quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Livros (lidos ou em vias disso)

Chama-se Livro o último romance de José Luís Peixoto e vou mais ou menos a metade da sua leitura. Apesar disso, arrisco-me a dizer que o título deveria ser Vida, num Portugal que começa (no livro) em 1948 e se prolonga até não sei quando, porque não quero ir ver (ler) o fim da história. Prefiro digeri-la, a pouco e pouco, saboreá-la: está lá muito do que eu conheci: as castas sociais e os seus desequilíbrios, a amante do padre e o filho de pai incógnito, a matança do porco e os seus rituais, o Portugal salazarento e a ida, a salto, para França, o alcoolismo, a miséria, a ignorância ...

"(...) O que seria a França? A Adelaide sabia três coisas acerca do país para onde se dirigia: na França, as pessoas tinham máquinas que faziam a lida da casa, que varriam o chão, que lavavam a loiça e a roupa, braços de ferro; na França, as pessoas só andavam de automóvel, mesmo para ir à padaria; na França, as pessoas comiam carne de cavalo cozida. Esta última informação era a que mais espécie lhe fazia, tinha pena dos bichos. Também já tinha ouvido falar da cidade de Paris, conhecia o nome, e também já sabia que os franceses falavam estrangeiro. Como iria entender-se num lugar em que toda a gente falava estrangeiro e comia cavalo? Durante as horas de viagem, coberta por lona, a fugir com o rosto aos olhares embaciados dos homens, a Adelaide apoquentava-se com estas perguntas, mas havia um pensamento que lhe fazia mais mazela.(...)

Livro
José Luís Peixoto
Quetzal (2010) 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Palavras bonitas

EM TODOS OS JARDINS
Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.
Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.
Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.
Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.

Poesia
Sophia de Mello Breyner Andresen
Caminho (2005)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Mercados

A Irlanda já fez a vontade aos mercados e pediu ajuda à União Europeia e ao FMI, tudo indicando que, para compor o ramalhete, cairá o Governo e haverá eleições antecipadas.

Segundo os analistas que tudo sabem (agora), Portugal deverá seguir o exemplo dos irlandeses, porque os mercados não nos darão tréguas.

Como não percebo nada disto e me parece que os mercados são uma espécie de "meninos irrequietos" que ninguém consegue manter sossegados, não seria bom que o nosso Primeiro lhes levasse o vídeo da sua Ministra da Educação, para ver se eles se portavam melhor?

domingo, 21 de novembro de 2010

Três em um

Uma grande canção de Chico César, um conjunto de imagens de muito bom gosto compiladas por Ruiva Misteriosa (?) e a voz, inconfundível, de Maria Bethânia, são o produto de uma "pescaria" no YouTube, no final da tarde de domingo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Quotidiano

Ficamos hoje a saber, sem grandes alaridos, que:
  • Os Hospitais do Serviço Nacional de Saúde deviam, em Outubro, 1.034 milhões de Euros à indústria farmacêutica e que o Centro Hospitalar das Caldas da Rainha demora, em média, dois anos e meio a solver os seus compromissos. Tenho um amigo, ilustre comerciante desta praça, que, já há muitos anos , só fornece o CHCR com dinheiro na mão ...
  • O Presidente da Câmara de Guimarães vai propor a redução de 30% dos salários dos membros do Conselho de Administração da Fundação Guimarães Capital da Cultura, o que significa um enorme esforço, tendo em conta que a base de partida se situa bem acima dos 10.000,00 Euros mensais. Tenho um amigo, no Canadá, que, aquando da divulgação dos salários que agora irão (?) ser objecto de ajustamento, me enviou um mail intitulado "É fartar vilanagem" ...
  • Os dois blindados comprados para a PSP utilizar na cimeira da NATO que amanhã acontece por cá, afinal não vão chegar a tempo. Nenhum amigo me disse, mas talvez tenham ficado na fronteira ou tenham sido recambiados para o país de origem, por não trazerem os documentos ...
Nada disto nos tira a motivação para sermos cada vez melhores, mais educados, mais competentes e mais solidários. A depressão colectiva que estava latente, por causa do défice, da dívida externa, dos mercados nervosos e da possível entrada do FMI sem convite, desapareceu sem deixar rasto, aguardando-se que regresse das mini férias, após a tolerância de ponto de amanhã.
E tudo isto porque a Selecção Nacional de Futebol, tranquilamente treinada pelo "bestial" Paulo Bento, que substituiu a "besta" do Carlos Queirós, "deu" ontem 4 a zero à Espanha campeã da Europa e do Mundo e, verdade se diga, só não foram tantos como o meu Benfica trouxe do Porto porque o árbitro não quis ...

