sábado, 9 de janeiro de 2021

Frio confinado

Em Maio de 2006 deixei aqui nota de que havia nevado pela primeira vez na casa. Não tinha memória de antes ter acontecido e, até hoje, não se repetiu a imagem branca nem a dificuldade que tive na condução  de regresso, depois de uma ida, manhã cedo de domingo, a uma caminhada na zona de Alcobaça.

Hoje está mesmo muito frio e se, de manhã, ainda a rua foi visitada e se deu uma voltinha pela cidade, o regresso a casa aconteceu por volta do meio-dia, os chinelos foram calçados, as saídas terminaram e até o jardim só é visitado através dos vidros. Os pássaros estão ausentes, a rola pouco canta e só os gatos circulam. Os vizinhos estão escondidos e a rua está deserta. Nem os cães passeiam, quanto mais os donos.

Bolas! Deixai-me estar, confinadinho, para que as orelhas não gelem e o nariz não pingue. Tenho tanta coisa para fazer dentro de casa, bem juntinho à lareira. E se nevar, espreito pela janela ou espero que a televisão dê a notícia!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Normalidade

Voltou o século XXI e aí está, de novo, a Net e a TV a funcionarem em pleno.

A avaria que a NOS reportava foi, afinal, resolvida antes da hora prevista e ainda foi possível ter tudo a funcionar ontem, pouco tempo antes de o dia terminar. O telefone, entretanto, deu uma ajuda e permitiu ver o telejornal através dos dados móveis, que não são ilimitados e devem ser usados com parcimónia.

Leu-se a Gazeta, a Visão e mais umas boas páginas do livro actual. Depois, bem, depois veio a mensagem da NOS e tudo voltou à rotina, normal, que a idade já não permite grandes alterações e arroubos de aventuras.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Que fazer?

Desde manhã sem Net nem televisão, que fazer à noite?

Ler, ouvir música e pensar que voltamos a 1960.

O que vale é a NOS garantir que amanhã, às 12H27 estará tudo resolvido! 😭

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Sonhos

Por muito que os negacionistas gritem que não, vivemos em tempo de "guerra", com aspas por não existirem exércitos em confronto e as balas serem apenas imaginárias ou seringas exibidas até à exaustão.

Hoje, pela primeira vez, os infectadas pelo vírus que nos acompanha há quase um ano, ultrapassaram os dez mil, número que, mesmo para um leigo na matéria, é assustador. O agravamento da situação traz consigo mais dificuldades na saúde, mais desequilíbrios, mais pobreza, mais injustiça, mais fome.

É bonito de ver a preocupação com os sem-abrigo, os avisos para que as pessoas se protejam do frio, tenham cuidado com as braseiras, saber que, "comemorando" o dia de reis foram servidas setecentas refeições a quem delas muito necessitava, tudo realçado e acentuado por palavras solidárias e tão habituais nesta época. 

Confrontado com tudo isto, surge-me sempre a imagem de uma sociedade justa, sem miséria, sem "caridadezinha", sem "escravos", caminhando para a igualdade na diferença, com todos a viverem dignamente, com respeito, independentemente da "gravata" ou do "fato-de-macaco".

Quase meio século depois, os sonhos de Abril que a juventude dos meus vinte e dois anos alimentou e pensou ser possível, ainda estão muito longe de se concretizarem.

Como sou muito teimoso, vou continuar a sonhar ...

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Debates

Decorre a campanha eleitoral para a Presidência da República e, presume-se, sem grande margem de erro, quem será o vencedor. 

Esperar-se-ia, por isso, que os debates fossem conduzidos com elevação, procurando retirar de cada candidato as suas ideias sobre como resolver os problemas do país, as soluções que cada um tem em mente, as propostas concretas sob a forma como encaram a função a que se candidatam.

Engano! O que se vê e ouve nas televisões é a procura incessante da "guerra", da mesquinhice, do supérfluo, mesmo quando os candidatos em presença pretendem ter uma conversa civilizada.

Fica-se com a ideia de que, afinal, o país pode e deve ser presidido aos berros, como se o Palácio de Belém fosse um qualquer estádio de futebol ou uma tasca reles, e que gritar muito chega para que se mereça destaque e importância.

Valham-nos os ditados populares: "Quem muito fala pouco acerta" e "Vozes de burro não chegam ao céu".

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Jogo de meninos (1)

- Estou farta de "futebóis" no recreio! Acabou-se!

A voz da professora ecoava, forte e determinada. Era claro para todos que mandava e fazia-se obedecer.

- De quem é a bola?

Ninguém respondia, não viesse de lá o castigo da régua, da cana-da-índia ou dos dedos a repuxarem as orelhas.

- Vou guardá-la. No final do ano talvez o dono se acuse.

Na escola da GNR e da PSP, já aqui comentada,  também ninguém sabe quem é o dono da bola, mas o jogo prossegue até à conclusão do rigoroso inquérito que foi logo iniciado e há-de concluir-se talvez para as calendas.

O professor Cabrita não acabou o jogo, não guardou a bola e parece ter-se escondido no armário. Não se ouve nem se vê ... mas é ele que manda!

domingo, 3 de janeiro de 2021

Viagem domingueira

Amanheceu com muito frio e com alerta da Protecção Civil, para quem estivesse distraído e não o sentisse. O céu, como canta Caetano Veloso, dum azul celeste, celestial, o vento e a chuva, ausentes. Estavam reunidas as condições para a caminhada domingueira, para criar as reservas imprescindíveis ao suporte do confinamento que, a partir das 13 horas, está decretado. Nem para tomar uma bica há excepção e, por isso, restará o café caseiro, com a qualidade Nespresso, boa mas não substituível.

