segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Férias

 Uma semana para descanso e meditação, que as eleições são no domingo e a decisão é difícil.

O mar está óptimo, o sol presente e o vento ausente. Ingredientes fundamentais para um descanso activo, compensador e delicioso ... quem trabalha, merece. 

Como dizia o meu amigo que gostava de ter sido comerciante: não tenho a tabuleta mas volto já, lá para domingo.

domingo, 19 de setembro de 2021

Livros (lidos ou em vias disso)

"(...) Regressara a França poucos dias depois de completar 18 anos, repatriado de Mauthausen através da Cruz Vermelha, num comboio que fizera o percurso inverso daquele há quase quatro anos. Um comboio que transportava, não propriamente sobreviventes, mas antes restos, despojos físicos, do que haviam sido seres humanos, agora deserdados de saúde, de alegria, de família, de lugar de regresso, de vida a que voltar. Da janela do comboio, na travessia da Alemanha e da Itália, vira cidades em ruínas ainda fumegantes, casas e fábricas destruídas e gente vagueando por entre as ruínas, aparentemente tão perdidos de destino quanto eles. E campos bombardeados, árvores queimadas, colheitas perdidas no chão, searas por fazer, animais mortos caídos na soleira das casas: só então se deu conta da barbárie que se passara lá fora, para lá dos muros da prisão em que estivera nos últimos anos e onde acabara por se convencer de que toda a vida que existia começava e acabava ali e se resumia a sobreviver um dia atrás do outro.

Fora directo ao campo de internamento de onde partira com o pai, em Dezembro de 41. No dia seguinte apresentou-se nos escritórios dos registos, onde era suposto as autoridades dos campos terem guardado os dados relativos a todos os internados espanhóis que por ali tinham passado ou que ainda lá estavam. Esperava que assim fosse, de facto, que tivessem os registos em ordem e que, entre eles, constasse o paradeiro actual da sua mãe e da sua irmã, a pequena Sara, de quem ele já quase não se lembrava. Foi recebido por uma funcionária ainda nova, com um ar cansado mas simpática, e que ainda mais simpática se tornou depois de consultar o seu próprio registo e confirmar que ele tinha saído dali para Mauthausen quatro anos antes e que agora estava de regresso: sobrevivera à traição dos franceses e à demência dos alemães. Mas, infelizmente, os passos seguintes confirmaram também que os registos estavam actualizados e que podiam ser implacáveis.(...)"

Último olhar
Miguel Sousa Tavares
Porto Editora (2021)

sábado, 18 de setembro de 2021

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Viagens

Uma fábrica com quase 200 anos, que continua a produzir coisas lindas e bem alegres.

A visita ao Museu da Vista Alegre valeu bem a viagem.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Chover no molhado ...

As entidades oficiais asseguram, com veemência, que os dragados da Lagoa são 80% de material limpo, classificado no Grupo I, e que apenas os restantes 20% poderão ter alguma contaminação. Daí não haver qualquer perigo para a saúde pública nem para o ecossistema, garantem.

Ficamos todos descansados, principalmente se deixarmos de ir à Foz. Hoje, apesar de o "aparelho" não estar a trabalhar - não consegui confirmar se "trambolhou" de novo -, a água do mar e da lagoa metia medo e causava repulsa, ainda que só os pés a fossem experimentar. O verde límpido foi substituído (talvez porque o Sporting perdeu por muitos) por um cinzento acastanhado, e o cheiro a maresia por um odor estranho, que parece uma mistura de algas com outras coisas mais esquisitas mas, pela certa, apenas normais.

Voltaremos a ter a Foz límpida e bem cheirosa? A ver vamos, mas os sinais não são muito animadores, mesmo sendo optimista.

Os pescadores esfregam as mãos de satisfação e um deles, dos mais antigos, referiu que, anteontem, apanhou mais de 40 quilos de robalos com mais de 1 quilo cada um.

- Nunca tinha pescado tanto, e os outros também ... tive de ir comprar uma arca nova! Sim, que eu não vendo peixe a ninguém. Está guardado para eu e a minha família irmos comendo.

- E hoje?

- Está fraco, mas ainda é cedo. A maré está a subir até quase à uma hora. Vamos ver!

A pescaria satisfaz alguns, mas não diminui a tristeza de muitos que conhecem bem a praia. 

Venha depressa o Inverno. "Penas que não se vêem, não se sentem". 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Quem te avisa ...

Já cheira a Outono, pelo menos cá pelo Oeste profundo. A chuva e a trovoada dos últimos dias alteraram a paisagem, o sol está mais baixo, as pessoas fugiram ou regressaram ao trabalho, e a praia ficou deserta.

Não há barracas, chapéus, "tapumes", toalhas, banheiros, muito menos a menina das bolas de Berlim. Sobra o sossego, com o rugido do mar em fundo e os surfistas em luta pela melhor onda. A água ainda permanece tépida, mas já não deverá ser por muito tempo.