sábado, 13 de novembro de 2010

Palavras bonitas

MANHÃ CINZENTA

Ai madrugada pálida e sombria
em que deixei a terra dos meus pais ...
e aquele adeus que a voz do mar trazia
dum lenço branco, a acenar no cais ...

O meu veleiro - era de espuma fria -
levava-o o fervor dos vendavais.
À passagem gritavam-me: onde vais?
Mas só o meu veleiro respondia.

Cruzei o mar em direcções diferentes.
Por quantas terras fui, por quantas gentes,
nesta longa viagem que não finda.

Só uma estrada resta - mais nenhuma:
na Ilha que o passado envolve em bruma,
um lenço branco que me acena ainda ...

O sol nas noites e o luar nos dias
Natália Correia
Círculo de Leitores (1993)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Três pianos

Porque hoje foi um dia cansativo, apeteceu-me colocar nove minutos de boa música, por três grandes intérpretes portugueses, junto e ao vivo no CCB.

Apesar de tudo, ainda se fazem coisas muito bonitas em Portugal ...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Palavras bonitas

SONETO
 
Amor desta tarde que arrefeceu
as mãos e os olhos que te dei;
amor exacto, vivo, desenhado
a fogo, onde eu próprio me queimei;
amor que me destrói e destruiu
a fria arquitectura desta tarde
- só a ti canto, que nem eu já sei
outra forma de ser e de encontrar-me.
Só a ti canto que não há razão
para que o frio que me queima os olhos
me trespasse e me suba ao coração;
só a ti canto, que não há desastre
de onde não possa ainda erguer-me
para encontrar de novo a tua face.

Poesia
Eugénio de Andrade
Fundação Eugénio de Andrade (2000)

sábado, 6 de novembro de 2010

Crise e fome

Cumpridos os rituais de sábado - praça, almoço, "sestinha", flores - sento-me a ler o Expresso, também ele um ritual .
Televisão sintonizada no Mezzo, tenho em fundo Jazz num concerto do Jazz in Vienne 2010 (Liz Comb).
O Expresso actualiza-me as últimas sobre o orçamento, a crise, os arrufos e os entendimentos, os ditos e os seus contrários, o BPN, o BPP, as taxas de juro, as constantes indisposições dos mercados, o processo do homem da Protecção Civil que parece ter passado "a mão pelo pudim", etc., etc.. Nas páginas centrais do primeiro caderno surge, frio, o desenvolvimento da manchete: há escolas que vão passar a abrir ao fim de semana e nas férias para poderem minorar a fome de muitos dos seus alunos.
A música torna-se desagradável, o sofá desconfortável, o arrepio percorre-me o corpo.
Não foi este o país sonhado na época em que o sonho "comanda a vida".
Quase quarenta anos depois, interrogo-me: poderia e deveria ter feito mais para impedir que a incompetência, a selvajaria, a ausência de princípios e valores tomassem o poder e dele fizessem a sua "quinta", colhendo toda a "fruta" e deixando a grande maioria apenas à mercê dos caroços que os "iluminados" deitam fora?
Não sei a resposta ...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

LP's, CD's e MP3

Na noite passada estive a converter alguns CD's para MP3 para, com uma simples "pen", fazer chegar algumas dezenas de canções a quem, sobre elas, manifestou interesse.

