sexta-feira, 15 de julho de 2022

A arder

Os incêndios têm assolado todo o país. Fazem primeiras páginas, abrem e fecham telejornais, dão protagonismo a gente que, se preciso for, se coloca em bicos de pés apenas para trinta segundos de fama e exibição. Surgem soluções miraculosas, apontam-se caminhos, replicam-se estratégias, tudo igualzinho ao que se ouve há vários anos.

"Acabou" a guerra, a esperada inflação foi subtraída, os fundos da "bazuca" resguardados no cofre, as tricas políticas perderam protagonismo, cessa "tudo que a antiga musa canta / que outro valor mais alto se alevanta".

É o fogo, a lavrar por sítios de acessos dificílimos, escassez de tudo, com operacionais cansados, ausência de meios aéreos, pânico entre os que sentem as chamas incontroláveis a chegar e o repórter a incomodar, rescaldos, o fumo vê-se bem daqui como mostra o nosso operador, a chama está a consumir esta acácia que tem mais de quatro metros de altura, o vento mudou de direcção e obrigou ao reposicionamento das forças em presença, os números, a linguagem, o mesmo do ano passado e do outro e do outro... As câmaras registam, o repórter relata, os "sabões" comentam no estúdio, os responsáveis pelo comando do teatro das operações divulgam números e indicam que novas estratégias estão a ser equacionadas.

Vão sobrando alguns, poucos, bocados de floresta que o fogo não consome, graças, na maioria dos casos, à sorte, porque ingredientes não lhes faltam, do mato aos caniços, dos fetos amarelos às ervas enormes e bem sequinhas, tudo à espera que um fósforo os coloque a arder, em conjunto com muitos milhões de euros que, anualmente, se consomem nos combates.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Rapidez

Quarta passada, semana acabada!

Julgo que já coloquei por aqui esta frase, mas não me dei ao trabalho de ir verificar. Afinal, blogue já por aqui anda desde 2006 o que, convenhamos, é obra. Presunção e água benta, cada um toma a que quer ...

Voltando à frase: acompanha-me há muitos anos e hoje foi objecto de chamada à colação da conversa.

- O tempo passa a correr. Está tudo a andar muito depressa e agora precisávamos era que andasse devagar ...

Pois ... mas não anda. Por mais esforços que façamos a pensar, e a dizer, o contrário, os segundos continuam a fazer minutos, estes perfazem horas e estas, teimosas como alguém que conheço bem mas não digo quem é (tentem adivinhar), rapidamente contam vinte e quatro e mudam a folha da agenda,

- O Verão está quase no fim e ainda agora começou ... daqui a pouco é Natal e, mal reparas, já passou mais um ano!

Conversa de velhos, depois de um bom banho, que retempera forças e talvez atrase o tempo.

Nunca se sabe! 

terça-feira, 12 de julho de 2022

Caloraça

Está um calor de "ananases" por todo o país, de tal maneira forte que assa canas ao sol e obriga a que até os homónimos da cacafonia se resguardem e vão bebendo muita água, para estarem sempre hidratados. É a sobrevivência de todos, mesmo os tais, que está em causa e, principalmente, a  dos mais vulneráveis. (Quer queira, quer não, a influência da linguagem mais ouvida faz-se sentir)

O Oeste está quentinho. Ainda assim, bem longe do que evidencia o mapa das temperaturas nas outras regiões do país. Por aqui, é verdade que não há a humidade do costume, mas o sol permanece escondidinho atrás das nuvens, talvez para perguntar à lua "quando a verá amanhecer", convencido que um dia isso acontecerá. Não terá sorte nenhuma, porque a lua não está disponível para com ele se encontrar e muito menos para lhe aturar as madurezas. São razões bem conhecidas e objecto da devida divulgação em tempos idos, que, como é óbvio, não cabem neste espaço.

Quem tiver curiosidade em conhecer as razões "lunares" aduzidas, pesquise na Internet. Está lá tudo ... ou talvez não!

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Regresso

A última edição do Cistermúsica aconteceu em 2019. Como a tantos outros festivais, espectáculos, concertos e que tais, o coronavírus mandou-o esconder-se e impôs a sua ditadura, obrigando uma pausa de duas edições que, bem feitas as contas, dão três anos de ausência.

Voltou e isso é que é importante. Vai ter espectáculos até 6 de Agosto, com a qualidade a que sempre nos habituou.

