Para que a mão seja poupada e porque me apetece, hoje apenas música para os (meus) ouvidos).
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sexta-feira, 29 de abril de 2022
quinta-feira, 28 de abril de 2022
Papel
O papel? Falta o papel! Qual papel? O papel, claro!
Já não sei quem fazia graça com isto, para brincar com a burocracia, mas hoje veio-me à memória não a frase batida do Sérgio Godinho, mas a história do papel que falta e é imprescindível. Devolvemos por falta do papel da prescrição do RX.
E com toda a razão: não fui eu que quis fazer o RX nem me cabe o papel de elaborar o respectivo papel.
O médico prescreveu, a técnica efectuou, a secretaria cobrou e guardou toda a documentação para memória futura. Recebeu o "carcanhol", emitiu os recibos. Mas falta o papel. Sem papel não há palhaços, como no circo.
Vou pedir o papel? Não vou? Indeciso. Vou lá ficar a aguardar que descubram o original ou processem uma segunda via. Entre dentes, talvez sugiram que o velho é chato. Não se lembrou na altura. Ele é que precisa.
Não vou! Fica para descontar no IRS. Dinheiro gasto não faz falta a ninguém!
quarta-feira, 27 de abril de 2022
A Mesa
Não é uma humilhação porque só é humilhado quem deixa e só humilha quem não presta.
Ver o Secretário-Geral das Nações Unidas sentado no topo de uma mesa com seis metros e, no outro topo, um "caramelo" que parece crer que é o dono do mundo, da razão e da mesa, não é agradável nem parece que vá servir para alguma coisa.
António Guterres foi pressionado pela opinião pública e até por gente que já passou por altos cargos na ONU, para se deslocar à Rússia. Acabou por fazê-lo, embora me pareça que sempre soube que era o mesmo que chover no molhado e que nem o ditado do ratinho - acrescenta sempre um bocadinho, disse o rato. E fez chichi no mar - se aplicaria à situação. Sentar naquela mesa, ser obrigado a aumentar o volume da voz sem uma garrafa de água por perto, com os olhos e os ouvidos do anfitrião bem longe dali, deve ter sido um suplício e uma "refeição" de digestão difícil.
O outro estava longe, bem longe, e surdo, bem surdo.
terça-feira, 26 de abril de 2022
Livros (lidos ou em vias disso)
(...) "Não há qualquer possibilidade, hipótese nenhuma, por mais remota e improvável e fugidia, de Petra Chissomo saber do Rafa e do pai e do carvalho vermelho. Ele olha para o Sininho, enroscado no tapete, as patas já tão magras, as costelas a emergirem. O cão tem os olhos fechados, mas há movimento nas orelhas, como quem estivesse a escutar a conversa e agora estranhasse o silêncio da pausa.
Olham-se. Petra Chissomo parece esperar, há qualquer coisa no ar que ainda não acabou, os gramas a mais dos assuntos inacabados. Não há qualquer possibilidade de ela saber o que ele precisa de lhe contar a seguir.
- Porque é que perguntas o que levou a Isabel com ela?
- Curiosidade. Se não sabes, não sabes. Se não queres dizer, não digas.
- Levou o pior de mim, aquela desilusão, a maior de todas.
A certeza de que escolheu mal, deve ter levado a raiva de não conseguir deixar-me.
- Qual desilusão? Disseste aquela.
- A que tu não podes saber e no entanto sabes.
- Eu? Não sei enquanto não disseres.
- Seja. Já que vai ser assim. Tenho de dizer, não é?
- Tens de dizer. Tens de fazer acontecer. Antes de seguirmos." (...)
segunda-feira, 25 de abril de 2022
Liberdade
Para mim e para muitas outras pessoas, hoje é dia de festejar o aniversário e de lembrar sonhos que estão por cumprir, coisas que não se fizeram, tempos que já foram.
Com esta idade, os sonhos já só acontecem a dormir. Os outros, se não se concretizaram, talvez já não aconteçam. Nesta noite, dei por mim a convidar a Liberdade para comigo almoçar, e, assim, comemorarmos o aniversário em conjunto. Apesar de ela ser bastante mais nova do que eu, tinha alguma esperança de que aceitasse e, até, ficasse satisfeita com a lembrança do idoso.
- Nem pensar. Já me conheces há tempo suficiente para saberes que não quero nem devo privilegiar ninguém. Aliás, conheces bem a minha história e sabes que foi para acabar com os privilégios que vim ao mundo há 48 anos, trazida com orgulho por um punhado de portugueses corajosos.
- E achas que conseguiste?
- Resposta difícil, tais são as incertezas e os escolhos que procuro contornar. Mas já muita coisa se alterou e o jardim tem um aspecto e uma vida completamente diferentes.
