quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Imagine

Com o Natal a chegar e o mundo cada vez mais a complicar. é bom recordar ... a mensagem de um sonhador.
"(...)
You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one.
John Lennon (1971)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Quotidiano

Fim de semana com dois dos netos a dormirem na Casa. Para o mais novo foi a primeira vez que partilhou a(s) noite(s) connosco.
A logística alterada, os hábitos modificados, as conversas "infantilizadas", tudo com a finalidade de obter gargalhadas e boa disposição, sem choros ou rabugices. 
Tudo correu lindamente e ontem, depois do jantar, regressaram ambos ao conforto das suas caminhas habituais e aos mimos dos pais ... quentinhos e inteiros!

Hoje, ainda antes das sete, sentei-me no carro e iniciei mais uma viagem para a "civilização". 
Havia uns restos do aguaceiro tremendo, que pouco tempo antes, desabara na cidade. 
A Rua Manuel Mafra parecia um ribeiro à procura da foz para desaguar. No passeio, um jovem pai empurrava o carrinho do  bebé, com ele (ou ela) talvez ainda a dormir, protegido da chuva pelo plástico. De onde viria? Qual o seu destino: casa dos avós, ama, infantário não, era demasiado cedo. Se viesse outro aguaceiro, o plástico suportaria? O pai conseguiria que o guarda-chuva impedisse a água de lá chegar? Àquela hora, quantos bebés circulariam no mesmo "meio de transporte"? 
As perguntas fizeram-me companhia até Lisboa mas, pelo menos no meu caminho, o tempo melhorou!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Nobel da Literatura

Pôs-se a Caminho ...

Na Viagem a Portugal ter-se-á Levantado do Chão na Jangada de Pedra nascida no Ano da Morte de Ricardo Reis, Todos os Nomes ensaiados com Lucidez, para o Homem Duplicado pregar O Evangelho segundo Jesus Cristo, utilizando O Memorial do Convento para dissertar sobre As Intermitências da Morte.

Na Terra do Pecado dirá os Poemas Possíveis Deste Mundo e do Outro, como se fossem A Bagagem do Viajante escrita segundo o Manual de Pintura e Caligrafia e contando a História do Cerco de Lisboa.

Hoje é dia de Saramago lançar As pequenas memórias, que as grandes já por cá estavam nos Cadernos.

São oitenta e quatro anos de uma vida cheia, um Objecto quase fidedigno da história das últimas décadas de Portugal, com Provavelmente alegria da missão cumprida.

Parabéns, Saramago, com a Cegueira de quem gosta da obra.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Presidenciais americanas

O 45º. Presidente dos USA foi eleito contra todas as expectativas, todas as análises, todos os estudos de opinião, todas as evidências.
Às 3 da manhã ainda se punha em dúvida se seria possível, mas a realidade impôs-se, dura, crua e ... cruel.
O crescimento económico anunciado no discurso de vitória começará pela construção do muro do México? As portas da América serão fechadas? As mulheres voltarão a casa, para se dedicarem exclusivamente aos tachos, às panelas, aos filhos e aos maridos?  
A França terá o mesmo destino no próximo ano, elegendo a Le Pen? 
A Hungria já exultou de alegria. Não vi (ainda) notícias da Guiné Equatorial nem do maluco coreano.
Tenhamos esperança que poderá correr "assim assim". Já seria bom!
Viva a cultura das "massas"!!!

sábado, 5 de novembro de 2016

Quotidiano ... futuro?

