Hoje a página fica em branco.
Jorge Palma fez ontem 70 anos.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sexta-feira, 5 de junho de 2020
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Caça
Voltava quase todos os dias.
Alquebrado, com visíveis dificuldades de locomoção, uns óculos, com uma haste partida, na ponta do nariz, ofegante, a espingarda a tiracolo, na mão esquerda uma bengala de madeira castanha que já deveria ter servido a um seu antepassado, os sapatos cambados, calças de cotim, camisa branca e um colete preto, com costas de cetim cinzento, de cujo bolso esquerdo saía a corrente de prata do velho relógio que lhe administrava o tempo.
Atravessava o jardim, cumprimentava quem lhe surgia fazendo apenas o gesto de tirar o boné e ciciava
- Bom dia
seguindo o seu destino. Dizia-se que, no dia do casamento, teria dito à mulher, numa voz muito suave e de fraco volume
- Não gostava que alguém, nesta casa, falasse mais alto do que eu.
Nunca se lhe ouvia justificação para a vinda nem o que pretendia fazer, mas todos sabiam o destino e o objectivo.
Em marcha lenta, passava as árvores grandes que delimitavam o jardim e encostava-se ao muro que vedava o pomar. Ia andando, encostado e curvado e, daí a pouco, ouvia-se um tiro. Nunca demorava muito tempo e o regresso era feito pelo mesmo caminho.
- Já levo almoço, ciciava.
E mostrava, quase sempre um coelho, por vezes uma perdiz, mais raramente uma galinhola.
Para ele não havia época de caça. Tinha sido feitor na casa, um problema de saúde diminuíra-lhe muito as capacidades e desistira. Todos o respeitavam e ninguém lhe chamava a atenção para a ilegalidade cometida. A venatória não tentava sequer lá entrar, mesmo que, por um acaso, ouvisse o tiro.
Um dia, há sempre um dia, acabaram-se os tiros e, anos passados, os coelhos, as perdizes, as galinholas e tantos outros também deixaram de por lá aparecer.
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Livros lidos (ou em vias disso)
Chegou ontem, autografado pelo autor, depois de uma longa espera "covidiana", para quem não quis aceder à versão digital.
Não há nada que se compare ao manuseamento, apalpação, admiração, abertura ao acaso, ver a contracapa, as badanas, um conjunto de emoções difíceis de explicar, que só o livro físico possui e, depois, começar a tarefa.
Já está catalogado, fica na prateleira 14 do armário A e juntar-se-á a todos os outros do mesmo autor, mas só dentro de alguns dias. Até lá, faz-me companhia na secretária, no carro, na sala, na cama, até naquele "lugar solitário onde todo o cobarde faz força".
"(...) Se soubéssemos em crianças que era útil começar a tomar notas pouparíamos imenso tempo no psiquiatra. Bastava entrar.
- Olá, doutor, trago então aqui as gravações vídeo e áudio de tudo o que me aconteceu na infância.
- Ah sim? Ora muito bem, vamos então lá ver isso. E é tudo, tudo?
- Tudo. Tudo o que os meus olhos viram sem saber o que estavam a ver, tudo o que escutei, mesmo sem querer, tudo o que me disseram, nas exactas palavras que me disseram.
- Portanto, quando lhe ralharam ou repreenderam e assim, também? E outras coisas, enfim, mesmo mesmo desagradáveis?
- Tudo. A minha infância toda.
- Mas momentos bons também, espero?
- Sim, claro. Quer dizer, acho que sim.
- Óptimo, óptimo.
- Acha que vai encontrar as razões da minha depressão?
- Bom, não sei, uma coisa lhe garanto, normalmente estão aqui, nestas gravações do cérebro, muitas vezes em idades em que mal sabíamos falar.
- Boa. Olhe, assim sendo se calhar escuso de ficar, não é? Deitar-me no divã, fazer um esforço para me recordar do que não me recordo, você constantemente a fazer perguntas que eu acho que me resolvem o problema mas quando eu pergunto "Isto é o quê, doutor?", você pergunta de volta "e que acha você que pode ser?".
- Sim, sim, acho que sim, deixe-me as gravações e pronto, não prometo é que as veja hoje.
