Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
domingo, 7 de agosto de 2011
Cidadania
Palavras bonitas
UM DIA
Um dia, mortos, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados, irreais,
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais, na voz do mar,
E em nós germinará a sua fala.
domingo, 31 de julho de 2011
Venda do BPN
domingo, 24 de julho de 2011
Província
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Neto II
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Palavras bonitas
DIÁLOGO
Pergunto ...
Mas quem me poderia responder?!
Tu não, rio sem asas,
Que permaneces
A passar ...
Nem tu, planeta alado,
Que pareces
Parado
A caminhar ...
Humano, só de humanos meus iguais
Entendo a fala,
Os gestos
E o destino.
E esses, como eu,
Olham a terra e o céu,
Os rios e os planetas,
E perguntam também ...
Perguntam, mas a quem?
Orfeu Rebelde
Netos
terça-feira, 5 de julho de 2011
Crise
sábado, 2 de julho de 2011
Palavras bonitas
PÓRTICO
Aqui começa a nova caminhada.
Se a levar ao fim, darei louvores a Deus,
Como meu Pai, ao despegar
do dia ganho.
Não por haver chegado,
mas ter acrescentado
um palmo de ilusão ao meu tamanho.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Quotidiano
Parece haver uma nova linguagem, mais clara, mais determinada, sem rodeios.
domingo, 19 de junho de 2011
Quotidiano
"... A minha avó paterna, analfabeta, veio, aos quarenta e tal anos, de Resende para o Porto. Criou-me, teve um impacto muito forte em mim ..."
"... Depois, foi a literatura à porta. Sentia-me intimidado por entrar em livrarias. Era um mundo reservado a outras pessoas, achava que se entrasse me punham fora ..."
" ... Mas havia um lado B, mais ou menos obscuro. «O gajo é dos que lê livros», estás a ver? Dava-me um ar suspeito."
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Homem prevenido
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Quotidiano
terça-feira, 24 de maio de 2011
Palavras bonitas
NOITE PERDIDA
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sem descansar um momento,
Sempre a cantar, sem dormir,
Absorto no pensamento
De ver uma rosa abrir ...
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sempre a cantar, sem dormir.
Mas o mísero - coitado!
Cantando tão requebrado,
Com tal cuidado velou,
Que adormeceu de cansado,
E os olhos tristes cerrou
No minuto, no momento
Em que ao luar e ao relento
A rosa desabrochou ...
Coitado do rouxinol!
Com tal cuidado velou
Do pôr ao nascer do sol
E tanto, tanto cantou,
A noite inteira ao relento,
Que de fadiga e tormento,
Sem descansar, sem dormir,
Fecha os olhos, perde o alento,
No minuto, no momento
Em que a rosa vai abrir ...
Coitado do rouxinol!
sábado, 14 de maio de 2011
Opinião e um poema
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba – o ar –
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.
domingo, 8 de maio de 2011
8 de Maio
Se não tivesse partido, a minha mãe completaria hoje a oitava capicua da sua vida.
Ficamos sempre incompletos ...
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Aniversário
De manhã, bem cedo, uma visita ao quarto para entregar a primeira obra, feita às escondidas: "é uma surpresa, vô!"