Goste-se ou não ( e eu gosto quase sempre), concorde-se ou não ( e eu concordo muitas vezes), Miguel Sousa Tavares fala e escreve sem papas na língua, exprimindo opiniões lúcidas e fundamentadas.
Do Expresso desta semana e da sua crónica "A loucura dos povos", respigo:

"... esse Brasil que o Rio de Janeiro representa acaba de cair nas mãos da IURD. Nada menos do que 1,7 milhões de cariocas, 60% dos votantes, entregaram a prefeitura do Rio de Janeiro ao bispo da IURD Marcelo Crivella, sobrinho e criatura do próprio chefe da quadrilha, Edir Macedo. Eu não conheço Crivella, mas conheço um pouco, e suficiente, sobre a sinistra IURD e conheci, numa entrevista televisiva, esse grande vigarista da fé que é Edir Macedo. E conheço bem, bem demais, a querida cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Não entendo o que uma e outra coisa - o Rio e a IURD - possam ter em comum. Mas um milhão e 700 mil cariocas acharam que sim: que Deus os proteja! Que os deuses protejam os povos da sua loucura! Que nos protejam da democracia. (...)
E, acabando em beleza:
"... Julgando saber, nunca tantos souberam tão pouco sobre tantas coisas. Julgando ser livres, nunca tantos se prestaram a ser cordeiros dóceis nas mãos de todos os manipulares. Durante muito tempo, acreditei que a grande desigualdade do futuro seria, não entre os que têm ou não têm dinheiro, propriedades ou oportunidades de negócio, mas sim entre os que têm ou não têm saber, cultura, informação. E acreditei que essa desigualdade seria cada vez mais visível e determinante e irremediavelmente a favor dos que adquiriram saber e informação - por condição, por sorte ou por mérito próprio. Mas, hoje, temo um mundo ainda mais injusto e assustador: um mundo onde uma maioria de ignorantes, formados nas redes sociais, tome o poder, pelas regras da democracia, e nos imponha as suas soluções e os seus valores. Um mundo do Facebook, da "Casa dos Segredos", do "Correio da Manhã" ou de um Donald Trump em cada esquina.

Não sou tão pessimista como Miguel Sousa Tavares e (ainda) tenho alguma esperança de que o saber, a cultura e a informação serão os vencedores. 
Mas não vai ser fácil, não!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Mantenho, há muitos anos, o hábito de ler todos os dias, muito ou pouco, consoante a disposição e a disponibilidade. Tempos houve em que conseguia ler dois (às vezes mais) livros em simultâneo e não me "perdia nos caminhos". Agora já não há "paciência" para isso e dedico-me a um exemplar de cada vez.

Depois dos contos de Valter Hugo Mãe, referenciados aqui, já se sucederam mais meia dúzia de obras editadas em 2016 às quais, por uma razão ou por outra, não fiz qualquer referência e quase todas a mereciam. Estou a lembrar-me dos contos de Teresa Veiga (Gente melancolicamente louca) e de Mário de Carvalho (Ronda das mil belas em frol); de um romance de Carlos Campaniço (As viúvas de Dom Rufia), que me divertiu bastante ou do regresso de Possidónio Cachapa (Eu sou a árvore). Também não resisti à pressão do mercado e já li o primeiro volume d'A Amiga genial, de Elena Ferrante. Talvez que o Natal traga os outros três.

Neste fim de semana dei início à leitura das 574 páginas do penúltimo de António Lobo Antunes ( o último sairá esta semana, ainda não chegou à Casa mas já tirou o bilhete para a viagem). 
O que já li de "Da natureza dos Deuses" vai dando para perceber que é mais um grande livro do meu escritor favorito, que exige concentração máxima e muitas voltas atrás. Apenas para ilustrar, a descrição de um diálogo sobre uma "invasão de propriedade" intercalada com muitas outras situações, de tal forma que a conclusão surge duas páginas após o início:

"(...) a Senhora e a mãe da Senhora no sofá, pessoas no pinhal, sobre uma manta, a almoçarem, a mãe da Senhora chamou o empregado de casaco branco
     - Quem é aquela gentinha Marçal?
o empregado de casaco branco a espreitar a janela
     - Parece que estão a comer minha senhora
(...) a mãe da Senhora para o empregado de casaco branco
     - Diga-lhes que não os quero ali porque aquele pinhal é meu
(...), o empregado de casaco branco contornou os canteiros, a estufa, o par de árvores da China na orla do jardim, abriu a cancela para o pinhal, abeirou-se da manta da família, com cestos, marmitas, talheres, apontou o reposteiro onde a mãe da Senhora e a Senhora o espiavam, falou, ouviu, tornou a falar, tornou a ouvir, uma criança ofereceu-lhe uma coxa de galinha, um homem apontou-lhe a colher, um segundo homem tirou a coxa de galinha à criança, brandiu-a no sentido da casa e o empregado de casaco branco principiou a regressar vencido, coçando a orelha, enquanto o segundo homem gritava, o empregado de casaco branco fechou a cancela como se aferrolhasse um cofre forte, passou um discóbolo de mármore, o caramanchão, a Vénus com a sua concha ao alto, apagou-se no ângulo da estufa e surgiu na sala, a mãe da Senhora para ele
     - Falou com a gentinha Marçal?
o empregado de casaco branco numa voz prudente
     - Falei
(...), a mãe da Senhora para o empregado do casaco branco
     - Avisou-os de que o pinhal é meu e não lhes dei licença Marçal?
(...), a mãe da Senhora para o empregado de casaco branco
     - E o que responderam eles Marçal?
o empregado de casaco branco a recuar um passo, a avançar um passo, a abrir a boca, a arrepender-se, a abrir a boca de novo, o empregado de casaco branco, no fim de uma pausa interminável, a conseguir um murmúrio
     - Responderam que
a mãe da Senhora, imperiosa
     - Assim não o oiço Marçal
e o empregado de casaco branco, de repente decidido, todos temos que morrer, não é, cerrando os olhos diante do abismo e a precipitar-se nele de voz cheia
     - Responderam que querem que se senhora se foda. 

Da natureza dos Deuses
António Lobo Antunes
Dom Quixote (2015)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ONU

Terminou hoje o processo de eleição / designação do novo Secretário-Geral das Nações Unidas, depois de todos os candidatos terem prestado provas, ainda que um (uma) deles apenas tenha chegado para o exame final sem ter ido às "frequências" (devia ser "candidato auto-proposto").

A Assembleia Geral aprovou, por unanimidade e aclamação, a nomeação do português ANTÓNIO GUTERRES para um mandato que terá início no próximo dia 1 de Janeiro e terminará em 31 de Dezembro de 2021. Durante cinco anos, um nosso compatriota terá sobre os seus ombros a difícil tarefa de compreender e facilitar o entendimento dos interesses antagónicos do mundo, promover a paz entre os povos, diminuir as tensões religiosas, étnicas, regionais, económicas e sociais.

No seu discurso, Guterres chamou a atenção para a dignidade humana (ou a falta dela), para a guerra, para a fome, para os refugiados, sublimando os dramas com que convivemos no dia a dia, num replicar da Idade Média no Século XXI.

Estou convicto que António Guterres vai tentar tudo para deixar o mundo melhor do que o encontra e que, no final do seu mandato, não irá trabalhar para um Banco ...

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Emoções

Hoje não foi a ansiedade de Paris nem o nervoso "graúdinho" de ver o tempo a passar e a bola a não entrar; não foi o "terror" de olhar para o relógio e não entender como ele demorava uma "eternidade" para chegar aos 120 minutos; não foi o pulo nem o grito, o grito ou o pulo, não no singular mas num plural sem conta, majestático porque comemorava um feito de majestades.
Hoje foi a emoção: o meu País, pelas mãos de um Presidente da República eleito por sufrágio universal, entregou medalhas aos que fizeram de Portugal Campeão Europeu de Futebol, numa jornada memorável em terras de França, que a todos nos encheu de satisfação, alegria e orgulho.
Entre os medalhados estavam o Fernando Santos, a quem me une uma amizade que dispensa quaisquer adjectivos e tem mais de 50 anos, e o meu filho, que amanhã completa 35 anos.
Ouvir o Chefe do Protocolo do Estado chamar Ricardo Miguel Cândido de Sousa Santos encheu-me (encheu-nos) tanto de orgulho que as lágrimas saltaram do saco e derramaram num "rio" selvagem e sem controlo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Foram vários (seria "pecado" dizer muitos) os livros com que me deliciei nestas férias. Do "Amor  em Lobito Bay", de Lídia Jorge ao "Macaco infinito" de Manuel Jorge Marmelo, passando por "Vamos comprar um poeta", de Afonso Cruz, por Mário Vargas Llosa (Cinco esquinas), Maria Teresa Horta (Anunciações), Pepetela (Se o passado não tivesse asas), pelos "Navios da noite" de João de Melo e pelas inquietudes das mulheres do "velho" Camilo, foram uns milhares de páginas que me distraíram, inquietaram e me deram prazer.