- Ligo depois a marcar para vir ouvir as conclusões?
- Sim, claro, ou marque ali com a minha assistente quando sair, está bem?
- Claro, até breve.
- Até breve, Margarida.
Seria tudo tão mais fácil.(...)
Rodrigo Guedes de Carvalho
Margarida Espantada
D. Quixote (2020)
terça-feira, 2 de junho de 2020
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Licença de isqueiro
Tinha prometido a si próprio que iria conhecer Lisboa antes de fazer quarenta anos e já ia nos trinta e nove.
Nas últimas semanas o trabalho havia corrido bem, tinha recebido umas massas de uns calotes já caídos no esquecimento, havia umas encomendas boas de barris novos - era tanoeiro -, era chegada a altura. Ainda por cima, as eleições do Delgado já tinham sido há um ano e a grande cidade devia estar calma.
Foi à estação saber a que horas havia comboio e, no dia seguinte, sexta-feira, apanhou o dito, pouco passava das seis da matina. O comboio já vinha do norte, mas trazia muitos lugares vagos. Ainda a máquina vinha longe e já se ouvia o barulho, imenso, e se via um fumo negro que metia respeito. Sentou-se, sem cerimónia, num banco enorme só para si.
O homem da estação apitou e, de esticão em esticão, o "bicho" ganhou velocidade tal, que nem distinguia os sítios por onde estava a passar. Por pouco tempo: primeira paragem em Óbidos, depois Dagorda-Peniche, São Mamede, Paul e Bombarral. Até aqui conhecia ele bem, sem ser preciso ler os nomes das estações e apeadeiros. A viagem prosseguia e redobrou a sua atenção aos nomes, novos para si, que iam surgindo: Outeiro, Ramalhal, Torres Vedras, Runa, Dois Portos, Feliteira, Zibreira, Pero Negro, Sapataria, Jerumelo, Malveira, Mafra, Sabugo, Meleças, Agualva-Cacém. Em quase todas as paragens entrou gente mas, na última, o pessoal ocupou todos os bancos e alguns ficaram de pé.
Sentia-se apertado, curioso e nervoso. A partir daqui o comboio só voltou a parar no Rossio, depois de ter passado pela escuridão de um túnel enorme.
Eram quase onze horas e a "bucha" da manhã ainda não tinha chegado ao seu estômago necessitado.
Toda a gente saiu do comboio a correr, via-se que tinham pressa, mas ele não. Calmamente, tentando esconder a surpresa que tudo lhe causava, desceu as escadas da estação e, chegado à rua, deu de caras com uma tasca.
- É já aqui, antes que a fome e a sede me façam desmaiar, disse alto para se ouvir e acreditar.
- Bom dia. Então o que vai ser?, perguntou o homem do balcão, com o palito na boca e o pano, sujo, no ombro.
- Dois pastelinhos de bacalhau e um copinho de branco, bom.
Saiu reconfortado.
Puxou da onça de tabaco e da mortalha, enrolou calmamente um cigarro, tirou o isqueiro do bolso e acendeu-o.
- Tem licença?
Era para ele que o polícia falava.
- Licença de quê?
- Do isqueiro, respondeu o cívico. É preciso. Se não tem, vou autuá-lo e o isqueiro reverte a favor do Estado.
Amedrontado, soube o valor da multa, pagou e voltou à tasca comprar fósforos.
Apreciou o Rossio, a Igreja de S. Domingos, a fachada do Teatro D. Maria II, viu o castelo lá no alto e seguiu, rua abaixo, até ao rio. Antes de lá chegar, deteve-se a apreciar a beleza das arcadas da Praça do Comércio e confirmou que a pata direita do cavalo de D. José é a esquerda.
Demorou-se junto ao rio, deliciou-se com a paisagem da outra banda e foi-se encaminhando para norte.
O vinho branco é diurético e a vontade apertava.
Já no Campo das Cebolas, procurou um recanto e cá vai disto ...
Um polícia bateu-lhe no ombro.
- Não tem vergonha? Está autuado!
Encolheu-se todo, perguntou quanto era a multa, meteu a mão ao bolso e deu a nota ao guarda.
O polícia, espantado com aquele comportamento, perguntou:
- Meto-lhe medo ou cheiro mal?