Da meia dúzia dos que se aventuraram hoje a pisar a areia húmida, sobressaiu um, por certo habituado à calmaria dos algarves e caído aqui de kitesurf, quem sabe, que não prestou a devida atenção às ondas "fozeiras". Uma simples viragem para regressar à toalha e ei-lo experimentando as agruras da queda, o sabor da areia, a aflição do pulmão. O aviso deve ter-lhe ficado bem gravado na memória: na Foz, nunca vires as costas ao mar.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Livros

Chegaram livros novos e alguns deles talvez passem por aqui, quando forem lidos. Outros não terão, pela certa, essa desdita, mas cada um tem o que merece e o blogue não é nem quer ser uma montra de livros ou um lugar de exibição de pretensa sapiência, que cada vez é mais reduzida e incipiente.

Desta vez, a caixa da Wook foi parar ao posto de entrega porque "o destinatário não atendeu". Pudera, estava na praia ... E, por via disso, a encomenda, que deveria ter vindo já passar o fim de semana à casa que a custeou, só cá entrou ontem. Mas veio a tempo: há dois dias que não há praia!

Um dos livros - Líbano, labirinto, de Alexandra Lucas Coelho - trazia, como marcador, postal ou o que lhe queiram chamar, a reprodução de um grafitti, que me apeteceu deixar por aqui, embora lhe garanta um lugar seguro, para não se deteriorar. O livro vem recheado de excelentes e elucidativas fotografias, da autora, entre as quais a que foi "transformada" em marcador.

A mim, que nada percebo de pintura, fez-me lembrar os traços de Paula Rego e pensar que a Diana, em 2019, pretendeu retratar um grito de revolta "escondido" na leitura de um livro.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Sol e chuva

Dia esquisito.

Para já, não tão violento como antecipavam as previsões mas, ainda assim, com aguaceiros intensos e alguns trovões lá ao longe.

Apesar dos avisos da Protecção Civil e do IPMA, ninguém cuidou de dar uma limpeza junto das sarjetas, das valetas e de outros sítios com terminação em "etas" ou noutra qualquer, proporcionando rios, riachos, ribeiros, arroios, com maior ou menor corrente, consoante a inclinação das ruas.

Só má língua! Há tanta coisa para fazer, há pessoal de férias, a pandemia, a campanha eleitoral, e ainda existe "lata" para pedir estas tarefas não essenciais. Toda a gente sabe que são anualmente necessárias e ... sempre esquecidas.

A janela mostra: já há sol de novo, radioso, quente, que vai secar as ruas, pelo menos até ao próximo aguaceiro e sem qualquer encargo. 

domingo, 12 de setembro de 2021

Mar sereno

De acordo com as previsões do IPMA, o mar vai perder a serenidade, o sol vai esconder-se, a chuva e o vento virão para ficar, pelo menos, três dias, apesar de não terem sido convidados. Afinal de contas, ainda nem estamos a meio de Setembro ... e a água da Foz tem estado tão quentinha.

Se as previsões baterem certo, a semana começará sem praia, obrigando a reformular todo o planeamento já feito e a procurar novas rotinas que contribuam para se manter a boa disposição, o alento e o gozo que a vida deve ser e ter.

sábado, 11 de setembro de 2021

11 de Setembro de 2001

Ainda não tinha cinquenta anos; ainda trabalhava, muito; ainda bebia muitos cafés; ainda não havia blogue; os meus pais ainda não tinham partido; os meus netos ainda não tinham chegado. Era tudo tão diferente e houve tantas mudanças.

Vinte anos passados, recordo a ida ao café, aquele lá do fundo que servia uma bica bem melhor do que o outro, mesmo ali ao lado. A dona, simpática, mal me via entrar e já estava a encher o manípulo com o café Buondi, moído na altura. Naquela tarde, isso não aconteceu. Os seus olhos estavam "vidrados" no televisor que existia por cima da porta de entrada e o ar dela, compenetrado e espantado, deu-me logo consciência que tinha acontecido desgraça e grande.

- Um avião bateu numa torre da América, foi o cumprimento que recebi.

Assisti ao embate do segundo em directo. Custava a acreditar, mas era real. Caíram as torres, o silêncio fez-se ouvir, o pânico tomou conta de quem ali estava - três ou quatro pessoas, não me lembro bem.

A bica demorou muito a ser tirada e uma eternidade a ser bebida. O regresso ao banco com a notícia fez com que toda a gente saísse, para ver por si próprio. A notícia transmitida não era crível e a forma como o foi ainda criava mais dúvidas.

Fiquei sozinho ... o mundo nunca mais foi o mesmo, a intolerância mantém-se, a miséria abunda, abrindo portas a um radicalismo pseudo religioso e fanático, impossível de entender.