Mais uma manhã linda, antecipando o Verão que está quase a chegar!
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
domingo, 26 de fevereiro de 2023
sábado, 25 de fevereiro de 2023
Tesourinho
A casa guardava muitos papéis antigos e, como é costume, a grande maioria só podia ter como destino o lixo no ecoponto azul. Facturas antigas, documentos de impostos, garantias de equipamentos, etc., etc..
Por princípio e sempre que esta tarefa me está destinada em qualquer sítio, nada se deita fora sem ser olhado com alguma atenção e rasgado em, pelo menos, quatro partes, se a "peça" não tem qualquer interesse, ou em bocadinhos, se se trata de algo com importância, ainda que mínima.
Aparecem sempre surpresas, como a que aqui se reproduz e que não passava pela cabeça encontrar a cerca de cem quilómetros desta cidade oestina. O questionário tem quase 30 anos e há nele respostas, passe a imodéstia, ainda com actualidade.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023
Aniversário da guerra
A Rússia invadiu a Ucrânia no dia 24 de Fevereiro de 2022, faz hoje exactamente um ano.
Nem os grandes especialistas têm noção, escura ou clara, de como este "problemão" vai evoluir. Os que perderam tudo e tiveram de fugir, os que ficaram sem nada e tiveram de ficar, os que ainda mantêm alguma coisa de material mas convivem com o horror diário, os que continuam a guerrear, mesmo sem vontade, os que perderam a vida debaixo de fogo, são peças de um intrincado xadrez que, arrisco, vai terminar num empate, sem que os peões se apercebam e sem que seja possível determinar, sequer vaticinar, quando acontecerá o final do confronto.
As paradas de um lado e do outro, acontecidas nos dois últimos dias, mostram grandes solenidades, fardas de gala, peitos medalhados, meninos quase sem barba em marcha cadenciada, executando a continência submissa, que a pátria está no pedestal e a tudo obriga, herói ou mártir, morto ou vivo, voluntário ou compelido, tudo questão de pormenor pouco importante.
Os engravatados vão reunindo, sancionando, determinando, vendendo, emprestando, dando, abrindo portas e fechando janelas, ameaçando velada ou claramente, mas sempre com um cuidado diplomático extremo porque, mesmo em conflito aberto, há sempre alguma reserva a manter, não vá o diabo tecê-las e o resultado ser o contrário do que se perspectiva.
Para muitos, infelizmente, já não há futuro no mundo dos vivos; para outros, os próximos tempos vão acontecendo em lugares de acolhimento que, por muito boa vontade que haja, nunca serão como os que tinham sonhado; outros continuarão a fazer um esforço gigantesco para sobreviver aos tiros, à fome e ao frio, à imbecilidade de uns quantos que detêm o poder, sabe-se lá por quê e para quê.
Sei das minhas limitações. Talvez por isso, os meus recursos mentais não entendem nada, por mais esforço que façam.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
Pele e osso
Já passaram 36 anos sobre a partida de José Afonso, que deixou um legado importantíssimo para os vindouros e inesquecível para os que tiveram o privilégio de o ver e ouvir.
A sua obra ainda mantém, infelizmente, uma grande actualidade social.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
Voos
Estava poisado num ramo bem alto, camuflado entre a folhagem, densa, do castanheiro. De vez em quando ouvia-se aquele choro lancinante, característico da sua espécie quando em sofrimento. Transmitia dor e desencadeava pena.
Os olhos, experimentados, conduzidos pelo grito bem audível, conseguiram vislumbrar o azul das suas penas, lá bem no cimo da árvore. Era quase impossível que o gaio não tivesse já dado pela chegada do intruso. O normal teria sido que as asas batessem e o fizessem voar para longe, bem antes de a visita chegar à árvore. Não aconteceu, e ele permanecia quieto, lá no alto. Era claro que havia qualquer coisa de errado no seu comportamento, que indiciava impossibilidade de se pôr ao fresco.