- Não, senhor guarda, não é nada disso. É que, há bocado, um colega seu multou-me e ficou com o meu isqueiro e eu estou com medo que agora aconteça o mesmo. O instrumento faz-me falta.
domingo, 31 de maio de 2020
Livros (lidos ou em vias disso)
O último evento público em que Luís Sepúlveda participou foi o Festival Literário Correntes d'Escritas de 2020, realizado em Fevereiro deste ano.
No regresso a Espanha, o escritor foi hospitalizado e viria a morrer em 16 de Abril passado, vítima do malfadado Covid-19.
Depositei hoje no saco dos lidos, porque me foi emprestado pelo meu amigo ADS, um pequeno livro de crónicas, editado em Portugal em 2010, onde uma delas é dedicada ao Correntes.
O verdadeiro autor de Tarzan
Há algo que toda a vida agradecerei às Correntes D'Escritas, um esplêndido festival literário que se realiza todos os meses de Fevereiro na Póvoa do Varzim: ter-me dado a conhecer estupendas e estupendos escritores de Angola, Moçambique e Cabo Verde. Antes de ter ido à Póvoa pela primeira vez, perdera essa grande literatura, os livros de Germano Almeida, Manuel Rui, Ondjaki e Nelson Saúte.
Deste último posso dizer que, em certa ocasião, visitámos juntos uma escola da Póvoa de Varzim e não sabíamos de que falar aos alunos. Para encontrar um tema comecei por dizer que estava muito contente porque a camisa que usava naquele momento tinha sido um presente de Nelson e viera directamente de Angola. Era uma linda camisa que ressumava africanidade, e isto deu uma oportunidade a Nelson, que começou a contar uma aventura na savana africana com ataques de ferozes pigmeus, missionários enlouquecidos por febres apocalípticas, lutas com leões famintos e indignados com a Metro Goldwyn Mayer, combates com elefantes de moral duvidosa, pelejas a murro com gorilas de hábitos sexuais confusos, até que chegou ao sítio onde vendiam as camisas, comprou uma, e regressou no meio de aventuras ainda piores.
Ouvi-o tão hipnotizado e perplexo como os alunos daquela escola, e concluí que o autor de Tarzan não se chama Edgar Rice Burroughs, mas Nelson Saúte, esse grande escritor que me compra camisas em Angola.
Numa outra crónica do mesmo livro - Quem é você - Sepúlveda, que se considerava também jornalista, discorre sobre esta profissão tão antiga e tão necessária mas que, nos últimos anos, tem perdido muita da sua objectividade e clareza, mais parecendo um "guisado" sem qualquer condimento, desenxabido e intragável.
(...) coube-me acompanhar Ryszard Kapuscinski, o Mestre dos mestres, quando recebeu o prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação. Enquanto passeávamos por Oviedo, Kapuscinski confessou-me o pânico que sentia sempre que era entrevistado.(...)
E aí estávamos, numa esplanada, quando se aproximou de nós uma rapariga muito jovem, bastante bonita, e se apresentou como jornalista de um canal de televisão. Pediu uma breve entrevista, dois minutos, disse, em suma, é para a televisão, acrescentou, e em seguida sacou de um pequeno espelho e compôs a maquilhagem, enquanto um colega dela assestava a câmara e outro ainda preparava o microfone para o entrevistado.
- Quem é o importante? - consultou o técnico.
A pergunta interrompeu a tarefa embelezadora da jornalista. Era, sem dúvida, uma boa pergunta,(...)
- Quem é o premiado? - perguntou, e, então, Ryszard Kapuscinski apontou para mim com um dedo acusador.
Deixei que me pusessem o microfone, o homem da câmara mostrou os dedos, quatro, três, dois, um, e a jornalista começou a entrevista, breve, em suma, é para a televisão.
- Quem é você e porque o premiaram?
Uma pergunta dupla merece uma resposta meditada, de modo que me apresentei como um escritor lituano, autor de um romance cujo argumento resumi: um homem sofre muitas traições, vai parar à cadeia, passa vários anos nas piores condições, foge, e como não esquece nem perdoa a quem o ofendeu, consagra a vida à vingança.
