Neste mar imensoem que me vejode nada vale o que desejoe o que penso.Na vastidão do espaçonem sequer um bocejo,um débil ponto ou sumido traço.No corpo voado que sonâmbula viagensazul e mais azul trazendoas miragensde sonho já esquecidoe que me vão doendono corpo adormecido.Neste mar imensode sal e águalutando quase me convenço,num misto de revolta e mágoa,de que nada tem sentido.Poemas num mar inquietoLino Sebastiãocordel d' prata (2024)
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
Palavras bonitas
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025
Sempre perto ...
Lá longe, onde o Sol se levanta quatro horas mais cedo e o frio da rua deve enregelar a pontinha do nariz, acordou hoje o meu neto Miguel preparado para festejar o seu nono aniversário, na companhia do mano e dos pais e com todos, por aqui, a desejarem muitos anos de vida, tão perto quanto as novas tecnologias permitem.
Teve direito a dia de folga na escola e deve ter passado um dia bem divertido. A esta hora, a festa do dia aproxima-se do fim, com a hora da caminha a chegar muito em breve. Amanhã já não haverá folga e a escola voltar-lhe-á a pedir atenção, na forma sempre excelente com que ele encara a tarefa de conhecer e adquirir mundo.
Aproveita bem, meu neto. Um dia destes vou aí dar-te aquele abraço bem apertado, sem distâncias nem tecnologias a perturbarem o nosso contentamento.
Muitos parabéns, neto querido e ... até já!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
Palavras bonitas
Partiu hoje uma das enormes, das quais já restam poucas.
A sua escrita há-de subsistir no tempo, lembrando outros tempos, negros, e buscando sempre um mundo novo, mais igual na diferença e, sobretudo, mais justo.
Maria Teresa Horta - 20.05.1937 / 04.02.2025
EXALTAÇÃOSou poeta, feiticeiraescrevo poesiaexaltadapelo excesso da paixãoprocuro a linguagemSou poetisaCassandraconto histórias devastadasinvento verbose versosludibrio e reconstruovou em busca da gramáticaPor entre temas e excessosdivido as oraçõesde freiras alumbradasSou poeta, pitonisamoro na poesiaaladanão ganhei medo às fogueirasapago-as com o regozijoe o tumulto das palavrasPoesisMaria Teresa HortaD. Quixote (2017)
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
segunda-feira, 27 de janeiro de 2025
Auschwitz
Há 80 anos, as tropas soviéticas libertaram os poucos judeus que haviam resistido à barbárie hitleriana.
Vamos lembrando, pedindo para não ser esquecido, desejando que não se repita mas ...
domingo, 26 de janeiro de 2025
Mal(h)as que o império tece ...
Aquele partido zangado e pregador, que se senta à direita de "Deus Ventura", perdeu um elemento de peso e já não tem meio cento. Agora são apenas quarenta e nove e o país vai sentir imenso essa diminuição. Por enquanto, vamos ter de conviver com esse descalabro, que talvez não fique por aqui.
E tudo isto porque, alegadamente, um ser inspirado e distraído desviou umas quantas malas das passadeiras dos aeroportos de Ponta Delgada e de Lisboa, nas múltiplas viagens de e para os Açores de que usufrui à conta do orçamento.
O homem não se explica claramente e com toda a razão. O processo está em segredo de justiça e isso rouba-lhe a memória, como toda a gente sabe. Para além disso, a presunção da inocência e o decorrer do tempo hão-de dar-lhe todas as hipóteses de lavar a honra, dispensando-lhe a inusitada tarefa de assumir o que fez. Nota-se claramente, na forma como o dito cujo explica o acontecido, que ele nunca roubou malas ... apenas umas quantas lhe acharam tanta graça que não resistiram em partilhar o seu conforto e ir com ele para a sua casinha ou, talvez até, para a sua caminha.
E continua a ser deputado da Nação, sem o mínimo de vergonha e com maior rendimento porque:
"Tem a consciência muito tranquila"
sábado, 25 de janeiro de 2025
"Trumpada"
Chapéus há muitos!
A clareza, a beleza, a actualidade e o "risco" do cartonista António, no Expresso desta semana.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
24 Janeiro
Sem números, que a matemática não é o meu forte e eles, nesta altura, (já) não são importantes.
Apenas música ... da boa!
terça-feira, 21 de janeiro de 2025
Livros (lidos ou em vias disso)
"(...) Os tamarindos, além de servirem para compotas, também tinham uma vantagem particular para ele. Chupava os frutos e guardava as sementes castanho-pretas no bolso dos calções. Uma semente, quando esfregada durante meio minuto no chão cimentado de uma sala, aquecia bué. Ele se inclinava na carteira da escola para esfregar a semente no chão sem a professora ver e, quando estava bem quente, tocava com ela na perna da colega sentada à frente. Sucedia sempre um grito da menina, pois aquilo queimava mesmo. A professora nem precisava de perguntar quem tinha feito a maldade, o próprio Santiago levantava do assento com um resignado encolher de ombros e ia se ajoelhar num canto da sala, virado para a parede. O castigo era esse, ficava durante o resto da aula ajoelhado sem nada mais ver, só a parede. Doía mais o castigo do que a queimadura leve na perna da menina? Não se podem comparar as dores. Doíam. A menina, solidária e já esquecida da maldade, depois vinha lhe perguntar se os joelhos estavam muito mal e ele dizia, não é nada, vamos correr até no muro, te ganho de dez metros. Corriam, em competição feliz. Não fazia aquilo para lhe causar sofrimento, era uma brincadeira de criança, ela sabia perdoar. Se chamava Rita e tinha muito bom feitio, sorte de Santiago, como dizia a mãe dele, cansada de ouvir as queixas da Dona Esmeralda, mãe de Rita. Porque lhe fazes aquilo, não percebes magoa? Rita não queixava na mãe, a senhora é que notava as nódoas na perna da filha e a obrigava a confessar, quem te fez isto?, sabendo muito bem qual a resposta. Perguntada a razão do crime, Santiago respondia, não sei explicar, juro mesmo sangue de Cristo, o que exasperava os pais e demais familiares. Não sabes? E ainda por cima meteres Cristo no assunto? Apanhava castigo. Mas não podia evitar, uns dias depois reincidia.
Se tudo tivesse uma explicação, era tão fácil viver. (...)"
segunda-feira, 20 de janeiro de 2025
Casa Branca
Nem o frio, o vento ou a aba do chapéu da madam conseguiram desmanchar a poupa amarelada, bem penteada que, a partir de hoje, volta a mandar no mundo.
Será a laca usada de fabrico chinês?



