A contagem vai acontecendo, devagar e sem sobressaltos de maior.
Mas, como em tudo, as aparências iludem e o que parece de velocidade reduzida é, afinal, uma andança vertiginosa. Por este andar, ainda nos apreendem a carta ...
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
A contagem vai acontecendo, devagar e sem sobressaltos de maior.
Mas, como em tudo, as aparências iludem e o que parece de velocidade reduzida é, afinal, uma andança vertiginosa. Por este andar, ainda nos apreendem a carta ...
- Isto está a acabar. Terça-feira é o primeiro de Agosto (primeiro de inverno), logo a seguir chega a feira do 15 e depois ... é Natal!
Conversa da treta, à espera que o sol seque a pele, bronzeada mas ainda vergastada pela frieza daquela massa gelada que vive na Foz, sem nunca aquecer nem um bocadinho.
- Ainda não corta os artelhos, mas, como se vê, só "meia dúzia" experimentam.
Todos os anos se repetem expressões. Em cada um, as conclusões, brilhantes, são sempre as mesmas. O vento norte obriga à instalação do "tapume", bem enfiado na areia para não se correr o risco de o ver abalar; a água vem sempre do frigorífico instalado na Berlenga ou na Pedra do Guilhim; as ondas obrigam à concentração e ao cuidado, para que o "artista" não seja derrubado e ofereça espectáculo a quem não se muniu do devido bilhete.
- Hoje não está mar para velhos. Vamos à aberta.
E fomos! E o banho foi bom, apesar de ... o costume.
Amanhã estará melhor, espera-se, que a esperança é quem nos arrasta todos os dias para a Foz.
ARRÊT À VADUZ
Do verdenegrodos alpes saicastiçal lerdoo LiechtensteinComo vidrilhosque gargalhassemno fim do mundouma louca valsao Liechtensteinpor capitosacapital temuma espuma rosaBuquê de montrasentre as maminhasde uma teen-agerVaduz se aninhaNão é Vaduzmaior que um selosuscita o sonhoe remetê-lopara o século XXnuvem de moscasnum sobrescritode riso às roscasPara a noite grácilque faz frufrúsri o casteloem altos usRedige a luapena de patoo príncipe que achao meu sapatoé só por issoque este punhadode margaritasé principadoO Liechtensteindo pouco o todotira de um cómicochapéu de cocoDa liberdadedo que é escassoo apocalipefaz um terraçopara saudosasvistas deitarao mundo desseúltimo andarA dor com que arazão nos multafiltra-a uma gotade violino fútilNeste brinquedoterei na mãoos vãos confinsda evasão?O anjo do ocidente à entrada do ferroNatália CorreiaTinta da China (2023)
Não há tempo para nada, nesta vida de reformado. Sem horários, sem férias, sem fins-de-semana, sem pausas para café. Uma estafa difícil de aguentar para quem já não tem o vigor de antanho.
Fica sempre algo por fazer e, por mais cuidado que se tenha com o planeamento, surge um imprevisto que deita tudo por água abaixo, trazendo o adiamento à tona. No dia seguinte, outra urgência aflora e o que tinha ficado adiado, adiado continua. E mesmo abusando das horas extraordinárias, não é possível atender a tudo, vai aumentando o monte e desfazê-lo torna-se cada vez mais difícil.
Amanhã prevê-se um óptimo dia de praia. Vamos a isso, antes que chegue o Inverno!
Nesta semana, a Assembleia da República debateu o estado da nação - com casas de alterne a serem chamadas à colação - e o Presidente Marcelo convocou o Conselho de Estado, orgão que, julgava eu, servia para aconselhamento do Presidente da República, com a regra de nada transparecer do que por lá é discutido, afirmado ou concluído. As actas registarão os factos que, a seu tempo, a história analisará.
A Presidência emitiu um lacónico comunicado do acontecimento, sem quaisquer comentários sobre conteúdos ou posições como, de resto, é norma. No entanto, fontes próximas da reunião deixaram escapar alguns temas e opiniões vindas de gente importante, identificada, e crítica da actual situação. Soube-se, até, que o Conselho teria sido interrompido para que o Primeiro-Ministro pudesse apanhar o avião para a Nova Zelândia, a tempo de assistir à estreia da selecção feminina no mundial de futebol.
A esta hora, a Procuradora-geral da República e o Ministério Público deverão estar a ponderar a abertura de um rigoroso inquérito, mobilizando meios para confiscar os telemóveis e os computadores portáteis dos participantes, e descobrindo, com a eficiência de sempre, quem "bufou" o acontecido, violando a lei e o regimento do Conselho.
Termina hoje o ciclo aniversariante anual dos netos, que recomeçará em Fevereiro de 2024.
Faz anos o Vasco - uma dúzia, para que conste -, segundo na hierarquia das idades dos descendentes segundos. Candidato a músico, nadador elegante e aplicado mas, sobretudo, inteligente, sensato, cortês, discreto, um mimo de pessoa.
E assim marcha a lei da vida, com o futuro a abrir horizontes para todos, incluindo os menos jovens que o vão vendo, sentindo e usufruindo.
Parabéns, neto Vasco!
