quarta-feira, 8 de julho de 2020

Banco de Portugal

Acabou o reinado de Carlos Costa no Banco de Portugal.
Espera-se e deseja-se que o novo regime seja republicano e que aconteça o que sucedeu há alguns anos em Belém.
Sai Costa e entra Mário Centeno, e o mais provável é que nem a secretária seja a mesma, numa época em que a higienização é fundamental.
Resta antever que um técnico de tão alto gabarito deverá ir presidir ao Novo Banco ou às comissões liquidatárias do BPN, do BES ou do Banif ou talvez, quem sabe, à administração do Montepio Geral.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Isto e o seu contrário

A situação actual no país, e no mundo, faz-nos sentir embaraços, dúvidas e ansiedades que não esperávamos nos estarem ainda reservadas.
É a vida, dirão muitos, com toda a razão. Pelo menos pensando assim dormimos mais descansados.
As notícias mais recentes sobre a TAP, a EDP, o Sócrates, a queda do PIB, o turismo, o desemprego, o orçamento, a oposição, o governo, as presidenciais, o corona, o Bolsonaro, o Trump, o racismo e os refugiados, a miséria e as desgraças, os comentários, as opiniões, as certezas dos mesmos e as dúvidas da grande maioria, transmitem-nos angústia numa altura em que a mobilização e o querer deviam ter primazia e a sensação de se ser enganado nem por um bocadinho poderia vir ao nosso espírito.
Todavia ...

Quando era jovem, contava-se que Bocage tinha um dia entrado num café e pedido:
- Meia dúzia de pastéis de nata, por favor.
O empregado, solícito, colocou os bolos numa caixinha, bem arrumados e ainda quentinhos, pôs a tampa e a caixa em cima do balcão.
- Pensei melhor. Prefiro antes meia dúzia de pastéis de feijão. Têm tão bom aspecto.
- Sem problema, trocam-se já. 
Nova caixa, agora com pastéis de feijão. Bocage pega nela e encaminha-se para a saída.
- Ó senhor Bocage, esqueceu-se de pagar os pastéis de feijão.
- Não me esqueci. Troquei-os pelos de nata. 
- Mas também não pagou os de nata!
- Como quer que os pague se os deixo aí.
E saiu porta fora, por certo a salivar e ansioso por deglutir o feijão e o açúcar dos pastelinhos.
Imagino como se deve ter sentido o empregado, sem argumentos para contrariar tal evidência. É a vida!

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Quotidiano

Não tenho o fantasma da folha em branco - presunção e água benta cada um toma a que quer - mas não me apetece escrever sobre nada, nem sequer sobre a manhã, maravilhosa, que hoje encontrei na Foz. 
Tudo perfeito: sem vento, sol aberto, temperatura agradável e água, como de costume, muito fria.
Parafraseando um companheiro de banhos: "é massagem cardíaca". Soube bem!
Como sempre, não se sabe o que irá acontecer amanhã e não vale a pena fazer planos. 
De manhã, saberemos o que o S. Pedro nos reserva e agiremos em conformidade, como soe dizer-se.
Entretanto, as bandeiras foram finalmente içadas, por certo com a pompa e a circunstância devidas, estando agora disponível para toda a gente que estamos numa praia "azul, dourada e acessível".
E que já tem um lava-pés no início de uma das escadas de acesso. 
Finalmente!

domingo, 5 de julho de 2020

Netos

Nasceu na capital, há 14 anos. Parece que foi ontem.
Foi o primeiro dos quatro que, até à pandemia, faziam as delícias da casa, com as brincadeiras, os jogos, as "malandrices" e o carinho que todos transmitem, de forma diferente porque cada um  tem a sua personalidade e bem forte. (Quando eu era da idade deles era teimoso)
O Gil é o meu neto GRANDE. É quase sempre assim que o trato e ele sorri, com aquele ar meio tímido que tão bem lhe fica.
Já me olha de cima para baixo: vai no metro e oitenta e a tendência parece ser para o infinito! Calça mais seis números do que eu e, se nadasse a meu lado, dava-me pelo menos uma piscina de avanço.
Bom aluno, bom leitor, bom atleta, vive agora a fase que todos conhecemos e que bem nos lembramos, mas vai passar depressa. 
Não perde a delicadeza nem a simpatia e deixa o avô "babado" desde que nasceu.
É GRANDE, o meu neto Gil.


          PARABÉNS, GIL

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Quotidiano

Já lá vão quase quatro meses a conviver com o "novo normal" e a luz ao fundo do túnel ainda nem tremelica.
"O medo é que guarda a vinha", diz um ditado popular que, como quase todos, encerra verdade e sapiência. 
Somos hoje altamente influenciados pelo medo, que nos constrange, impede, influencia, nos torna cautelosos, desconfiados e nos transporta sempre de pé atrás, "não vá o diabo tecê-las".
E se ...? 
O melhor é ficar em casa. Na dúvida ...