Quase no fim, senti-me de novo na adolescência com os "Contos de cães e maus lobos", de Valter Hugo Mãe, dos quais ficam aqui pequenos exemplos da beleza das palavras, quando são bem tratadas.

As mais belas coisas do mundo

"(...) Convenci-me que as coisas mais belas do mundo se punham como os mais profundos e urgentes mistérios. Eram grandemente invisíveis e funcionavam por sinais dúbios que nos enganavam, devido à vergonha ou à matreirice. O que sentem as pessoas é quase sempre mascarado. Deve ser como colocarem um pano sobre a beleza, para que não se suje ou não se roube, para que não se gaste ou não se canse.(...)"

Bibliotecas

"(...) Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame o direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem se esgotarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se com isso. Os livros divertem-se muito.(...)"

Contos de cães e maus lobos
Valter Hugo Mãe
Porto Editora (2015) 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Palavras bonitas

Para o meu pai, que partiu há um ano.

CERTEZA
Sereno, o parque espera.
Mostra os braços cortados,
E sonha a primavera
Com os seus olhos gelados.
É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.
Basta que um novo sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.

Diário II
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1977)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Férias

Acabaram as férias e regressaram as rotinas, por definição repetitivas, entediantes e massacrantes.
Os chinelos e os calções deram lugar às meias, aos sapatos e à vestimenta costumeira.
O "boneco" fica composto com a carteira dos documentos, umas notas no bolso das calças, a esferográfica, a lapiseira, o maço de lenços, o portátil e o pente, acessórios que estiveram inactivos nas últimas três semanas.
O identificador da Via Verde estranhou a ausência de movimento e surgiu amarelado. Foi reformado sem apelo nem agravo no caixote do lixo da empresa e substituído por um novo, pequeno mas elegantíssimo, como convém.
Quanto ao resto, tudo na mesma! 
Faltam só 157 dias (in)úteis.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Netos

Na ordem da idade, é o segundo; na cronologia dos aniversários, o Vasco é o último e faz hoje 5 anos.
Ontem, ao final da tarde, passou por aqui numa visita rápida. Ao pegar-lhe para mais um abracinho, disse-lhe ao ouvido:

- Amanhã ficas maior ...
- Não, avô, só um "cadinho"!

E lá foi, com o pai e o irmão, a correr, como tanto gosta.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

A França foi ontem, de novo, vítima da barbárie e da intolerância de alguns, que redunda sempre em prejuízo de todos.


Estou quase no fim  de um livro escrito por um autor que desconhecia e de quem nunca tinha ouvido falar. Angolano, chama-se Adolfo Maria e, no livro, pretende relatar (nem analiso se com alguma parcialidade) a realidade da vida da maioria da população angolana.

A personagem que "fala" no pequeno extracto abaixo é João Sousa, conhecido no Bairro do Cazenga como kota Medito.

" (...) medito em tudo o que aqui foi dito, medito na difícil situação que estamos a viver, medito nisto que todos do bairro estamos a fazer e que é muito importante, estamos a mostrar a nossa dignidade. Por isso, não posso aceitar propostas de violência sobre os nossos, todos estamos a sofrer e umas pessoas aguentam mais que outras. No mundo não somos iguais a reagir, só somos iguais na nossa condição de humanos, que pensam e querem ser minimamente felizes. Portanto, proponho que se fale a verdade àqueles que estão a ficar receosos; dizemos-lhes, sim senhor, que a situação é difícil, mas se conseguirmos resistir - e tem de ser todos porque isso é que dá força - se conseguirmos resistir, vamos poder ganhar a nossa causa e, depois, ter melhores tempos para todos."