A jovem jornalista despediu-se, nem por um só momento se preocupou com o olhar atónito de Kapuscinski e o mais certo é que essa entrevista tenha sido vista por muita gente que tem o direito de ser responsavelmente informada, mas esse direito está em perigo, pois a precariedade em que caiu o jornalismo faz com que ninguém seja responsável pelo que se escreve, diz ou emite, salvo raras excepções, e com que sejam poucos os jornais feitos por jornalistas que, com absoluto rigor, assistem ao funeral de uma profissão tão bela quanto necessária.(...)
Histórias daqui e dali
Luís Sepúlveda
Porto Editora (2010)
sábado, 30 de maio de 2020
Quotidiano Corona
Muitas vezes me vêm à cabeça os versos de Sophia, gravados pelo então Padre Fanhais, num LP editado em 1970 e que está algures por aí, juntamente com outras preciosidades desse tempo - "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar (...) e hoje foi um dia desses.
Foi determinado o encerramento dos dois cafés existentes no Bairro da Jamaica, no Seixal, para tentar diminuir os riscos de contaminação resultantes dos ajuntamentos e da falta do distanciamento social.
Pelo que se vê nas televisões, um dos cafés não cumpriu e foi enviado um forte contingente policial para garantir que a ordem das autoridades de saúde era acatada.
Até aqui tudo normal mas (há sempre um mas) a ironia está no apelidar de "café" àquele tugúrio miserável que surgiu nas imagens o qual, tudo o indica, existirá assim há quarenta anos ou perto disso. Por certo que muitas pessoas estarão a corar de vergonha por ainda se manter uma situação daquelas, bem perto de grandes urbanizações e de uma zona ribeirinha do Tejo bem arranjada e muito bonita. Alguns dos primeiros a habitarem por ali já cá não estarão para contar as promessas, e partiram antes de o Covid chegar.
Pergunta indiscreta e estúpida: os cafés têm licença?
Pelo que se vê nas televisões, um dos cafés não cumpriu e foi enviado um forte contingente policial para garantir que a ordem das autoridades de saúde era acatada.
Até aqui tudo normal mas (há sempre um mas) a ironia está no apelidar de "café" àquele tugúrio miserável que surgiu nas imagens o qual, tudo o indica, existirá assim há quarenta anos ou perto disso. Por certo que muitas pessoas estarão a corar de vergonha por ainda se manter uma situação daquelas, bem perto de grandes urbanizações e de uma zona ribeirinha do Tejo bem arranjada e muito bonita. Alguns dos primeiros a habitarem por ali já cá não estarão para contar as promessas, e partiram antes de o Covid chegar.
Pergunta indiscreta e estúpida: os cafés têm licença?
sexta-feira, 29 de maio de 2020
Festa
Tudo tinha sido tratado e organizado até ao mais pequeno pormenor.
Primeiro seriam os aperitivos, na adega, com os convidados a circularem por entre os barris, subindo até aos lagares e visitando a zona do engarrafamento. O almoço seria servido no jardim, com as mesas, bem espaçadas, e com oito lugares cada. Os elementos de cada mesa tinham sido cuidadosamente seleccionados, separando os casais oficiais e juntando os "arranjinhos" que se sabia existirem.
Os convidados começaram a chegar por volta das 11 horas.
Na adega encontravam, enquanto a visitavam, pequenos bancos cobertos de linho branco, onde estavam pratos da Vista Alegre com pevides e pinhões, previamente descascados, tremoços e passas de uva.
Três empregados garantiam o abastecimento do "champagne" bruto, fresquinho, que iam buscar à barrica cheia de gelo em cubos, estrategicamente colocada entre dois barris dos maiores.
Os aperitivos faziam sucesso, por fugirem ao trivial croquete, rissol ou pastelinho de bacalhau. Ouviam-se comentários sobre a excelência do local e da sua aptidão para o evento. Os que já conheciam o jardim, diziam que a surpresa seria ainda maior quando chegasse a hora do almoço.
Estava representada a mais alta burguesia existente no país nos finais da década de sessenta do século passado, que se fez transportar em Rolls Royce, Jaguar, Aston Martin, Pontiac e outros da mesma craveira.
