QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundoque amava Maria que amava Joaquim que amava Lilique não amava ninguém.João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandesque não tinha entrado na história.Vai, Carlos!Carlos Drummond de AndradeTinta da China (2022)
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sábado, 8 de novembro de 2025
Palavras bonitas
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Mudanças
A "trovoada" que aconteceu ontem nos Estados Unidos, com a eleição de um ugandês, muçulmano e democrata para mayor de Nova Iorque, deve ter mexido imenso com o homem da melena. Nem deve ter pregado olho, o que muito terá custado à "boneca".
Não creio que tenha sido uma relação causa/efeito, mas lá que esta noite trovejou como há muito tempo não se ouvia neste cantinho oestino, aconteceu. E logo por aqui, sítio que, felizmente, até costuma ser muito calminho.
Tudo muda ...
segunda-feira, 3 de novembro de 2025
sábado, 1 de novembro de 2025
Veremos ...
Roubo, parcial, da crónica de José Pacheco Pereira, publicada no jornal Público de hoje. Está a tornar-se cada vez mais difícil encontrar quem pense, analise e diga o que lhe vai na alma, e desbrave o caminho retrógado que, parece, estamos a trilhar.
Lembro-me sempre de um meu professor, há mais de meio século, que dizia, com ênfase, "quanto mais sei, maior é a minha ignorância" e confronto-me, diariamente, com a exposição ignorante, estúpida, parva e burra, alérgica a qualquer hipótese de possível melhoria e convencida que as suas "mensagens" podem servir para alguém ou alguma coisa.
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"(...) Vejam-se estes exemplos de uma caixa de comentários na página de Facebook do Chega:
È por camara escondida para depois os visitar-mos na calada da noite. E apagar essas velas
Eles com as coécas todas mulhadas
O homem está corretíssimo, mas como é um homem onesto a grande parte desta gente mamona, ou BURRA NÃO GOSTA.
Nem mais ... é a mesma coisa aqui na englaterra ... se fore preson por mais de um ano. Compre a pena e a deportado
Estão com medo de alguma coisa! Força André Ventura, se fores presidente da República, no CHEGA a substitutos a altura para liderar o partido! CHEGA (sic)
Todos os dias, nesta página de Facebook, e por todo o lado nas caixas de comentários, escreve-se assim, e pode-se imaginar como fala quem assim se expressa. Ora, quem escreve assim não é patriota, porque despreza aquele que é um dos principais factores de identidade nacional: a língua.
Esta não é uma questão de elites contra o "povo", mas sim um confronto entre quem respeita a sua língua e quem a despreza, entre quem despreza o saber e quem sabe o que lhe falta saber. Isto hoje é uma questão política, porque a democracia precisa da consciência do valor do saber, do falar, do conhecer. Esta consciência é hoje um dos alvos preferenciais do populismo que valoriza a ignorância.
Quem, por razões sociais, não tem o mínimo de educação formal, vem de meios de vida difícil, não teve oportunidade de estudar, teve de atravessar muita dificuldade, muita miséria, tem vergonha de não falar ou escrever bem, porque tem a aguda consciência que isso é um factor de pobreza e exclusão. Quem, por outro lado, fala e escreve mal português e tem um vocabulário exíguo, pode escrever com erros de ortografia palavra sim ou palavra não, e ser muito eficaz em usar emojis de merda em linhas e linhas ou em insultar, mas não pode bater no peito nacional pelo seu país.
Uma das suas ironias é a reivindicação aos imigrantes de, para terem a legalização, saberem falar português, coisa que os seus julgadores não sabem de todo. É por isso que muitos imigrantes, a começar pelos que vieram das nossas colónias, falam muitas vezes melhor, num português impecável, e que é, para muitos deles, também a sua língua natal. Teriam vergonha de escrever a língua absurda das citações acima. (...)"
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Limpeza
Já não ando muito a pé pela cidade, é verdade, (prefiro a beira da Lagoa) mas, sempre que isso acontece, deparo-me com ruas sujas, lixo fora dos respectivos contentores, cartão no "amarelo", plástico no "verde", cascas de batata e espinhas de peixe no "azul", papéis e sacos por todo o lado, "beatas" em busca de cinzeiro, meio atarantadas pelo chão, etc., etc..
Apetece-me sempre sugerir à Câmara Municipal que distribua e/ou coloque, em locais estratégicos, panfletos e cartazes que, de forma educada, chamem a atenção de todos os munícipes para a necessidade de colaborarem na manutenção das ruas limpas, alertando, assim, as consciências de cada um.
Por exemplo: "Não deite lixo nas ruas. Utilize os caixotes destinados a esse fim. Colabore connosco e lembre-se que o custo da limpeza municipal também é seu".
Depois, raciocino mais um pouco, pondero e apetece-me pedir para, em vez do anterior, ser colocado em cada rua, em cada esquina, talvez até em cada porta, um cartaz com letras enormes, bem vermelhas e sublinhadas, dizendo:
NÃO SEJA PORCO! PONHA O LIXO NO LIXO.
terça-feira, 28 de outubro de 2025
Clonagem
Um, dois, três ... foi a conta que Deus fez!
E o "caramelo" quer três "Botas", talvez para utilizar dia sim, dia não e descansar ao sétimo dia. Ou será um para lhe lavar os pés, outro para lhe massajar o ego e um terceiro para lhe limpar a pinha?
Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar, mas dá uma vontade louca de perder a cabeça e mandá-lo à mxxxx com todas as letras, se isso fosse o remédio para o calar. Valha-nos o botão que muda de canal ou tira o som e as páginas do jornal que (ainda) vai sendo possível saltar. Neste tempo, ainda se vai vendo, ouvindo e lendo opiniões diversas, ao contrário do tempo por que ele grita, onde isso custava bem caro.
E vamos ter de gramá-lo, pelo menos, até 18 de Janeiro do próximo ano, cheio de vento, de certezas, de voz forte, clamando ao vento e aos céus, talvez na tentativa de que aquele pequenino defeito na língua desapareça com as asneiras que solta ... sem "3,14".
Valha-lhe um burro aos coices e três aos pontapés!
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
Livros (lidos ou em vias disso)
"(...) O problema e a razão pela qual esta atitude causa tanta estranheza, é que o coração tem um prestígio inexplicável. Ora, o coração, recordo, é uma bomba hidráulica. Uma aborrecida, burocrática, e fabril bomba hidráulica. Suga sangue por um lado, esguicha sangue pelo outro. Não sente nada, não ama coisa nenhuma. É um músculo. No entanto, exerce sobre as pessoas um fascínio incompreensível. Sobretudo em comparação com o cérebro, que tem muito má fama. O coração é sempre santo, o cérebro é sempre diabólico. Às vezes, alguém diz <<agora eu vou falar do coração>>, como se fosse uma coisa boa. Eu respondo sempre: <<Não, obrigado. Fala do cérebro, que eu prefiro.>> Falar do coração, normalmente, significa exprimir sentimentos inalterados pelo raciocínio. Ou seja, é dizer coisas sem pensar. É uma opção muito comum em quem devia ter preparado um discurso mas não esteve para se dar ao trabalho. Transforma a preguiça e a falta de consideração pelos outros em <<honestidade>> e <<franqueza>> (uma operação bastante indecente que o coração patrocina a toda a hora) e fala de improviso. Eu desconfio demasiado dos meus sentimentos para os exprimir dessa maneira. De vez em quando sinto coisas que, pensando bem, são absurdas. Mas é curioso que o coração nunca tem culpa. Há sempre uma maneira de atribuir a responsabilidade dos sentimentos desagradáveis ao cérebro. <<Sim, ele disse isso, mas estava de cabeça quente.>> A culpa é do cérebro. O coração é sempre puro. Comigo não contam para esta mistificação. (...)"
sábado, 25 de outubro de 2025
La Traviata
No Dia Mundial da Ópera, é sempre um prazer ouvir e, melhor ainda, ver. Pena não ser ao vivo, no Metropolitan e sem o homem da melena por perto.
sexta-feira, 24 de outubro de 2025
Expresso
Como acontece há mais de cinquenta anos, a edição semanal do Expresso entrou em casa no final da manhã de hoje. Com a mesma aparência, desta vez vem diferente. A primeira página não traz qualquer referência a conteúdos, títulos ou chamadas de atenção. Uma única fotografia ocupa-a pela totalidade, com uma breve referência em pé de página: " Esta é uma edição especial de homenagem a Francisco Pinto Balsemão, sobre o legado que deixa ao país."
Não vale a pena estar, agora, a tecer elogios próprios ou a copiar alheios, alguns deles com um cheirinho a hipocrisia chamuscada.
O Expresso foi, em Janeiro de 1973, uma lufada de ar, uma luz nova, um horizonte a abrir, um sol a raiar, para quem, até aí, tinha tido um acesso limitado, condicionado e vigiado, não fosse "o diabo tecê-las". A entrada no serviço militar, no Abril do mesmo ano, trouxe conversas, opiniões, abertura, discussão, aprendizagem, clarificação, despertar para os condicionamentos de um regime sórdido, que só viria a cair no ano seguinte. E o Expresso ajudou!
A imprensa está a viver mal e a independente e plural tem muitos soluços. Espero que o Expresso se aguente e tentarei contribuir para isso, mas apenas o desejo se e enquanto a liberdade e a independência se mantiverem como até aqui.
domingo, 19 de outubro de 2025
Rescaldos e sonhos
Não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu, dizia-me, muitas vezes, a minha mãe, ilustrando os que, mal sobem a escada, partem todos os degraus para que mais ninguém os possa apanhar.
Vivemos tempos de hipocrisia, de arrogância, de "vale tudo", de não se olhar a meios para atingir os fins, de julgar que a carteira, mesmo lisa, há-de um dia ser cheia e comprar tudo.
Surgem debaixo dos pés os oportunistas, os mentecaptos, os que acham que, sem eles, o mundo não existiria. E fazem escola! E têm apoiantes e sobem, sobem, qual balão que, um dia, vai esvaziar. E essa é a sua grande luta: se e quando o balão esvaziar, ao menos ninguém dê por isso.
O poder, o poder, o poder, não para ajudar a resolver mas para (me) engrandecer! E, sentado na cadeira, reclamar a reverência a que (me) julgo com direito, adquirido à custa de muita habilidade e cretinice.
Não têm culpa! A fuga dos que tinham condições e há muito decidiram afastar-se, trouxe para a ribalta gente de fraca estirpe e má índole, e colocou na gaveta do esquecimento aqueles para quem Abril sonhou abrir as portas.