25 de Abril
sábado, 23 de abril de 2011
Ruivaco do Oeste
segunda-feira, 11 de abril de 2011
FMI
sábado, 2 de abril de 2011
Crise, geração e futuro
segunda-feira, 28 de março de 2011
Orgulho
segunda-feira, 21 de março de 2011
Palavras bonitas
LIBERDADEAi que prazerNão cumprir um dever,Ter um livro para lerE não o fazer!Ler é maçada,Estudar é nada.O sol doiraSem literatura.O rio corre, bem ou mal,Sem edição original.E a brisa, essa,De tão naturalmente matinal,Como tem tempo não tem pressa …Livros são papéis pintados com tinta.Estudar é uma coisa em que está indistintaA distinção entre nada e coisa nenhuma.Quanto é melhor, quando há bruma,Esperar por D. Sebastião,Quer venha ou não!Grande é a poesia, a bondade e as danças …Mas o melhor do mundo são as crianças,Flores, música, o luar, e o sol, que pecaSó quando, em vez de criar, seca.O mais do que istoÉ Jesus Cristo,Que não sabia nada de finançasNem consta que tivesse biblioteca …Fernando PessoaEM TODOS OS JARDINSEm todos os jardins hei-de florir,Em todos beberei a lua cheia,Quando enfim no meu fim eu possuirTodas as praias onde o mar ondeia.Um dia serei eu o mar e a areia,A tudo quanto existe me hei-de unir,E o meu sangue arrasta em cada veiaEsse abraço que um dia se há-de abrir.Então receberei no meu desejoTodo o fogo que habita na florestaConhecido por mim como num beijo.Então serei o ritmo das paisagens,A secreta abundância dessa festaQue eu via prometida nas imagensSophia de Mello Breyner AndresenMIRADOIROCom tristeza e vergonha enternecida,Olho daquiA ponte das palavrasQue construíSobre o abismo da vida.Sonhei-a;Desenhei-a;Sólida até onde pude,Lancei-a como um salto de gazela:E não passei por ela!Vim por baixo, agarrado ao chão do mundo.Filho de Adão e Eva,Era de terra e trevaO meu destino.E cá vou como um pobre peregrino.Miguel TorgaO SAL DA LÍNGUAEscuta, escuta: tenho aindaUma coisa a dizer.Não é importante, eu sei, não vaiSalvar o mundo, não mudaráA vida de ninguém – mas quemÉ hoje capaz de salvar o mundoOu apenas mudar o sentidoDa vida de alguém?Escuta-me, não te demoro.É coisa pouca, como a chuvinhaQue vem vindo devagar.São três, quatro palavras, poucoMais. Palavras que te quero confiar.Para que não se extinga o seu lume,O seu lume breve.Palavras que muito amei,Que talvez ame ainda.Elas são a casa, o sal da língua.Eugénio de Andrade
domingo, 20 de março de 2011
Livros (lidos ou em vias disso)
Canto VIII - 28A hipocrisia, por exemplo, é das velharias maisdifíceis de o homem se livrar; apegou-se ao homemcomo o lixo ao trapo já sujíssimo de pó.Conhecer crápulas, diga-se, não é uma raridade:normalmente são mansos, entram discretoscomo empregados de mesa de restaurantesde luxo e acabam a tentar degolarquem acabou de adormecer. (...)
Primavera
Está a chegar e, de acordo com o calendário, isso vai acontecer amanhã.
Entretanto já as flores, as árvores, a paisagem ganharam as cores e a luz que nos deliciam.
domingo, 13 de março de 2011
Fim de semana
domingo, 6 de março de 2011
Palavras bonitas
Mas a natureza também aparece, e muito,
nesta viagem.
O vento, por exemplo, que poderá parecer
elemento neutro,
que distribui os ligeiros incómodos por ricos
e pobres,
mas na verdade é apenas hábil:
nos fracos provoca frio e nos fortes é leve brisa que
acalma o calor excessivo.
Canto I - 91
Um dos cobardes, numa recaída afoita
que até o mais medroso tem,
pegou ainda, durante a fuga, numa forte pedra,
mas com a má pontaria, que nervos excessivos
sobre as omoplatas e o cotovelo provocam,
acabou por acertar em cheio
na praticamente vazia cabeça do velho pai.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Tributo à minha mãe
são os anos que passaram.
Tantos quantos são os dias
das muitas semanas em que me deste
o melhor.
Sete são as cores do arco-íris
com que pintaste o quadro
de uma vida tão cheia quanto dura
por vezes até madrasta.
Sete são as notas de uma música
de valores
que me ensinaste a tocar
tão bem. (aprendi?)
São incontáveis as horas
de sono que te roubei
sem saber.
E não consigo contar
as outras, que, bem sabendo,
te deixei bem acordada.
Recebi, em paga disso,
uns ralhetes disfarçados
uns escudos escondidos
uns conselhos murmurados
que ficaram
cá bem no fundo de mim.
Foste assim ... e não me esqueço.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Livraria 107
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Tributo
domingo, 20 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Inverno
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Que parva que eu sou ...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Palavras bonitas
PERDASFaltam sombrasà minha porta.Quando a noite desce,o Joaquim já não vemespreitar a maré.Um ataque deixou-ocom o lado direitoesquecido e morto.Ergue-se a manhãe a Natália, que o não larga da mão,não vem beber a malga do café à beirada.Um dia, também, não estarei maispara registar as perdas.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Manifesto, revolta ou realismo
Já antes tinha "postado" sobre os Deolinda.
Aquando do primeiro trabalho apresentado e após um excelente concerto nas Caldas, disse o que me ia na alma aqui.
