúteis, projectos inúteis, consultadorias inúteis, propaganda inútil e boys inúteis que deram cabo do país. Além das inúmeras promiscuidades - com banqueiros, especuladores, Joes Berardos diversos, empresas do regime, ditadorzecos vários, etc. – que em nada contribuíram para o louvado Estado social e apenas minaram a coesão do país.”
Nicolau Santos – Cem por cento (2º. Caderno - Pág.05)
Emprestem-me palavras para o poema; ou dêem-me
sílabas a crédito, para que as ponha a render
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?
É que as palavras estão caras. Folheio dicionários
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.
E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba – o ar –
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.
Nuno Júdice – A pressão dos mercados
P.S. – Espero que Eduardo Catroga não seja leitor do meu blog, para não correr o risco de ter um comentário assim.

domingo, 8 de maio de 2011

8 de Maio

Hoje devia ser capaz de escrever qualquer coisa ... e não consigo.
Se não tivesse partido, a minha mãe completaria hoje a oitava capicua da sua vida.
Ficamos sempre incompletos ...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Aniversário

As duas melhores prendas das que hoje me ofereceram.
De manhã, bem cedo, uma visita ao quarto para entregar a primeira obra, feita às escondidas: "é uma surpresa, vô!"
A seguir ao almoço e enquanto os adultos se perdiam em conversas que lhe não interessavam, alheamento e um novo quadro, desta vez pintado com os dedos directamente na tinta.
É o meu neto, que faz 5 anos em Julho e vai ter um mano também nesse mês.

25 de Abril

Para todos os que, apesar de haver coisas muito mais importantes para comemorar e/ou fazer, ainda se lembraram do meu aniversário, ficam as palavras, perenes, de Sophia de Mello Breyner Andresen, sobre o cravo da liberdade e do agradecimento.

sábado, 23 de abril de 2011

Ruivaco do Oeste

Porque a modéstia em demasia é defeito e porque o que não fica escrito não aconteceu, aqui se regista para que os netos, um dia, leiam e tenham orgulho da mãe. Um, que já está um "homem" com quase 5 anos, experimentou estas andanças ainda na barriga, tal como acontece, agora, com o irmão. Farão parte da geração que nos há-de criticar muito, por não termos conseguido preservar aquilo que os nossos avós deixaram. É o desenvolvimento ...


segunda-feira, 11 de abril de 2011

FMI

Amanhã chega o FMI e o Fundo da Comunidade Europeia.
Vêm resgatar o tal país à beira mar plantado onde vivem uns quantos que "não se governam nem se deixam governar" e demonstrar que os romanos não tinham razão quando nos classificaram com este epíteto.
Vai ser lindo ...

. Acabam-se as empresas municipais.
  - Não pode ser! Há muitas que são utilíssimas e dão emprego a muita gente.
. Determina-se o fim de uma grande maioria dos Institutos Públicos.
  - Impossível! Para além de também contribuir para o aumento do desemprego, causaria uma redução significativa na venda de automóveis de grande cilindrada e, consequentemente, uma descida brutal nas receitas do IVA e do IA.
. Reduzem-se os Ministérios, as Secretarias de Estado e os Deputados.
  - Nem pensar! Como seria possível despachar obras públicas por outro Ministro que não o das ditas? E quem viria dizer que o número de ignições de 2011 será inferior ao de 2010, se não existisse Ministro da Administração Interna? E o problema do comércio automóvel não ficaria ainda mais complicado?
Pensando melhor: para evitar tantos problemas, mudemos alguma coisa, pouca, mas mantenhamos tudo na mesma. Aumente-se o IRS e o IVA, congelem-se salários e pensões, aumentem-se as taxas moderadoras para evitar que os malandros andem sempre no médico, baixem-se as comparticipações nos medicamentos, diminuindo o desperdício e acabando com este aumento assustador da esperança média de vida.
Ficamos todos a ganhar ... e, como diz o Mário Zambujal, "À noite logo se vê".
Nota: Tenho o FMI do Zé Mário Branco, em vinil e em CD, e não é que aquilo ainda se mantém actual!