Naquele dia naquele Cazenga
Adolfo Maria
Edições Colibri (2016)

O Sequeira no lugar certo


O quadro "A Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira, foi ontem colocado no renovado Piso 3 do Museu Nacional de Arte Antiga, após ter sido adquirido na sequência de uma campanha pública iniciada em Outubro de 2015 na qual foi feito o apelo para que a participação das pessoas impedisse que a obra fosse vendida a particulares ou saísse do País.
Contribuí com alguns "pontinhos" e conto, agora que iniciei as férias, dar um salto à capital para o admirar no local que lhe pertence: acessível a todos.
Feliz ideia que tal permitiu.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Euro 2016

Portugal, 1 - França, 0

Campeões, campeões, (nós) eles (somos) são campeões!!!

A emoção ainda tira a capacidade de discernir se devo pronunciar-me sobre o que ontem aconteceu ou se, pelo contrário, é preferível não exteriorizar para que não pareça querer ser "juiz em causa própria".
Portugal é Campeão Europeu de Futebol, pela primeira vez na sua história e, a essa história, ficarão ligadas duas pessoas que me dizem muito: a primeira, o grande timoneiro da nau que chegou a bom porto - Fernando Santos - a quem me liga uma amizade de mais de 50 anos; a segunda - Ricardo Sousa Santos - que é "apenas" meu filho.
Um orgulho imenso, que as lágrimas que vão surgindo a cada passo nos meus olhos, confirmam e acentuam.
Já lá vão quase dois anos e, ainda que eu não saiba da "missa metade", muito trabalho deu àquela gente toda o sucesso que ontem o País, cá dentro e lá fora, festejou efusivamente.
De parabéns estão os 23 jogadores que foram a França, os técnicos, o apoio e aqueles que, por uma razão ou por outra, não estiveram presentes neste Campeonato que foi o primeiro mas não será o último.
Ontem confirmou-se, se ainda era necessário, que a sorte dá MUITO TRABALHO!
Parabéns a todos os que planearam, executaram, compareceram, apoiaram e vibraram com esta esplendorosa VITÓRIA.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Euro 2016

Portugal, 2 - País de Gales, 0

E agora, PARIS!!!
Se por cá a alegria extravasa e atinge o país inteiro, o que sentirão os milhares de emigrantes ao verem o principal emblema de Paris com as cores do seu (nosso) País!


terça-feira, 5 de julho de 2016

Netos

E já lá vão 10 anos!
Recentemente, na festa de final do ano da Infancoop, ele e os colegas tiveram uma homenagem por terem concluído o primeiro ciclo e também por ser a despedida da escola que agora deixam.
Emocionei-me várias vezes, coisa que começa a tornar-se vulgar quando estão em causa os meus netos. Será da idade?
Não me parece, porque o Gil me apertou, muito, enquanto lia os textos de um "livrinho" que os avós tinham feito para ser colocado na sua "pasta de finalista".
No final deste Verão vai iniciar uma nova vida, mais agressiva e mais exigente, e para a qual a sua calma e ponderação será ainda mais necessária.
E vai conseguir, como sempre tem conseguido!
E eu espero vê-lo continuar a crescer, inteligente e meigo, trabalhador e brincalhão, respeitando-se a si e aos outros.
Está um homem feito, o meu neto Gil!
Parabéns.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Euro 2016

Portugal, 1 - Polónia, 1 (5-3, nas grandes penalidades)

Ontem foi (mais) uma noite de nervosismo mas, no fim, foi óptimo ver Ronaldo, Sanches, Moutinho, Nani e Quaresma marcarem, e Patrício defender a quarta grande penalidade da Polónia.
Agora, calmamente e sem ouvir os "teóricos", aguardar até quarta-feira para ver a meia-final com a Bélgica ou o País de Gales, que jogarão hoje, no final da tarde.
Está quase!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Certificate of mtDNA testing

Em Abril de 2008, a minha filha, que se iniciava na aventura da investigação, apareceu-me com uma zaragatoa, com a qual me retirou saliva da boca e da garganta. Findo esse trabalho, colocou-a num recipiente que fechou muito bem e disse-me:

- Vou mandar para um Projecto e, daqui a algum tempo, receberás as origens dos teus (nossos) ancestrais.