Dois anos depois, por alturas do lançamento do segundo CD, voltei a manifestar-me aqui.
Agora, enquanto se aguarda um novo trabalho discográfico, aparece outra surpresa deste grupo, que transporta ar fresco e qualidade musical, juntando a isso letras incisivas, que espelham criticamente o que vai por cá, numa demonstração de que, afinal, há jovens com espírito, irreverência e qualidade, que nos cabe escutar e que merecem ser ouvidos.
Dos recentes concertos ao vivo, mais um "hino" dos Deolinda:
Sou da geração casinha dos pais,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração vou queixar-me pra quê?
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Holocausto
domingo, 23 de janeiro de 2011
Decisão
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A crise e a realidade (com ironia)
sábado, 15 de janeiro de 2011
Fernão Capelo Gaivota
sábado, 8 de janeiro de 2011
Palavras bonitas
LETREIRO
Porque não sei mentir,
não vos engano;
Nasci subversivo.
A começar em mim - meu principal motivo
de insatisfação -,
Diante de qualquer adoração,
ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
de cada paraíso.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Palavras bonitas
OLHOS DE SERPENTE
Os teus olhos de serpente
são os únicos representantes
da tua formosura oh linda
o teu cabelo serve de cortina
para te cobrires para que
não te descubra, amor
mas eu vou abrir a tal cortina;
És muito bonita que até
as borboletas te conhecem
e dizem que roubaste a beleza
da rainha borboleta, amor
e então que encantas tanto, amor.
Esses olhos são para mim
luzes para zigue-zagues caminhos
dás-me a mão para que eu não caia
tragas a tua beleza toda para
os passos da minha vida, amor.
A "doença prolongada" levou mais um grande nome da cultura, ontem, no Porto.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Rotinas
Chegou o Ano Novo, que trouxe consigo as rotineiras formulações de votos para que haja muita saúde, paz, harmonia; que as guerras acabem, que a fome desapareça, que aconteça mais solidariedade, que as pessoas se entendam. As mensagens chegam pelas mais diversas vias: SMS, correio electrónico, de viva voz, nos discursos do poder e no poder das entrevistas, etc, etc..
Apesar da sinceridade destes votos não dever, na sua grande maioria, ser posta em dúvida, daqui a doze meses estaremos a fazer o balanço e, infelizmente, iremos encontrar um aumento do desemprego, do número de pessoas para quem a fome é visita de casa, dos que não têm casa nem sequer para essa visita, das convulsões sociais e, inevitavelmente, da criminalidade.
Cá estaremos para constatar a evolução e o comportamento de 2011 para, quando ele partir, lhe cobrarmos o que não nos deu e perspectivarmos, de novo, um 2012 cheio de paz, harmonia, solidariedade e progresso.
Valha-nos a rotina da Foz, que continua e continuará bonita e a convidar para um mergulho, que a falta de coragem não deixou, hoje, concretizar.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Presidenciais
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Ironia do destino
De acordo com as notícias de hoje, o Governo vai:
- capitalizar o BPN, injectando-lhe mais 500 milhões de euros do erário público;
- adiar a venda, por não haver interessados;
- substituir a actual administração, oriunda da CGD, por outra que, nos próximos anos, crie condições para o Banco ser, de novo, posto à venda.
Os problemas que afectam, nesta altura e por todo o mundo, a actividade bancária, não são de molde a encontrar muita gente disponível para um fardo destes, ainda por cima com a missão de "engordar o porco", para que possa ser vendido quando o negócio se tornar interessante e o mercado apresentar interessados.
Por isso, talvez fosse melhor o Governo não se cansar a procurar muito e voltar a chamar Oliveira e Costa e Dias Loureiro para retomarem as rédeas do Banco.
- Os aqui propostos conhecem o Banco e os seus problemas melhor do que ninguém;
- Têm uma excelente carteira de contactos, em Portugal e no estrangeiro, que lhes permitiriam recuperar rapidamente os clientes interessantes, que abandonaram o Banco aquando da intervenção do Estado;
- Estão de licença sabática há muito e, por isso, terão tido tempo bastante para estudar as regras prudenciais de gestão que a actividade envolve e necessita.
sábado, 18 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
Crise e inteligência
domingo, 5 de dezembro de 2010
Livros (lidos ou em vias disso)
Acabei de ler ... e confirmou as expectativas.
Termina assim:











