E isto também é televisão a cumprir!
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
terça-feira, 1 de março de 2016
Matemática
E isto também é televisão a cumprir!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Palavras bonitas
Para o meu neto Miguel
VIDA
Do que a vida é capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro!
Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
- E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai!
Diário II
Miguel Torga
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Animação musical
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Animação musical
Livros (lidos ou em vias disso)
A descrição da atribulada viagem, pelos caminhos difíceis de então (serão fáceis agora?), que leva o Conde de Fróis (filho) e o seu séquito a um desterro na fortaleza de S. Gens, lá bem perto da raia de Espanha, termina assim:
Foram dar com o primeiro soldado encostado ao portal da igreja. O homem, desgrenhado e farroupilha, olhou para ambos, azamboado, sem atinar com o que fazer. Depois, silenciosamente, com um sorriso equívoco, de beiço esborcinado, estendeu por instinto uma mão de esmola, primeiro gesto que lhe ocorreu antes que o capitão o expulsasse do adro a poder de biqueira.
Não tardou e a notícia alvoroçava a vila. O conde e o capitão, parados a meio do adro, viram-se rodeados por uma chusma silenciosa de basbaques, entre os quais sobressaía, aqui e além, o vermelho sujo de uma farda.
A escolta, entretanto, reboava pela porta de armas, com carros e bagagens, sem que alguém lhe pedisse senha, e vinha formar na parada, com ordem e lustro, suscitando o maior espavento da multidão apinhada pelas ruas.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Netos (quarto)
No colo da mãe
a criança
vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança. (...)
Manuel da Fonseca
sábado, 30 de janeiro de 2016
Humor e arte
O humor e arte de António comprova-o, uma vez mais, na página dois do Expresso desta semana.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Vergílio Ferreira - Centenário
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Presidenciais
sábado, 23 de janeiro de 2016
Presidenciais
sábado, 2 de janeiro de 2016
Balanço 2015
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Viagem
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Natal
domingo, 20 de dezembro de 2015
Clarabóia
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Palavras bonitas
CONDIÇÃO
A onda vem, lambe o areal e parte;
A mágoa vem, morde o meu corpo e fica;
A mágoa ateima, ateima, e quer ser arte,
A onda envergonhou-se de ser bica.
E nem a areia seca se revolta,
Nem o meu corpo pode protestar;
A onda anda no mar, à solta,
E a mágoa já tem casa onde morar.
Forças sem coração e sem governo
Jogam no pano que lhes apetece;
Pobre de quem padece
O seu capricho eterno ...
Diário III
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1973)
sábado, 28 de novembro de 2015
O Natal e o Mundo
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Impertinência (5)
sábado, 14 de novembro de 2015
Livros (lidos ou em vias disso)
No ramos mais altos reuniam-se as fêmeas que amamentavam os filhotes. De tal modo se pareciam com pequenas pessoas que eu evitava enfrentá-las nos olhos para não fraquejar no meu intuito caçador. Aquele sentimento de compaixão foi-se avolumando à medida que em mim cresciam sonhos de maternidade. Até que, daquela vez, frente ao tronco que devia escalar, ganhei coragem para declarar:
- Desculpe, pai. Mas eu não volto lá em cima nunca mais.
O meu velhote admirou-se com a minha atitude. (...)
E ele, surpreendentemente, aceitou a minha recusa.
- Está com pena dos morcegos? Eu entendo, minha filha. E vou-lhe dizer por que percebo muito bem essa sua recusa.
E contou-me uma história antiga, que escutara dos seus avós. Naquele tempo, os morcegos cruzavam os céus com a vaidade de se acreditarem criaturas sem semelhança neste mundo. Certa vez, um morcego tombou ferido numa encruzilhada de caminhos. Passaram por ali os pássaros e disseram: olha, um dos nossos! Vamos ajudá-lo! E levaram-no para o reino dos pássaros. O rei das aves, porém, ao ver o morcego moribundo comentou: ele tem pelos e dentes, não é dos nossos, levem-no daqui para fora. E o pobre morcego foi depositado no lugar onde havia tombado. Passaram os ratos e disseram: olha, é um dos nossos, vamos salvá-lo! E conduziram-no à presença do rei dos ratos que proclamou: tem asas, não é dos nossos. Levem-no de volta! E conduziram o agonizante morcego para o fatídico entroncamento. E ali morreu, só e desamparado, aquele que quis pertencer a mais do que um mundo.
Era evidente a moralidade da fábula. Por isso estranhei a sua pergunta, no final:
- Entendeu, filha?
- Acho que sim.
- Duvido. Porque esta história não é sobre morcegos. É sobre você, Imani. Você e os mundos que se misturam dentro de si.