Assim foi. Passado algum tempo, recebi uma caixa com uma série de documentos que atestam a origem dos meus antepassados na África há 150.000/170.000 anos atrás. Especificam, também, um  percurso que sobe ao Mediterrâneo, passa pela Grécia, Alemanha, França e, nesta, aparecem três rumos: um que sobe a Inglaterra, outro que desce à Itália e o terceiro que prossegue até Portugal.
Guardo religiosamente toda a documentação numa das gavetas da minha secretária, reservada para as coisas importantes.
Hoje, o meu amigo ADS fez-me chegar o endereço do vídeo que abaixo reproduzo e no qual se demonstra que, ao contrário do que alguns pensam, afinal todos estamos mais perto uns dos outros do que muitos querem fazer crer.

sábado, 25 de junho de 2016

Euro 2016

Portugal, 1 - Croácia, 0

Ainda a quente e com o coração à procura do ritmo certo ... quando já se aguardava a lotaria das grandes penalidades, Quaresma determinou a passagem aos quartos de final.
Venha a Polónia! 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Netos

Hoje é um dia especial. Não por terem sido conhecidos os resultados do referendo de ontem no Reino Unido, que ditou a saída da União Europeia nem por ser dia de S. João.

Hoje o dia é supremo porque o meu neto DUARTE faz quatro anos, num ano que foi marcado pela chegada do mano Miguel e que lhe ficará na memória por ouvir e ver o papá cantar-lhe os parabéns através do Face Time.

Apesar deste contratempo, que se espera tenha bons resultados para contar no futuro, parabéns meu neto! 
Continua a ser meigo, irreverente, simpático, amigo, e a usufruir de tudo o que a Casa tem: dos morangos aos carrinhos de bombeiros, do baloiço ao escorrega, do Faísca ao carro dos pedais e, sobretudo, do prazer que temos sempre que por aqui entras com a tua alegria.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Euro 2016

Portugal, 3 - Hungria, 3

Ontem foi um festival de golos, alguns de encher o olho como o do calcanhar de Cristiano Ronaldo.  Duas horas de aperto, a testar o coração e capacidade de sofrimento. Por três vezes a eliminação esteve consumada e, por três vezes, a equipa lutou, deu a volta e conseguiu chegar lá.

Já depois do jogo acabado, o antigo guarda-redes do Sporting disse, numas das televisões, que dois dos golos dos húngaros tinham sido "chouriços". E foi verdade ... mas a carne era nossa!

No próximo sábado, às 20H00, e com o meu neto Duarte já um homem de 4 anos, a selecção iniciará  o jogo para eliminar a Croácia.

domingo, 19 de junho de 2016

Euro 2016

Portugal, 0 - Áustria, 0

Ontem foi doloroso e mexeu com aos batimentos do coração do "idoso".
Mesmo que o jogo durasse três horas, nenhuma bola quereria entrar. Até o pénalti do Ronaldo foi ao poste!!!
Não é sorte nem azar, é ... futebol.

Quarta-feira, às 17H00, pode ser que a cidade de Lyon seja talismã e nos ajude a ganhar aos húngaros.
Até ao lavar dos cestos é vindima!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Palavras bonitas

Pouco passa das sete e meia da manhã; o rádio está sintonizado na Antena 1, para ouvir as últimas do Euro e, logo a seguir, o espaço que David Ferreira preenche habitualmente com músicas já com algum tempo e "estórias" de discos e artistas. Hoje começa com Amália num fado que, sem qualquer dúvida, tem letra de David Mourão-Ferreira. Depois, a revelação:
- "O poeta do amor, meu pai, morreu faz hoje 20 anos."
Tão simples e tão profundo!