"(...) Sonho: emigração. Projeto: aprender alemão. Das Kind, der Junge, der Mann. Criança, menino, homem, em alemão ainda não sei quem sou. Digo der Mann e é um erro, a resposta certa é menino, sonho ser um menino alemão a trabalhar numa empresa alemã. Engenharia alemã. Aprender alemão enquanto faço sexo,. Primeiro conhecer a mulher certa, não tem de ser alemã. Se aprender alemão é complicado? Não é, as pessoas complicam, porque não sabem. Por exemplo, eu não sei nada sobre sexo.
O alemão foi a língua dos invasores e depois a língua das vítimas. Já fomos de tudo, estamos a adaptar-nos, foi tão rápido que esquecemos detalhes da língua. Wunderbar, para mim, é um bar aberto cheio de maravilhas. Nunca vi um na vida. A humanidade não faz outra coisa senão humanismo. Devia fazer mais coisas.
Isaac conduz o último autocarro da noite. Gosta de chorar e olhar as lágrimas no espelho retrovisor. É isso ou dizer poesia. As pessoas preferem que chore, há quem baixe a cabeça, quem aplauda com a ponta dos dedos. A Alemanha está a muitas horas de autocarro, a Alemanha já esteve aqui, a Alemanha já veio ter connosco. É fácil emigrar para a Alemanha sem atravessar o Rio Grande nem o Mar Mediterrâneo. Uma das vantagens de ser europeu é emigrar a pé. É só metermo-nos ao caminho, pé ante pé. (...)"
Desce a rua, como sempre a cantarolar e com o sorriso aberto, escancarando os dentes branquíssimos, bonitos, certinhos, de fazer inveja a muita gente. O cabelo, entrançado, cai-lhe pelas costas.
- Bom dia. Posso lhe pedir uma coisa?
O sotaque denuncia a origem africana, mas faz sempre um esforço para falar o português de cá.
- Claro! Se eu puder ...
Terá catorze, quinze anos. É a terceira de quatro irmãos e a única rapariga. Deve sonhar ser cantora. Exercita os seus dotes sempre que não está ninguém por perto, cantando forte e deliciando-se com a sua habilidade vocal. Se surge alguém, o volume baixa de imediato.
- Vou fazer um trabalho na escola, sobre a casa dos meus sonhos. Quero lhe pedir se me deixa tirar fotografia à sua.
- Claro que sim.
- Obrigada. Não iria tirar sem me dar autorização.
Sendo o horizonte diminuto, os sonhos tornam-se minúsculos.
A música popular portuguesa tem, tal como a sopa de beldroegas e o queijinho fresco, grandes tradições e, quase sempre, uma beleza de sons e palavras e sabor inexcedível, que nos devem orgulhar enquanto povo.
Isto não significa que nos deixemos encher de música dada por papalvos que nem conhecem as sete notas e nos satisfaçamos com o folclore que nos vão impingindo sem rebuço nem vergonha.
Nos últimos anos, a justiça tem feito os impossíveis para nos dar música e, muitos dos seus, feito um esforço grande para que o folclore seja o protagonista onde deveria mandar a descrição, o empenho e a eficiência.
A generalização nunca deve acontecer porque, em todas as áreas, há gente boa que rema todos os dias mesmo contra a maré, pessoas assim-assim a quem tanto faz que a maré corra para baixo ou para cima e indivíduos que não prestam nem para deitar fora quanto mais para merecerem adjectivos. Por isso, custa a acreditar que há processos a eternizarem-se por anos e anos nas "catacumbas" das pastas intermináveis e sem ninguém se ralar com essa demora, aparecendo, de quando em vez, a desculpa da falta de recursos humanos e materiais. E abre-se a boca de espanto quando se vê uma reportagem sobre investigação em que as câmaras chegam ao local do "crime" antes das largas dezenas de agentes nela envolvidos. Alguém "bufou" sem se preocupar com o rigor e a honestidade que lhe deveriam estar "na massa do sangue".
Se, quem está de boa fé e acredita na capacidade regeneradora da sociedade pela via do diálogo e do rigor, não fizer nada, caminharemos, inexoravelmente, para a chegada da ordem nova pedida por alguns arautos, que ainda usavam cueiros em 1974 (ou nem sequer tinham visto a luz do dia), como sendo a solução para todos os males, restaurando um passado de má memória para quem o viveu e dele não tem quaisquer saudades, muito pelo contrário.
É urgente acabar de vez com a justiça espectáculo, com o folclore dos responsáveis a debitarem números para justificarem a sua eficiência (?), com os julgamentos na praça e nos estúdios das televisões, e com os palavrosos discursos à laia do "pai Tomás" de triste memória sobre quem se dizia que, "para cúmulo da chatice, tanto falou ... e nada disse".
Os ventos que continuam a soprar com intensidade por este Oeste revoltado com a localização do novo hospital, a penar pela reabertura das termas e a aguardar que as obras dos pavilhões do Parque D. Carlos I se iniciem, não eliminam nem limpam o que aconteceu há exactamente sete anos, na França chauvinista e antecipadamente convencida de que eram "favas contadas".
Não foram! Éder marcou e as páginas da história desportiva do nosso País registaram que a Selecção Nacional de Futebol foi, pela primeira e, até agora, única vez, Campeã Europeia. Os obreiros dessa vitória tiveram, têm e terão o seu nome ligado a esse enorme feito, com que conseguiram levar ao êxtase (quase) todos os portugueses.