De entre os CD's convertidos contavam-se alguns de Gal Costa que, lembrei-me hoje, não coincidiam com alguns discos de vinil que fazem parte do "antiquário". A memória, por vezes, já vai traindo, mas a lembrança de um velho LP (era assim que se designavam os albuns de vinil) com uma capa muito sugestiva, estava bem fresca.

Fui à procura do "India" (gravado em 1973) e não o consegui encontrar nas "catacumbas".

Andará por aí ...

Fica a música que dá título ao álbum, sacada do Youtube, com a sugestiva capa a servir de suporte.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Palavras bonitas

APOCALIPSE
 
É o cavalo do tempo a galopar ...
Ninguém pode detê-lo.
Vê-lo,
é ver, a sonhar,
um relâmpago a rasgar
o céu dum pesadelo.
Deixa a desolação por onde passa.
Torna os sonhos maninhos.
Desmente os adivinhos
que, na divina graça
de feiticeiras alucinações,
prometem duração às ilusões.
Besta infernal,
com asas de morcego
e raiva desbocada,
largou do prado onde pastava ausente,
e corre, corre, em direcção ao nada,
única direcção que a fúria lhe consente.

Câmara Ardente
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1995)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Livros (lidos ou em vias disso)

Numa visita relâmpago, em final de tarde, à minha amiga Isabel Castanheira (as tuas melhoras), da Loja 107, comprei e comecei a ler, enquanto esperava ser atendido para uma consulta médica de rotina.

Vou no quinto dia - 25 de Março de 2007 - com uma vontade enorme de continuar, sem paragens, para desvendar o muito que lá está. Não é possível. O tempo é pouco e a leitura exigente, num vai e vem constante para entender e digerir, sem pressas que o caminho certo é de difícil descoberta, mas entusiasmante quando se descobre a linha.

"(...) a hera a crescer na varanda não pareceu entusiasmar-se quando o tio o ensinou a andar de bicicleta entre o castanheiro e o portão trotando-lhe ao lado a equilibrar o selim

- Pedala

o tio exausto lá para trás e ele sozinho direito à garagem sem conseguir travar, a garagem subitamente enorme e o tio distintíssimo

- Pára

ultrapassou um canteiro, um segundo canteiro, o médico

- Vamos explorar as hipóteses

e ele contente embora a incisão principiasse a maçá-lo, isto é não dor ainda, a vizinhança da dor, o que em algumas horas se tornaria dor, impossível de travar como a bicicleta apesar dos gritos do tio, uma raiz desviou o pneu da frente e não o portão agora, um pilar de granito com um vaso em cima, o avô distraído com o rato de chocolate não o via da sala, chinelos cuja existência desconhecia, o avô sempre calçado até então, (...)"

E chega, para aguçar o apetite.

Sôbolos rios que vão
António Lobo Antunes
D. Quixote (2010)

domingo, 17 de outubro de 2010

Foz do Arelho

Sendo certo que olhos que gostam vêem diferente, a rotina de ir olhar a Foz é sempre quebrada por surpresas do mar, do tempo, da paisagem, resultantes de variadíssimos factores, quiçá, até, da disposição que se leva.
Hoje o nevoeiro apresentava-se de norte para sul, ou melhor, para quem conhece bem, do mar para a lagoa, ao contrário do que normalmente acontece, quando se tem um sol radioso na lagoa e o mar envolto naquele enorme “capacete” que nem o deixa ver.
O Sol já convidava ao passeio e havia no areal uma exposição de arte contemporânea a não perder. Uma série de instalações, em diversos materiais, onde predominavam as canas mas onde se podiam distinguir outros tão diferentes e banais como chinelos, sapatilhas, garrafas (de plástico e de vidro), bóias, troncos de árvores, embalagens de iogurte, latas de sumos, num conjunto de obras que, embora não tendo autor identificado nem título, se presumia serem da autoria conjunta do mar e da lagoa e se chamarem Desleixo.
Ainda bem que, certamente por causa da crise, não existirá capacidade financeira (ou de decisão?) na Junta de Freguesia nem na Câmara Municipal para mandar retirar aquilo.
Perder-se-ia a oportunidade de ver obras de grande qualidade estética e ficava-se, de novo, com possibilidades de passear descalço pela praia …