Ontem foi uma noite deliciosa, a ver e ouvir um quarteto de cordas da Coreia do Sul - Quarteto Esmé -, com quatro intérpretes de luxo, que encheram a noite no recato do celeiro do Mosteiro.

Até ao final, ainda lá voltaremos pelo menos mais duas vezes, mas o concerto de ontem ficará a fazer parte da memória em lugar especial.

domingo, 10 de julho de 2022

Clima

Contado ninguém acredita ... após três dias de calor intenso e mar encapelado, a Foz apresentou-se hoje de "capacete", ventinho norte e mar chão. No seu melhor, só surpreendendo quem a não conhece.

Pelo resto do país continua o calor abrasador, com o fogo a destruir a floresta e a ameaçar habitações, como sempre. As reportagens surgem fortes, com números de viaturas e de operacionais a ilustrarem a gravidade da situação e a demonstrar quão insuficientes se mantêm os meios postos à disposição dos actores nos teatros de operações, sempre colocados em prontidão atempada e chegando aos locais de forma atrasada. Abrem-se telejornais, com conferências de imprensa constantes, culpando a negligência de todos e de cada um, ilustradas em meio écran por populações em pânico agarradas a manguerinhas de jardim. São constantes os lamentos da impossibilidade de combate por dificuldades de acesso e  ausência de meios aéreos. "Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes".

No final do Verão terão ardido mais uns milhares largos de hectares de floresta, nomeadamente de eucaliptal, far-se-á um balanço onde serão registadas algumas melhorias em relação ao ano transacto, ilustradas por percentagens elucidativas do progresso conseguido e pela necessidade, imperiosa, de reforçar os meios de combate disponíveis e a coordenação efectiva de todas as forças, para que a situação não se repita. Será equacionada, uma vez mais, a reflorestação com espécies autóctones e a criação de estradões que facilitem o acesso e o combate. Também se dará ênfase à vigilância, fundamental para que os meios em prontidão cheguem rapidamente aos locais onde são necessários.

A preocupação com o calor e as suas consequências é notória e, por isso, o Primeiro-Ministro cancelou a viagem prevista a Moçambique. Ficou claro que a sua presença no nosso país é não só fundamental com essencial para que não haja descoordenação na "guerra" e muito menos no Governo.

Atento, como sempre, o Presidente da República seguiu-lhe as pisadas e já não vai aos Estados Unidos. Não porque não tivesse lá almoço, mas apenas por ser imprescindível na "guerra" dos fogos que está em marcha, e que, infelizmente, parece, tal como a outra, não ter fim à vista. A presença do PR é essencial para dar as notícias, estabelecer a táctica e garantir resultados.

Não será por falta de atenção de quem governa que o país arderá.

sábado, 9 de julho de 2022

À tardinha

Num final de tarde quentinho, uma visita ao Museu José Malhoa para ver a exposição temporária e assistir a um excelente espectáculo musical, com o Coral das Caldas da Rainha, Júlia Valentim e Fernando Lopes, numa miscelânea de música que atingiu grandes momentos. As adaptações de músicas conhecidas ao estilo jazístico de Júlia Valentim, acompanhada de forma excelente por Fernando Lopes souberam a pouco, depois de o Coral das Caldas ter apresentado também um conjunto de peças muito bonitas e com interpretações de alto nível.

O Coral terminou a sua actuação com o recado de José Mário Branco, adaptado ao conjunto de vozes e fora do comum. Muito bom.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Mudanças

Há motivos de sobra para a satisfação de viver no Oeste e nesta cidade que, alguns, com desdém, dizem ser de "águas mornas". "Vamos Mudar" era o slogan das últimas eleições autárquicas, que teve resultados positivos e está a acontecer, como abaixo se confirma.

O calor, que raramente nos visita, mantém-se por aqui há três dias e, segundo os entendidos, ainda ficará mais alguns, sem necessidade de alojamento local ou estabelecimentos hoteleiros. Conseguiu chegar, sem dificuldades de maior, apesar de as indicações serem poucas e, nalguns casos, nenhumas. Nada que a perseverança não vença.