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Bibliotecas

Ontem assinalou-se o Dia Mundial das Bibliotecas.
Embora já me vá fartando dos "Dias Mundiais" por tudo e por nada, as bibliotecas têm todo o direito a ter um Dia Especial, realçando que em todos os outros a sua importância também é enorme, por aquilo que dão e pelo que representam, historicamente, a quem delas se serviu com grande proveito e sem custos.
Ler foi sempre, e ainda é, uma das minhas grandes paixões.
Comecei a ler muito novo, bem antes de entrar para a primária, graças à minha irmã, três anos mais velha, que dedicava o tempo dos trabalhos de casa à meritória tarefa de os partilhar comigo e com as minhas impertinências. Como recompensa, veio a ser professora e a aturar alunos muito piores que o irmão.
Para além dos livros da escola, com a bandeira da "bufa" (como era conhecida a Mocidade Portuguesa) desfraldada na capa, dos bois do Jeirinhas, da balada da neve, da casa portuguesa, com certeza, com pão e vinho sobre a mesa, quatro paredes caiadas e um cheirinho a alecrim, já não consigo lembrar-me com exactidão de quando comecei a ler o Jornal de Notícias. O meu pai ia ao Porto de segunda a sexta-feira e quase todos os dias trazia o JN. Recordo o jornal, enorme, aberto sobre o chão da cozinha e o miúdo a soletrar as notícias, do terramoto de Agadir ao assalto ao Santa Maria, da invasão da Índia, do caso da herança Sommer, do quadrado pequenino do Serviço de Informação Pública das Forças Armadas, que comunicava as mortes dos soldados na guerra, nunca mais de dois. Recordo, ainda, as caricaturas de Miranda, na última página, e o problema das palavras cruzadas, cujo vício de resolver ainda hoje mantenho.
Depois, vieram as bibliotecas, itinerantes e fixas, que facultaram o acesso aos livros que não habitavam lá por casa, de Júlio Dinis a Eça de Queiroz, de Namora a Aquilino, de Garrett a Herculano, sempre graças à Fundação Calouste Gulbenkian
Hoje, também eu tenho uma, passe a vaidade, razoável biblioteca, abastecida com regularidade há muitos anos, que não é itinerante mas está sempre disponível para bons leitores.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Amália - 100 Anos

Se fosse viva, Amália festejaria hoje 100 anos.
Não festeja, mas consegue ser, para além da brilhante cantora que sempre foi, uma figura consensual na sociedade, coisa que nem sempre aconteceu.
Parece que, finalmente, todos lhe reconhecem os méritos que a levaram a cantar nas melhores casas de espectáculo pelo mundo fora e a ser considerada uma diva, do Brasil ao Japão, da Rússia à China, da França à Argentina.
Deu voz a grandes poetas, contribuindo para a divulgação da grande poesia portuguesa e, sem sombra de dúvida, deu um valioso contributo para que o fado fosse reconhecido pela Unesco como Património Imaterial da Humanidade.
E, passados tantos anos a ouvi-la, conclui-se sempre que a sua voz é única.

terça-feira, 30 de junho de 2020

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Maracangalha

Não tenho a mínima ideia da razão que me levou a lembrar esta música, que fazia parte dos carnavais da minha juventude.
Fui à procura e descobri que a gravação de Dorival Caymmi data de 1957, tinha eu apenas cinco aninhos. 
Como o tempo passa ...

domingo, 28 de junho de 2020

Renting

Werner era um cidadão suíço, casado com uma portuguesa, que vivia em Basel. Vendia máquinas de café LaCimbali, italianas, consideradas geralmente como as melhores do mundo. Não é por acaso que, enquanto em todo o país se bebe um café ou uma bica, no Porto se pede um cimbalino.
Privei com o Werner, que já conhecia daqui, numa visita à sua terra, na década de oitenta do século passado. O seu automóvel estava parado à porta de casa e foi a primeira coisa em que reparei. Deixou-me de boca aberta. Era uma bomba! 
Na conversa que se seguiu e com a lata que me permitiam os trinta anos da altura, questionei-o como conseguia ter um carro daqueles a vender máquinas de café.
          - O carro não é meu.
          - ???
          - Vamos dar uma volta pela cidade, vais tu a conduzir, para experimentares, e eu já te explico.

Nunca tinha posto as mãos num bólide daqueles. Último modelo da Toyota, não existia em Portugal, cómodo, direcção assistida, ar condicionado independente, bancos em pele, um luxo.

          - É do banco. Eu só pago a renda mensal e eles suportam tudo, menos a gasolina, claro.
          - ???
          - Renting.

Bancário da treta, não fazia ideia, nessa altura, do que era o renting. Ouvi atentamente a aula e guardei a informação na gaveta da memória. 
Chegou a Portugal vários anos depois e hoje está generalizado, principalmente nas empresas. Não foi novidade!