ESCADA SEM CORRIMÃO

É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Correm-se perigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

David Mourão-Ferreira
Obra Poética
Editorial Presença

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Euro 2016

Portugal, 1 - Islândia, 1

A "terra do gelo" demonstrou ontem, para quem ainda tinha dúvidas, que não há vitórias antecipadas, que todos os jogos começam empatados e terminam quando o árbitro apita e que o futebol não é tão exacto como a matemática. Mesmo esta, às vezes, tende para infinito.
Os arautos, teóricos, que afirmavam serem "favas contadas", dão agora as explicações longamente teorizadas sobre o que aconteceu e o que teria acontecido se ... 
Sábado há mais e a valsa vienense não nos vai embalar: a orquestra, sob a batuta do maestro Cristiano, desafinará a harmonia austríaca e mostrará que, misturando fado, fandango, vira, bailinho e muito trabalho, a música será outra!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Euro 2016


Há momentos na vida em que é impossível disfarçar o orgulho que nos vai na alma.
Ao ver esta imagem (e muitas outras que por aí circulam), surgem no écran da memória o início, a ausência (apesar do Skype), as noites mal dormidas, a ansiedade, o "terá dito tudo", "estará bem", os jogos "vistos" no computador, as notícias em grego (?!), as manifestações, a violência, a desordem social, os problemas nos estádios, a "tragédia grega" quando tudo começou há quase uma dúzia de anos.
Vai ser mais um mês de ansiedade, colado à televisão, solitário, controlando as emoções, sempre com a esperança que o grande salto final aconteça, por ti, pelo Fernando e pelo meu País que é tão grande e tão maltratado.
Amanhã partes para terras gaulesas e, por muito que me custe, tenho esperança que só regresses em Julho!
Boa viagem, meu filho!

sábado, 28 de maio de 2016

Feira do Livro

Logo pela manhã e depois de uma passagem breve pelo Mercado da Ribeira, a visita ao Atelier Museu de Júlio Pomar, para ver os trabalhos (e muitos estudos) realizados pelo Mestre, com destaque para os que ilustram a sua passagem pela "nossa" Secla e pela Cerâmica Bombarralense.

Após o almoço, o ritual de todos os anos, percorrendo a Feira do Livro instalada no Parque Eduardo VII, num dia de sol que realçava ainda mais a sua beleza. 
Umas horas e uns quilómetros depois, uma cerveja bem fresquinha numa esplanada agradável, com o Tejo lá ao fundo e o Marquês a admirá-lo.

Algumas dezenas de euros a menos, mais alguns exemplares para a "biblioteca" e, de entre eles, "O Verão de 2012", de Paulo Varela Gomes, que me faltava e era dado como esgotado. Devo um agradecimento especial à senhora da Tinta da China que, à minha pergunta, retorquiu:
     - Já não restam meia dúzia ...
E lá me vendeu um exemplar da 1ª. edição e sem ser "de bolso".
Para mim e por este ano, a Feira encerrou, apesar de os descontos serem convidativos e de, das 22 às 23H, haver 50% em todos os livros.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quotidiano

São onze e meia da noite de sábado para domingo.
No Parque D. Carlos I decorre o V Oeste Lusitano, com uma exibição de cavalos e cavaleiros, uma ginasta a mostrar quão belos podem ser os movimentos do corpo, feitos a uma altura que quase roça a folhagem dos plátanos, mais uma "sevilhana" elegante a "contracenar" com a elegância do equídeo.
As pessoas que assistem são muitas; a bancada provisória está completa e todos os espaços em volta do local das exibições estão repletos de público. Os mais baixos pouco vêem.
O miúdo terá quatro, cinco anos, no máximo. 
Agarrado às saias da mãe, reclama da injustiça de nada ver. Antes que as lágrimas disparem e os gritos aumentem, o pai, solícito, coloca-o às cavalitas. Os olhos riem-se e bate palmas de satisfação.
O pai, solícito:
     - Se te c_g_s, levas um estalo!
Brilhante!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Tinha lido algures, já não recordo onde, que o novo livro de Jaime Rocha versava a "Escola de Náufragos" da sua Nazaré.
Fiquei curioso e não descansei enquanto não o adquiri. 
Lê-se de um folgo - 86 páginas - e o retrato das agruras da vila e da sua população está sempre presente.
Acaba assim:

"O mecânico olha para ela com compaixão. Por qualquer razão ainda gosta daquela mulher, daquele corpo que uma vez o deixou entrar na sua cama como se fosse ele o verdadeiro amor, na sombra de uma única noite.