sábado, 2 de abril de 2011

Crise, geração e futuro

Um bom tema para a campanha eleitoral que se aproxima e para os debates com que, diariamente, somos bombardeados pelos "politólogos", "coladores de cartazes", "burros", e outras espécies afins.
Não consta que o discurso do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, tenha sido objecto de análise e muito menos de resposta por parte dos altos dignatários presentes e, claro, dos ausentes. 
Entretanto, a crise agrava-se para a grande maioria e continua a beneficiar uns quantos que gravitam em volta da corte e, como desenhou Bordalo, "mamam na porca".

segunda-feira, 28 de março de 2011

Orgulho

Há momentos em que a retrospectiva de uma vida nos enche de orgulho, compensando as dificuldades, as agruras, os maus momentos, os momentos maus, o que fizemos de errado, as desilusões e as frustrações.
Recebi hoje, de novo, um texto de Mia Couto que circula pela Net, no qual o autor, com o nível a que nos habituou, comenta a "Geração à Rasca".
Até aqui, tudo normalíssimo, um igual entre tantos, aparentemente sem quaisquer diferenças a não ser que ... o texto vinha acompanhado de comentários dos meus filhos, um directamente de Israel onde se deslocou em trabalho e outra da linha de Cascais, onde se recompõe da "trabalheira" de um fim de semana a tentar que o Ruivaco do Oeste volte a povoar o rio Alcabrichel.
Há momentos em que a gente sente que ... valeu a pena!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Palavras bonitas

LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa …

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças …
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca …

Fernando Pessoa

EM TODOS OS JARDINS

Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens

Sophia de Mello Breyner Andresen

MIRADOIRO

Com tristeza e vergonha enternecida,
Olho daqui
A ponte das palavras
Que construí
Sobre o abismo da vida.

Sonhei-a;
Desenhei-a;
Sólida até onde pude,
Lancei-a como um salto de gazela:
E não passei por ela!

Vim por baixo, agarrado ao chão do mundo.
Filho de Adão e Eva,
Era de terra e treva
O meu destino.
E cá vou como um pobre peregrino.

Miguel Torga

O SAL DA LÍNGUA

Escuta, escuta: tenho ainda
Uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
Salvar o mundo, não mudará
 A vida de ninguém – mas quem
É hoje capaz de salvar o mundo
Ou apenas mudar o sentido
Da vida de alguém?

Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
Que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
Mais. Palavras que te quero confiar.

Para que não se extinga o seu lume,
O seu lume breve.
Palavras que muito amei,
Que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Eugénio de Andrade

domingo, 20 de março de 2011

Livros (lidos ou em vias disso)

(...)
Canto VIII - 28

A hipocrisia, por exemplo, é das velharias mais
difíceis de o homem se livrar; apegou-se ao homem
como o lixo ao trapo já sujíssimo de pó.
Conhecer crápulas, diga-se, não é uma raridade:
normalmente são mansos, entram discretos
como empregados de mesa de restaurantes
de luxo e acabam a tentar degolar
quem acabou de adormecer. (...)

Uma viagem à Índia
Gonçalo M- Tavares
Caminho (2010)

Primavera

Está a chegar e, de acordo com o calendário, isso vai acontecer amanhã.

Entretanto já as flores, as árvores, a paisagem ganharam as cores e a luz que nos deliciam.