sábado, 16 de outubro de 2010

Inveja

Sou um invejoso!
Padeço de um mal muito comum no nosso país, que afecta muito mais portugueses do que a bactéria helicobacter, o cancro do colo do útero, a doença dos pézinhos, o reumático ou a rinite dos fenos. Porém, a minha inveja não provoca a reacção mais habitual de que os outros têm sempre o melhor carro, a mulher mais bonita e o melhor emprego apenas porque nasceram com o dito virado para a Lua ou foram bafejados com uma "sorte do caraças".
A minha inveja resulta daquilo que outros fizeram e que eu muito gostaria de ter sido, antes, capaz de conseguir. Esta semana, no Expresso, (não sou accionista) vêm insertos textos que me causaram um ataque do mal de que sofro, dos quais destaco algumas partes:
Henrique Monteiro - Sócrates, a fonte do problema
Aqui há um mês e meio, o Governo acusava o PSD de querer acabar com o Estado Social. Ontem, apresentou um Orçamento do Estado que o destrói. As coisas têm de ser vistas no real e não nos discursos - a retórica, a habilidade, a falsa promessa, a demagogia, o ataque soez (e lamento não me lembrar de mais palavras dizíveis) que então campearam eram injustificados.(...)
Nicolau Santos - Um sangrento massacre fiscal
Pode-se justificar com o estado de urgência em que se encontra o país, com a pressão dos mercados, com o aperto em matéria de financiamento em que se encontram os bancos e a República. Mas a proposta de lei sobre o Orçamento do Estado para 2011 só pode ser classificada como um saque brutal à bolsa dos contribuintes, um tsunami que arrasa toda a economia à sua passagem, uma bomba atómica que levará milhares de empresas a fechar as portas e milhões de cidadãos a passarem a viver bem pior a partir do próximo ano.
Além disso, é um Orçamento sem esperança.(...)

Miguel Sousa Tavares - A lição do Chile
Um a um, vou vendo sair os mineiros das profundezas do Atacama: duas madrugadas e grande parte de um dia de televisão sempre ligada, fascinado com essa extraordinária oportunidade de seguir em directo, a milhares de quilómetros, a extracção, corpo a corpo, de 33 condenados à morte de encontro à superfície, à luz e à vida. O mundo inteiro esteve, em diferentes fusos horários, preso desta transmissão televisiva planetária, que é daquelas que ficará para sempre na nossa memória, como as da chegada à Lua ou do início da Guerra do Iraque, em directo. A transmissão foi preparada ao pormenor e teve imagens inesquecíveis, como a da agulha progredindo num mostrador, da esquerda para a direita, à medida que a Fénix ia fazendo cada uma das suas ascensões ao longo dos 700 metros de túnel. Ou as fantásticas imagens recolhidas no interior do próprio abrigo, de onde a Fénix partia, desaparecendo no buraco perfurado na rocha para uma viagem que, de facto, tinha toda a carga simbólica e quase física de um parto.(...)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Palavras bonitas

Sê como és: o sol é bom,
o ar vivaz.
Do azul aos azuis, do verde aos verdes,
a terra é menina e o tempo rapaz.
Também tu és menina
(um bichinho rebelde, de tão natural!)
e correr descalça era mesmo o que querias,
mas seria indecente nesta capital ...
E enquanto, doutro verde possuído,
em versos me explico, bem ou mal,
à primavera corres, já descalça,
por uma relva ideal!

Tomai lá uma Antologia
Alexandre O'Neill
Círculo de Leitores (1986)

domingo, 10 de outubro de 2010

Foz do Arelho

O mar vai voltar a fazer das suas e a demonstrar quem por ali manda?
Hoje estava assim, no final da tarde. Aguardemos ...