Compreendi as reticências da minha amiga, ou melhor, reconheci que a não devia ter convidado, uma vez que, apesar da nossa ligação fraternal, ela tem muito mais que fazer do que almoçar com um qualquer egoísta que a pretende só para si. Talvez até nem tenha tempo para almoçar, tal o trabalho imenso que a mantém atarefada e com uma preocupação constante de tentar evitar aqueles que, à sombra da sua benevolência, não hesitarão em matá-la à primeira oportunidade. Não lhe gabo a sorte e estarei por aqui para lhe dar a ajuda de que for capaz, considerando que as minhas limitações já vão sendo significativas.
Acordei! E veio-me à memória Sophia:
Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE juntos habitamos a substância do tempo.
domingo, 24 de abril de 2022
Candeeiro
Esta é a altura em que vemos, ouvimos e lemos dissertações imensas sobre o país que o dia de amanhã, em 1974, despertou e transformou. A maior parte delas registam situações, hoje quase absurdas, que se viviam nessa altura e que, vistas a esta distância, não lembram ao diabo. Esta não foge à regra e serve apenas para a confirmar.
Outras há que, menos cuidadas ou propositadamente omissas, registam estórias para encher o olho e o ego, regra a que também esta não fugirá. Ainda bem! O país (e o mundo) não tem nada a ver com o daquela época e não é apenas por vivermos em democracia, haver partidos políticos, não termos censura nem polícia política, e existirem hipóteses (quase) iguais para todos, independentes da qualidade da madeira do berço. A vida minimamente digna ainda está longe de ser totalmente abrangente, mas mesmo os mais miseráveis vivem indiscutivelmente melhor, embora com muito caminho a percorrer.
Há coisas que, contadas hoje, parecerão da Idade da Pedra e completamente incompreensíveis para os mais novos. Se um qualquer professor se lembrar hoje de perguntar o que significa torcida, o mais provável é receber como resposta de que se trata da claque apoiante de um qualquer clube de futebol. Ninguém se lembrará, felizmente, da tira que, mergulhada no petróleo existente no "depósito" do candeeiro de vidro, garantia a iluminação de muitas das casas portuguesas, em finais da década de cinquenta do século passado. Um pequeno rodízio fazia com que a torcida subisse ou descesse, aumentando ou diminuindo a chama que dava a luz a quem da eléctrica apenas conhecia a dos candeeiros da rua, não em todas as terras e muito menos em todas as ruas.
Hoje, o candeeiro de vidro já não leva petróleo e é apenas um peça decorativa, cara, pousada sobre um qualquer móvel de recordações para visita ver.
sábado, 23 de abril de 2022
Premonições
Estamos como o burro do espanhol: agora que já estávamos habituados a usar máscara, veio o decreto que elimina a obrigatoriedade de com ela andar.
Marcelo, com a rapidez do costume, promulgou o decreto que, em consequência, se encontra em vigor. Hoje, talvez por insistência dos jornalistas, o Presidente teve uma conversa "informal" com eles e deu a conhecer que, quase de certeza, as reuniões de Guterres com o "caramelo" que manda na Rússia e quer estender o seu mando como quem estende uma toalha sobre a mesa, e também com o Presidente da Ucrânia invadida, as quais devem acontecer no início da próxima semana, irão ser determinantes para o fim da guerra. Marcelo opinou, quem pode duvidar.
Significa isto que quer a pandemia quer a guerra poderão estar em vias de extinção, tal como o lince da Serra da Malcata? Talvez. Marcelo costuma ser assertivo e antecipar tudo e o seu contrário.
Vamos ver o que acontece nos próximos dias, com a esperança de que, desta vez, Belém acerte em cheio nas duas, promulgação e palpite.
sexta-feira, 22 de abril de 2022
quinta-feira, 21 de abril de 2022
Paciência
A necessidade de esclarecer a contabilização e um pedido de pagamento obrigou-me a procurar um endereço electrónico para responder, uma vez que o que me foi enviado transmitia, imperativamente, que aquele endereço não fosse utilizado para responder.
Fui à página da NET mas contactos electrónicos não existiam. Indicava-se um número de telefone para qualquer contacto.
Que desespero! Tentar saber apenas um endereço electrónico é pior que percorrer a via sacra! A chamada já leva mais de quatro minutos e continuo a ouvir um arrazoado dissertando sobre a protecção de dados e afins.
Não há pachorra! Desisto, que são horas de ir jantar, tema muito mais interessante e importante.
quarta-feira, 20 de abril de 2022
Roseira
Não aguentou a ventania. Havia sido plantada no jardim há muito, muito tempo. Talvez trinta anos, talvez mais. Era a mais antiga e ostentava algumas rosas na primavera que foi a sua última. Caiu de noite, para que ninguém visse. O vento foi implacável e aproveitou-se da sua fraqueza e incapacidade para resistir. Como tantas vezes acontece com tanta situação ...
Deixa duas herdeiras que, cheias de força e vontade, resistiram sem problemas às inclemências do tempo. Partiu a roseira mais velha, ficaram as descendentes que, juntamente com as outras que por cá moram, hão-de continuar a dar alguma beleza ao jardim.
Tudo tem o seu fim, tudo continua.