Hoje, o mar da Foz estava lindo, como as fotos evidenciam. Convidava a um mergulho, fazendo companhia a um corajoso que por lá andou mais de 15 minutos. Não ia preparado, senão ...


domingo, 13 de março de 2011

Fim de semana

Está a terminar ...
Foi bem preenchido e atarefado. Ainda na sexta-feira, uma correria para chegar a tempo ao jantar dos amigos com quem reúno às segundas sextas de cada mês. Refeição à pressa, com a actualização das conversas por entre os bocados de chouriço assado, as moelinhas, o queijinho fresco com oregãos e outras iguarias que o estômago detesta e as papilas gustativas adoram, antecedidas por um sopinha de feijão com hortaliça que caiu como "sopa no mel". Às 21H15 um toque no telemóvel indicava que a viatura e a "motorista" já me aguardavam, para rumar ao CCC. O Grupo de Teatro O Bando apresentava, em estreia, Pedro e Inês, uma peça escrita por Miguel Jesus, com o título Inês Morre. Os históricos amores do rei justiceiro e da castelhana coroada rainha depois de morta não foram suficientes para aquecer o ambiente do CCC, que continua gelado, mantendo o ar condicionada avariado há vários meses.
As rotinas habituais de sábado, a visita do neto perturbada pela má disposição que a chegada da febre já lhe provocava e, à noite, de novo o teatro e mais uma estreia do Teatro da Rainha: Kabaret Keuner e outras histórias, de Bertolt Brecht. Um conjunto de histórias, escolhidas e interpretadas pelo Zé Carlos Faria, sozinho em palco, numa encenação de Fernando Mora Ramos.
Extraordinário! Textos com quase 100 anos e uma actualidade incrível, um Zé Carlos Faria soberbo a tocar banjo, a cantar e a interpretar, numa peça para recordar e a não perder.
Entretanto, já tinha acabado o desfile daquela massa de gente - seriam 200.000 - que se havia deslocado a Lisboa a representar todos os que estão à rasca. Desta vez e ao contrário do que sucedeu em Viseu, Sócrates não convidou ninguém para jantar nem opinou sobre a possibilidade de ser uma brincadeira de carnaval no "sambódromo" da Liberdade que, apesar da crise, da inevitabilidade do FMI, dos mercados , dos cortes, das ironias, "está a passar por aqui". 

domingo, 6 de março de 2011

Palavras bonitas

Canto I - 15
Mas a natureza também aparece, e muito,
nesta viagem.
O vento, por exemplo, que poderá parecer
elemento neutro,
que distribui os ligeiros incómodos por ricos
e pobres,
mas na verdade é apenas hábil:
nos fracos provoca frio e nos fortes é leve brisa que
acalma o calor excessivo.
Canto I - 91
Um dos cobardes, numa recaída afoita
que até o mais medroso tem,
pegou ainda, durante a fuga, numa forte pedra,
mas com a má pontaria, que nervos excessivos
sobre as omoplatas e o cotovelo provocam,
acabou por acertar em cheio
na praticamente vazia cabeça do velho pai.

Gonçalo M. Tavares
Uma  viagem à Índia
Caminho 2010 

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tributo à minha mãe

Sete
são os anos que passaram.
Tantos quantos são os dias
das muitas semanas em que me deste
o melhor.
Sete são as cores do arco-íris
com que pintaste o quadro
de uma vida tão cheia quanto dura
por vezes até madrasta.
Sete são as notas de uma música
de valores
que me ensinaste a tocar
tão bem. (aprendi?)
São incontáveis as horas
de sono que te roubei
sem saber.
E não consigo contar
as outras, que, bem sabendo,
te deixei bem acordada.
Recebi, em paga disso,
uns ralhetes disfarçados
uns escudos escondidos
uns conselhos murmurados
que ficaram
cá bem no fundo de mim.
Foste assim ... e não me esqueço.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Livraria 107

Pelo Blog do Zé Ventura soube da distinção concedida à Isabel Castanheira pelo Correntes d'Escritas deste ano, atribuindo-lhe o Prémio Especial Livreiro.
Todas as palavras que aqui deixasse sobre a Isabel Castanheira seriam sempre insuficientes para ilustrar a sua personalidade forte e a consideração e amizade que por ela tenho.
A "nossa" 107 faz parte das minhas rotinas há muitos anos e espero que continue a fazer por muitos mais, por três razões que, afinal, são quatro: pelos livros, por mim, pela Livraria 107 e pela grande Isabel Castanheira.