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quotidiano

Num dia que começou atribulado, com pouco mais de oitenta quilómetros percorridos em quase três horas, por uma auto-estrada com obras que nunca mais terminam, com a chuva a misturar-se com o pó e a fazer uma estranha "papa" que alimenta os acidentes, com o "senhor" do rádio a dizer que o trânsito está parado no IC 19, no nó de Frielas, na A5, no viaduto do Feijó, etc.,  e a recomendar aos "senhores" condutores que conduzam com a máxima precaução (necessária para não dar um toque no da frente, quando se distende, por momentos, o pé que está no travão), segue um número inacreditável de veículos a passo de caracol.

No final da jornada, cansativa e longa, a mesma dança, com a chegada a casa atrasada com mais acidentes, numa altura em que a noite, sem ser ainda velha, já tinha passado há muito a adolescência.

Valha-nos ser quinta-feira, dia em que Vargas Llosa foi distinguido com o Nobel da Literatura, prémio que ainda não foi desta que contemplou António Lobo Antunes. Talvez seja melhor assim, não fosse dar-se o caso de o marketing do Nobel tirar o tempo ao nosso escritor para nos oferecer os, como ele diz, nossos livros - entregar-nos-á outro ainda este mês - e as crónicas com que, quinzenalmente, nos delicia na Visão. A desta semana, conta a história de um cabo ferrador que cumpriu serviço militar em Chaves e termina assim:

" (...) - Tenho dormido num degrau, sabia?

levantou-se da cadeira e foi-se embora, aposto que sem pensar em Chaves, nos montes, nas gajas, todo inteiro no interior de uma incomodidade com picos que o atormentavam, o filho morto em criança, a mulher ida com um caixeiro viajante, os duzentos euros, a sopinha. Mas havia de acabar por animar-se

- Isto já passa amigo

porque não há azares que um cabo ferrador como deve ser não aguente, em sentido para o toque a silêncio, que nos mexe a todos por dentro e é o mais bonito que existe."

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ciência em alta

Numa altura em que Portugal vive deprimido, a braços com a crise, a antipatia dos mercados financeiros, a eventual saída do euro, os arrufos dos líderes dos dois maiores partidos, o calculismo do Presidente da República, o pessimismo de Medina Carreira, o optimismo de José Sócrates, o flagelo do desemprego e muitos mais casos que nem vale a pena enumerar, é bom ver surgir algo que, no futuro, trará competência e prestígio ao País e contribuirá para que o sofrimento de quem perde a saúde possa ser minimizado, independentemente das capacidades financeiras que a crise lhe dê ou lhe tire.
Não conheço Leonor Beleza nem com ela tenho ou tive qualquer afinidade, mas dá prazer ver a vontade e a felicidade que transparece daqueles olhos e das suas palavras.
Estou convicto que o Centro de Investigação para o Desconhecido, da Fundação Champalimaud, entrará na História em 2010 pela mesma porta que a Fundação Gulbenkian abriu em 1969 - a do êxito e do respeito de todos. 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Palavras bonitas

Nos 100 anos da República, que hoje se comemoram, sempre com a esperança de que os seus ideais se mantenham bem vivos e que, apesar dos escolhos e da falta de capacidade de alguns "pedreiros", a razão e o interesse de todos se sobreponha, sempre, às mesquinhas conveniências de cada um.

HINO À RAZÃO

Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece,
É a voz dum coração que te apetece,               
Duma alma livre, só a ti submissa.

Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.

Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,

Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

Sonetos
Antero de Quental
Ulmeiro (1994)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

É assim ...

... não melhorou e já não regressa à casa que foi sua durante quase treze anos.
O tumor a que foi operado há alguns anos tinha deixado sementes e estas disseminaram-se por vários orgãos. Estava "minado" pelo cancro.
Já não há mais "vamos ao jardim, cão velhote".