A Lagoa estava linda. Já é lugar comum mas ela toma muito cuidado com a maquilhagem  e todos os dias se apresenta diferente.

Façamos a viagem: o barco do Toni estava disponível e foi sem Pena que abandonámos o trilho costumeiro e caminhámos pelo areal. Apareceram Os Melgas, a Gabriela e o Malhoa, mas nenhum impediu o Navio de nos oferecer uma manhã Feliz.






sábado, 2 de janeiro de 2021

Balanço 2020

A idade parece trazer mais tendência para a rotina e a pandemia reforçou. Poucas alterações no dia-a-dia, uma ida ao café, rápida, a visita ao mar da Foz do Arelho, o entretenimento no jardim, umas caminhadas, algumas conversas com amigos e pouco mais, se descontarmos Julho e Agosto em que a praia foi rainha. Nem uma viagem, um espectáculo de teatro ou de música, apenas uma ida ao cinema, que nem sequer correu muito bem. Cuidado, sempre muito cuidado, foram as recomendações sempre ouvidas nas notícias e dos mais próximos. E o medo é que guarda a vinha.

A leitura, que sempre ocupou, ao longo de toda a minha vida, um espaço regular, diário, maior ou menor consoante a disponibilidade, foi rainha nestes nove meses de desassossego. Os livros lidos foram muitos. Exagero! Podiam ter sido mais, ainda faltam ler tantos, mas o tempo vai encurtando ...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

2021

Cheguei!

Sou 2021 e já estou instalado em todo o mundo, depois de completar o movimento de rotação do planeta. 

Não sei ainda como me irão apelidar aqueles que fizeram do meu antecessor uma espécie de resultado de jogo de andebol, começado em vinte / vinte e assim terminado. Se seguirem a mesma nomenclatura, eu serei, pelo menos, uma vitória ... dos visitantes, com vinte / vinte e um a começar e a terminar, lá bem no final de Dezembro.

Trago objectivos bem definidos, para tentar cumprir, e para cujo cumprimento contarei, espero, com o esforço e a dedicação de todos. Sem isso, ser-me-á impossível atingi-los e terei o mesmo destino do que me antecedeu, sem levar a cabo nada de jeito.

À cabeça do tableu de bord está a exterminação do maldito vírus, que nos azucrina a moleirinha desde Março do ano passado. Além disso, temos de recuperar a economia e a alegria de viver, temos de ser mais solidários e educados; temos de deixar de cuspir para o chão, de colocar o lixo nos recipientes a isso destinados, de respeitar a natureza e os seus ciclos e também os outros e as opiniões diferentes. Contem comigo para dar início a uma nova forma de viver e de estar, para que o mundo tenha futuro e não fique à mercê de qualquer intruso ou imbecil que por aí apareça.

P.S. - Não comecei bem. Portugal perdeu hoje um dos seus grandes nomes, da música, do convívio, da cidadania, do respeito, da educação. Aos 81 anos, Lisboa, o país e o mundo viram partir Carlos do Carmo

Como recordação, fica um pequeno exemplo, na parceria com Bernardo Sassetti, que partiu já lá vão quase oito anos. A música é de José Afonso, outro enorme que, desde 1987, também faz parte da memória sempre viva. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Carta de despedida

Vou-me embora!

Estou farto de ser vilipendiado por toda a gente, que se revela torpe e mal educada, enxovalhando-me na via pública, nas conversas mais restritas, nas rádios, nas televisões, nos jornais, nas redes ditas sociais e, vejam só, até nas novas plataformas de conteúdos televisivos e/ou cinematográficos. Estou cansado. Ninguém tem uma palavrinha de conforto, um afago, um carinho, nada.

Depois de por cá ter permanecido 366 dias (sim, porque eu sou bissexto) a tentar cumprir os objectivos que me foram traçados, eis-me a chegar ao fim sem uma única pessoa a reconhecer o esforço que fiz, mesmo que esse esforço tenha sido inglório, improdutivo e, nalguns casos até, infame. Novos e velhos, crianças e adultos, ninguém, mas mesmo ninguém, deseja sequer olhar para mim a direito. E todos fazem votos para que o meu substituto seja melhor do que eu e me faça desaparecer rapidamente do calendário, refrescando-o como o Marcelo fez ao Palácio de Belém.

Estou triste, mas compreendo. Não tive culpa nem tenho problemas de consciência. Fiz o que pude. Quis o destino que me calhasse a mim, eu que até tinha um nome giro - dois mil e vinte para uns, vinte vinte para outros - e me preparava para ficar na história da terra de Camões como o ano em que o calote do país tinha diminuído e que os horizontes da melhoria se consolidariam, acabo a ser corrido por indecente e má figura, com tachos e panelas a bater, gritos e ralhos, escritos e esconjuros, tudo dentro de casa, e a ser completamente varrido dos pensamentos positivos que, em alguns, ainda possam existir.

É triste chegar ao fim de um ano de trabalho e constatar que, quando a história me recordar, escreverá, com letras bem grandes, que fui um ano para esquecer!

Desculpem. Ainda me resta alguma força e um mínimo de dignidade, essa coisa tão arredia que muitos desconhecem, para desejar que o meu sucessor 2021, apesar de não ter um nome tão bonito quanto o meu, seja melhor e vos dê o bem-estar e o sossego que eu não fui capaz.

Até nunca mais e votos de melhores dias. 

O vosso odiado 2020.