Não era possível subir ao seu local de refúgio com o mínimo de segurança. Mesmo assim, a curiosidade aguçou o engenho e, com alguma dificuldade, subiram-se dois ou três troncos mais grossos, na sua direcção. Não se mexeu. Parecia convencido de que a sua hora havia chegado.
A meio da árvore, o encurtamento da distância permitia distinguir perfeitamente o que o mantinha ali, quietinho, chorando. A asa esquerda estava caída, talvez só segura pelas penas. Os olhos eram tristes, quase de súplica para lhe terminar o sofrimento.
Desci da árvore. A "nove mm" tinha ficado encostada à árvore, com o cartuxo no cano. Bastava apontar e puxar o gatilho. Nunca tinha atirado a um gaio, ensinado que fora a respeitar a sua beleza e o seu pouco préstimo para comer. Aquele não ia ser o primeiro, apesar de parecer que implorava isso.
Alguns dias depois, o regresso ao local: na árvore já não estava e, no chão, não havia qualquer vestígio de por ali ter caído. Talvez tenha conseguido sobreviver e voar de novo, quem sabe?
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023
Palhaços
Por esta época, vestia-se da cabeça aos pés com o rigor de um palhaço profissional. Roupa larga e colorida, nariz vermelho, rosto pintado de branco, sapatos enormes, um adereço na mão que tanto podia ser uma gaiola sem pássaro como um cujo dito sem ela. Todos os anos diferente no tema, nos pormenores, na forma, mas sempre palhaço. Era a sua catarse. Depois de um ano de trabalho, dois dias de folia, bem completos.
Este ano, embora já tivesse tudo preparado há muito, não o fez. A mãe partiu há pouco tempo e entendeu que lhe devia esse respeito, embora ela talvez tivesse opinião diferente. Decidiu assim, fez como lhe pareceu melhor, sem mágoas nem arrependimentos.
Ontem esteve a ver o desfile e encontramo-nos. Muita conversa, muitas recordações, muitas apreciações, muitas críticas. Já vimos tanta coisa que não é fácil a surpresa e difícil a concordância. No final, sério, desabafou:
- Já reparaste que não há um único palhaço no desfile?!
E era verdade. Nem um. Toda a gente mascarada, de tudo e mais alguma coisa e nem sequer um palhaço vestido a rigor.
Dos outros, havia muitos ...
domingo, 19 de fevereiro de 2023
Dúvida
A gaivota pousou no pau ou está descansando na areia da margem esquerda?
Conclui-se que, para qualquer coisa, há sempre, pelo menos, duas hipóteses de análise. Depende da perspectiva e da capacidade de quem analisa. A síntese, sempre necessária, só pode ser feita por quem usufruiu de (mais) uma manhã linda na Foz do Arelho. Tivessem lá ido e perceberiam com mais facilidade. Nem sequer uma brisazinha e o espelho, só reflectia.
Nada mexia!
sábado, 18 de fevereiro de 2023
Carnaval
Uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Que importa!
"Calça justa e bem esticada / já manchada pelo selim / polainas afiveladas / antigamente era assim (...)"
É tempo de saltar, dançar, pular, gritar, marchar, sambar. A vida são dois dias e o Carnaval ... três!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Centenário
O Carnaval de Torres Vedras comemora 100 anos. Ao longo deste tempo imenso, tem proporcionado diversão muitas vezes louca, trapalhona, bem regada, pouco dormida, vivida sempre pelos habitantes da cidade como festa única. Nestes dias de folia, muitos milhares de forasteiros visitam e divertem-se na cidade, que hoje já exibia nas suas ruas a música apelativa e muita gente mascarada.
Trabalhei com alguns/algumas pessoas que, logo no início do ano pediam a marcação de oito dias de férias para esta altura, para poderem participar sem preocupações, em quatro dias (e noites) de loucura, intervalados com algum, pouco, tempo para fechar os olhos.
O "monumento" que anuncia a festa deste ano é, uma vez mais, uma obra de arte e de crítica, como convém para que o sorriso seja permanente, ao menos nestes dias de folguedo.







