Numa época em que a conversa caminha, inexoravelmente, para a extinção qual lince da serra da Malcata, surgem uns "teimosos" na praia que se vão esforçando por mantê-la, seja recordando tempos idos seja comentando o que por aí vai, "mercadoria" que é tanta que nem um atrelado chegaria para lhe dar o acondicionamento devido.
Cada vez é mais difícil consegui-lo mas vamos tentando ...
- Lembras-te de ... espera aí que tenho uma mensagem no "telélé".
Daí a pouco, com o assunto tratado e a resolução a aguardar por tempo oportuno (não há pressa), volta o tema das lembranças.
- E os gelados do Ti Pacheco? E os barquilhos? Já não recordo como se chamava o homem ... girava-se uma roleta ...
- Mas isso foi há mais de 60 anos!
- E depois? Não é bom a gente recordar. Lembro-me como se fosse hoje. Melhor, bem melhor, que o que fiz há bocado já se varreu ...
- Este ano nem parece a Foz! Não me lembro de um ano assim tão bom ...
E tem sido, de facto. Ou a memória já varreu os outros?
A caminhada continua pela areia, única, até à aberta. A ponta do mastro do barco afundado está à vista, mas não se consegue lá ir.
- Este ano não conseguimos a foto junto dele ...
A maré está a vazar e a corrente é forte. Inicia-se o caminho inverso, colocam-se os chapéus e os óculos junto das cadeiras e ... vamos ao mergulho. Já não é como antigamente mas, este ano, já foram muitos com água "algarvia". Melhorou a água, diminuiu a elasticidade.
É a vida!!!
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