Ao contrário do que era costume, o nevoeiro não tem aparecido e a tal visita, mesmo sem a tabuleta indicativa do caminho para a Praia do Mar, chegou mesmo lá abaixo, pondo toda a gente a bufar, salvo seja, claro. O mar, sempre do contra como convém, não tem colaborado muito, mantendo-se teimosamente violento e explicitando com vigor que, no seu território, é ele quem manda, sem oposição ou regra.

As mudanças estão a verificar-se por toda a parte, com excepção da Ucrânia, onde a guerra se mantém inclemente e sem fim à vista. No Reino Unido, Boris Johnson já está a contactar as empresas para decidir qual lhe vai mudar os "trainecos" de Downing Street para um qualquer outro bairro de Londres, mais recatado e com menos festas; no Japão, contrariando o habitual sossego, um tonto assassinou, a tiro, um ex-primeiro-ministro; o antigo presidente de Angola despediu-se da vida em Espanha, deixando a família desavinda e o governo do seu país muito pesaroso.

Ninguém aguenta tanta mudança ... para que tudo fique na mesma! 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

(Des)Acordo

Um mail de uma instituição conhecida e prestigiada na caixa do correio desperta a curiosidade e aguça a pressa de o ler. Ainda não tinha aquecido o lugar e já estava a ser dissecado, com um interesse desmesurado, a roçar a coscuvilheirice.

A informação nele contida pedia para solucionar um problema com um cartão multibanco e, embora me fossem familiares quer a terminologia quer o acontecido, nada tinha a ver comigo, já de "férias" da banca há vários anos. Na resposta, que redigi de imediato, referi o lapso que devia existir no endereço. Como era esperado, não tardaram as desculpas pelo erro que haviam cometido. Não tinha existido qualquer inconveniente nem tinha sido lesivo de ninguém, muito menos violado o sigilo bancário ou qualquer outro. Apenas tinha havido perda de tempo por parte de quem se enganou e o meu divertimento por verificar que ainda há, pelo menos, um homónimo a exercer funções nessa área de eleição que é a banca.

O curioso é que a resposta estava redigida conforme as regras desse contrato magnífico que é o Acordo Ortográfico, e rezava assim:

"... de fato este mail não era para o senhor."

A minha dificuldade com as novas regras é evidente e a minha teimosia ajuda imenso. De facto, os fatos, completos, permanecem no guarda-fatos mas, de facto, não são utilizados há largo tempo, por opção (será oção) e por a adaptação (será adatação) desses fatos ao facto de estar de férias permanentes não ser fácil. Ainda por cima, com este calorzinho, não seria de facto normal aparecer na praia de fato vestido, sujeito a ser apelidado de tonto mesmo não havendo qualquer facto que o comprove. 

Conclusão: de facto não há razão nenhuma para usar os fatos que estão guardados nem de facto se justifica que eu altere a minha teimosa obstinação de escrever à moda antiga. É factual! 

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Ver(ão)

Chegou o Verão à Foz e isso relega para segundo ou terceiro plano o que se passa no país e no mundo. O importante, daqui para a frente, é saber se o mar está a vazar ou a encher, se as ondas são perigosas e puxam muito, se as bandeiras da demarcação da zona de banhos estão no sítio ou deveriam ter sido colocadas um pouco mais a norte, se lá vamos a mais uma "cabeçada", se o sol aperta e pode queimar, se a bandeira surge amarela ou se, finalmente, aparece verde. Vermelha é a sua cor normal!

- Está bruto ... mas a água está óptima!

Entretanto, o Presidente da República já recuperou da falta do almoço brasileiro e, ainda mal tinha aterrado, começou a trabalhar em força, como é seu timbre há muito. Recebeu o novo líder do PSD, condecorou o ex-líder do mesmo partido, seu antecessor no cargo, a quem deve ter custado trocar o fresquinho das águas do Algarve pelo calor sufocante da capital, e falou, muito, com os jornalistas, peças essenciais para a divulgação da mensagem de Belém, sempre oportuna e necessária para que, todos, percebamos o mundo que nos rodeia e do qual fazemos parte. Uma aula universitária traz sempre algum ganho.

E, nos entretanto, aconteceu um incêndio num prédio na zona de Algés, o qual, segundo a repórter da SIC Notícias presente no local, foi combatido por vários operacionais, apoiados por cerca de quatro viaturas. O tempo, em televisão, é sempre muito curto e isso impediu que a repórter o tivesse para contar os carros com precisão.

Compreende-se. Não é fácil contar até quatro ...