No Dia Mundial da Dança e quando se anseia pelo retorno dos espectáculos, o final sublime de O Lago dos Cisnes, expoente máximo da dança clássica, para manter viva a chama e esperar que, no próximo ano, a "nossa" Escola Vocacional da Dança possa voltar ao palco, com as salas cheias, como é (era) costume.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quinta-feira, 29 de abril de 2021
quarta-feira, 28 de abril de 2021
Filhos da madrugada
O 25 de Abril é uma data que me é muito querida, não por ser o dia do meu aniversário mas porque encerra uma transformação na qual, muito modestamente, participei, e que trouxe um país novo, abrindo portas que, até aí, permaneciam encerradas à grande maioria das gentes.
Decorridos quase cinquenta anos, é com muita alegria que vejo e ouço gente de elevada craveira, discutir com liberdade e participar activamente no desenvolvimento da ciência, da arte, da vida. Muitos dos que, hoje, fazem parte do escol da sociedade, teriam passado ao lado se aquele país fechado, falso moralista e enormemente elitista se tivesse mantido. O "ninho" determinava o destino e poucos "pássaros" conseguiam voar além de um horizonte muito limitado e previamente anunciado. O poder ser e depender apenas do querer não tem preço. Assim se mantenha ...
A RTP-3 transmitiu, durante o mês de Abril, 25 entrevistas de Anabela Mota Ribeiro a outras tantas pessoas, que têm em comum o facto de terem nascido depois de Abril de 1974. Chamou a essas entrevistas "Os filhos da madrugada". São conversas extraordinárias, com personalidades, as mais diversas, com histórias de vida e de antecedentes distintas, demonstrativas de que, ao contrário do que pensam muitos da minha geração, "os filhos da madrugada" são muito melhores do que foram os "pais" da dita.
E tudo isto é o concretizar do sonho da grande maioria dos que viveram intensamente a madrugada do "dia inicial, inteiro e limpo", com tão bem o definiu Sophia.
terça-feira, 27 de abril de 2021
Fábula de trazer por casa
Era uma vez uma colmeia que existia há muitos anos nos campos da região. Destacava-se pela qualidade da sua edificação, pelos propósitos com que havia sido construída e pela qualidade do mel que produzia. A sua história era de todos conhecida e tinha tido a participação de muitas obreiras, lideradas por rainhas que iam mudando com o decorrer dos tempos. Todos juntos procuravam criar as melhores condições para quem frequentava a colmeia e tentavam produzir um mel da melhor qualidade.
Durante muitos anos assim foi acontecendo mas "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe".
A construção, modelar em tempos idos, foi-se degradando; descuidou-se a manutenção, a produção baixou de qualidade. E quando tudo apontava e exigia a necessidade imperiosa de unir esforços, a rainha deixou de olhar para a colmeia como um património colectivo e começou a procurar os seus interesses específicos, tomando decisões autocráticas e contraditórias, fomentando que os interesses das partes se sobrepusessem aos do todo, criando uma situação insustentável na vida das obreiras e dos destinatários do mel.
As condições climatéricas do reino não têm permitido a realização do plenário de todos os interessados, aos quais cabe a decisão sobre o futuro da colmeia e a forma de o atingir.
Anseia-se que a decisão aponte para que o bom senso prevaleça e que a qualidade da colmeia possa melhorar, continuando a servir o bem de todos e não os interesses de alguns.
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Livros (lidos ou em vias disso)
Não conhecia e nunca tinha ouvido falar do autor, William Melvin Kelley, nascido em 1937, em Nova Iorque, e falecido em Fevereiro de 2017. Fui sensível à publicidade do "gigante perdido da literatura americana" e comprei. Vou a meio de uma história sobre escravos e senhores, racismo e exploração, que me tem entusiasmado pela história em si e pela escrita escorreita. Deliciei-me com a descrição da "aula" do menino para aprender a andar de bicicleta. O regresso a casa do senhor e do servo trouxe o costume, nada agradável para o "professor". Fica aqui uma parte da aula ...
- Será melhor que regressemos a casa, Dewey.
- Só mais uma vez, Tucker, se fazes favor. Vá lá.
- Vamos embora, Dewey, já sabe que o seu pai não ficaria contente se lhe atrasássemos o jantar.
- Mas TENHO de aprender, Tucker.
- Siga a direito! Vire agora! Siga a direito!
- Conseguiu! Conseguiu! Conseguiu!
- Tucker, ensinas-me a arrancar sozinho?
- Quando tiver aprendido a parar sem cair.
- Tucker, ensinas ...?
domingo, 25 de abril de 2021
25 de Abril
A liberdade, minha companheira de aniversário, comemora hoje 47 anos de uma vida difícil, com altos e baixos, com alegrias e tristezas, aberta a todos, mesmo aos que a não merecem.
E assim irá continuar, por muito que custe a alguns, que a não prestigiam nem defendem, mas a quem ela, superior a tudo isso, não liga e continua a permitir-lhes ter opinião, mesmo feita de barbaridades, aleivosias e estupidezes.