     O que vais fazer mulher, pergunta.

     Trata dele, é teu, responde ela, entre dentes.

O mecânico ainda lhe toca nas mãos, tenta segurá-la, mas ela afasta-se do beco quase em fuga. O mecânico vê-a sumir-se, devagar, como um fantasma. Quando Mateus chega, encontra-o à sua espera.

     A tua mãe foi-se embora para sempre, vai viver para o hospital.

Mateus não acredita e não diz nada. Sorriem um para o outro. O mecânico aponta para a casa.

     Entra, diz ele.

Escola de Náufragos
Jaime Rocha
Relógio d'Água (2016)

domingo, 8 de maio de 2016

Palavras bonitas

A minha mãe faria hoje 93 anos.

Nunca mais
Caminharás os caminhos naturais.

Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.

E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.

Poesia
Sophia de Mello Breyer Andresen

sábado, 7 de maio de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Um romance que discorre sobre a história da escravatura do século XIX ou uma alegoria dos tempos actuais?

Ainda não cheguei ao fim, mas estou a inclinar-me para a segunda hipótese ...

"(...) Criaturas mudas, já desistentes da vida, que olhavam o céu como se pedissem asas ou socorro a uma qualquer entidade altaneira. Seminus, lançavam-se ao comprido no chão, alguns a esconder o rosto daquelas multidões bizarras, brancas como os ossos dos urubus descarnados pelas formigas, com umas bocarras cheias de cuspo de onde saíam sons incompreensíveis e de arestas estridentes,
      entontecidos, assustadiços, ora com os altos brados dos capatazes, ora com os risos trocistas,
      se o velho arqueja, se no chão resvala,
ora com os horizontes apertados, onde as casas também tinham arestas e buracos como olhos
      (eram janelas)
e pálpebras
      (as cortinas)
monstruosos, que também os miravam do alto das colinas. Ninguém se entendia, as algaraviadas de vários tribos, tudo ao monte. O consenso geral é que estavam a ser escolhidos para banquete dos brancos. Por isso, iam os gordos primeiro. O casal por conta própria remexia na mercadoria, apalpava como que a separar a fruta bichada, reparava em sinais da tão virulenta varíola atrás das orelhas, procurava bubões debaixo dos braços, vestígios de escorbuto nas gengivas, (...) quando chegava a hora de apartá-los, desmantelar famílias, filhos para um lado e pais para outro, as mães acocoradas em cima das crias, entregando a carne das costas ao chicote para não as deixar levar, já a dupla de engordadores estava bem ciente do que pretendia. (...)"

Não se pode morar nos olhos de um gato
Ana Margarida de Carvalho
Teorema (2016)

domingo, 1 de maio de 2016

Paulo Varela Gomes

"Passos Perdidos" foi o seu último livro e um dos que, há dias e por ocasião do meu aniversário, me foi oferecido (a meu pedido, refira-se). Ainda não o li e confesso que estou com alguma dificuldade em pegar-lhe.
Paulo Varela Gomes, de quem li "Hotel" e "Era uma vez em Goa", faleceu ontem, vítima de um cancro.
Nasceu no meu ano e escrevia maravilhosamente, na minha modesta opinião.
A Granta número 5, de Maio de 2015, publicou um texto seu, datado de 10 de Abril e intitulado "Morrer é mais difícil do que parece", que hoje fui reler.
Lembro-me perfeitamente de, na altura, ter ficado com a "pele arrepiada". Hoje não cheguei ao fim ...