Por certo que os convidados ainda não tinham tido tempo para se cumprimentarem entre si e eis que um pedido de ajuda surge. Era necessário socorrer uma senhora que se estava a sentir mal e levá-la até à quinta, para descansar um pouco. Tinha sido, por certo, a mistura dos tremoços, pevides e pinhões, por o estômago não estar habituado a essas iguarias.
Pálida, trôpega, foi amparada até ao carro e nele entrou com muita dificuldade. A viagem foi breve, a saída do automóvel muito difícil e o percurso até um quarto disponível ainda mais, mesmo amparada por quatro braços.
Ficou vago um lugar na mesa do almoço que lhe estava destinada e nem sequer conheceu o jardim. Ao final do dia regressou a Lisboa no mesmo lugar que tinha ocupado na viagem da adega, mas desta vez no seu carro, conduzida pelo motorista e acompanhada pelo marido.
Coisas de tremoços.
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Mar - O bom e o péssimo
A época de praia está à porta e esta, de acordo com as informações disponíveis, abrirá no próximo dia 6 de Junho, com o número de pessoas fixado de acordo com o tamanho da praia (?). No caso da Foz do Arelho, a Agência Portuguesa do Ambiente prevê que possam estar 6.000 pessoas na praia da lagoa e 3.800 na do mar. Não imagino como vai ser feita a contagem mas, como sou cliente só da manhã, não devo ter dificuldade em conseguir ser um dos 3.800 ...
Ainda sem as portas abertas e sem qualquer vigilância, a praia da Foz - Mar tem dado uns dias espectaculares, com sol, sem vento e um mar apetecível, com as devidas cautelas, não vá o diabo tecê-las e surgir algum "agueiro" que crie complicações.
Apesar disso e quando menos se esperava, eis uma surpresa que a praia da lagoa hoje "ofereceu" ao meu neto Vasco: uma "queimadela" de uma caravela portuguesa, das muitas que surgiram por ali nos últimos dias, sem qualquer autorização. E fez um enorme estrago. Obrigou a uma ida ao hospital e a um tratamento que se irá prolongar por vários dias. E a perna tem um "estrago" considerável.
Não há dúvida que o mar é sempre uma caixinha de surpresas!
quarta-feira, 27 de maio de 2020
Futebol Clube do Porto em Viena - 1987
Há 33 anos, sete "marmelos" assistiram à vitória do Futebol Clube do Porto na então Taça dos Clubes Campeões Europeus, num jogo memorável realizado em Viena de Áustria, num estádio que já não existe. A final foi ganha por 2-1 frente ao Bayern de Munique, com um golo de Madjer (de calcanhar) e outro de Juary, com Artur Jorge como treinador da equipa. Jorge Nuno Pinto da Costa já era presidente do clube.
Uma viagem inesquecível, com mais de seis mil quilómetros percorridos, durante uma semana, numa Toyota Hiace acabadinha de adquirir por um dos viajantes.
Hoje, ao ouvir as notícias sobre a efeméride, lembrei-me que, há 33 anos eu era um cidadão acabado de cumprir a idade necessária para ser candidato à Presidência da República, tinha dois filhos com 9 e 5 anos e hoje, dos quatro netos, apenas um ainda não tem cinco anos ... mas está quase lá.
A viagem foi fantástica, com o pretexto do futebol mas, dos sete, apenas um (que já cá não está) era adepto do FCP.
Foi a primeira das quatro viagens que aquela equipa, com pequenas alterações, haveria de realizar por essa Europa fora, numa altura em que as fronteiras existiam e eram exigentes (vêm visitar a família, lembro-me de nos questionarem à entrada de França), não havia GPS, o muro de Berlim ainda existia e o Euro estava bem longe, havendo necessidade de nos abastecermos da moeda de cada um dos países que visitávamos. Recordo que, na antiga Jugoslávia, nos disseram ser o Dinar bem aceite em todos os países à sua volta e ainda hoje existem algumas dessas moedas que sobraram e não foi possível trocar.
Os velhos lembram-se de cada coisa! Recordar uma viagenzita a Viena, como se fosse difícil lá chegar. Chegam quaisquer três horitas de avião ... quando começarem a voar.
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