Viva, sempre, o 25 de Abril.
sábado, 24 de abril de 2021
Liberdade
Aquela "coisa" que mantinha a ordem em todo o país e que, em boa hora, sucumbiu em 25 de Abril de 1974, cuidava de todo o mundo com um desvelo e uma dedicação "louvável", controlando o que se dizia, escrevia ou lia, pretendendo determinar comportamentos e bons costumes, fomentando a denúncia e o afastamento, ostracizando ou perseguindo quem ousasse agir ou pensar de forma diferente.
No ano em que nasci, a Direcção dos Serviços de Censura "despachava" o livro de contos de José Cardoso Pires intitulado Histórias de Amor desta forma "brilhante e eloquente":
Imoral. Contos de misérias sociais e em que o aspecto sexual se revela indecorosamente. De proibir.
O Subdirectora) José da Silva DiasCap.
A seguir tenho a honra de transcrever a V. Exª. parte da escuta feita pela Rádio Costeira ao noticiário da "Radio Brazaville", na sua emissão em língua portuguêsa:
"Em Lisboa a polícia apreendeu todos os exemplares do último livro de Miguel Torga "O Tomo oito do seu diário" publicado há dias. Supõe-se que o motivo de tal atitude são as depreciações dadas pelo autor sobre alguns episódios da vida política portuguesa. Miguel Torga é um dos mais brilhantes escritores portugueses contemporâneos e a sociedade dos homens de letras portuguesas apresentou a candidatura do escritor ao Prémio Nobel de Literatura Portuguesa.Foi levantada a apreensão que a polícia fêz em todas as Livrarias de Lisboa da última obra do célebre escritor português Miguel Torga. O próprio autor do livro tinha sido detido pela Polícia na véspera da confiscação do livro mas posto em liberdade pouco depois. Miguel Torga é candidato ao Prémio Nobel da Literatura de 1960. A sua candidatura foi apresentada pela Sociedade Portuguesa dos homens de letras. Julga-se que a atitude que a Polícia tomou foi devida a algumas apreciações contidas no livro sobre certos episódios da vida política portuguesa."
Muitos outros exemplos se poderiam dar do país que tínhamos e que, parece. alguns por aí querem fazer regressar.
sexta-feira, 23 de abril de 2021
Dia Mundial do Livro
"O livro é um ouvido que encostamos à terra para escutar o mundo."
António Lobo Antunes
quinta-feira, 22 de abril de 2021
Dias
Não é sexta-feira e nem sequer estamos a treze, mas o trabalho nas obras de hoje não correu como se esperava e estava planeado. Quando parece que estão reunidas as condições para ser um "passeio", surge um obstáculo, pequeno, que não se mostrou antes e surge como que a dizer :
- Esqueceram-se de mim, aguentem. Como vêem, sou fundamental e vocês não me valorizaram.
É a vida! Acontece muito. Desvaloriza-se e neglicencia-se a importância de quem não grita, não barafusta, não se põe em bicos de pés e, no fim, por muito que custe a alguns, todos somos importantes.
quarta-feira, 21 de abril de 2021
Lícito
"Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem."
O adágio, como quase todos, é pleno de verdade e metaforiza o enriquecimento ilícito, tão glosado nos últimos tempos que até já vai tirando protagonismo ao coronavírus. Como é normal, lá voltamos a discutir novas leis, constitucionalidades, âmbitos, versões, propostas, textos, palavras, actos, omissões, penalizações, comissões, tudo nessa língua maravilhosa que chamo de "direitez", tão hermética quanto abrangente, onde cada termo tem, pelo menos, duas interpretações e milhentos significados.
Pretende-se, de acordo com o que é dito, criminalizar o enriquecimento ilícito de quem exerce cargos públicos. E os que usufruem de ganhos "pela porta do cavalo", não estando no poder, ficam impunes? O tema poderá ser melindroso, colidir com a liberdade de cada um, dar azo a devassa injustificada, proporcionar parangonas e vinganças, abrir portas aos populismos, mas ... quem não deve, não teme.
Mais importante, antes de legislar sobre tudo e sobre nada, seria tornar a justiça célere, garantindo os meios de defesa a todos por igual e acabando com os subterfúgios que adiam audiências, protelam julgamentos, atiram com as decisões para as calendas, em processos de milhares de páginas carregadas de citações, opiniões, deduções, afirmações, contradições, tudo, menos lições acessíveis ao comum dos mortais, que não teve a graça de aprender a tal língua de "meia dúzia".
Respeitar o outro é, também, cumprir regras, não usufruir sem contribuir, não usar o que é de todos em proveito próprio sem dar alguma coisa de si. E ganhar o euromilhões não é enriquecimento ilícito!
terça-feira, 20 de abril de 2021
Palavras bonitas
MANIAS
O mundo é velha cena ensanguentada,Coberta de remendos, picaresca;A vida é chula farsa assobiada,Ou selvagem tragédia romanesca.Eu sei um bom rapaz - hoje uma ossada -Que amava certa dama pedantesca,Perversíssima, esquálida e chagada,Mas cheia de jactância quixotesca.Aos domingos a deia já rugosaConcedia-lhe o braço, com preguiçaE o dengue, em atitude receosa,Na sujeição canina mais submissa,Levava na tremente mão nervosaO livro com que a amante ia ouvir missa!(Lisboa1874)O livro de Cesário VerdeCesário VerdeEditorial Minerva
