Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
terça-feira, 9 de junho de 2020
Quotidiano
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Racismo
domingo, 7 de junho de 2020
Vermelhinha
- É sempre a vermelhinha que ganha.
- Esta perde, esta torna a perder, é sempre a vermelhinha que ganha.
- Esta perde e esta torna a perder, é sempre a vermelhinha que ganha.
- Está feito e não mexe mais!
- Esta perde, e arrecadava as moedas que os parolos tinham colocado em cima;
- Esta torna a perder, e mais umas moeditas faziam o percurso rápido para o bolso;
- É sempre a vermelhinha que ganha, eu avisei. Preparem-se para a próxima.
- Olh'ó chui, ouviu-se.
- Está feito e não vale ensinar. É sempre a vermelhinha que ganha!
sábado, 6 de junho de 2020
Livros (lidos ou em vias disso)
Três dias depois de ter chegado, ei-lo que se vai encaminhar para a prateleira e juntar-se a todos os seus "irmãos" mais velhos, num sítio onde não há violência e antes muito carinho por todos.
É o melhor!?
Não sei, mas quando o terminei pensei isso. Depois, olhei o mar e disse para comigo: estarás a ser influenciado pela memória que está tão presente no espanto da Margarida e já arrumou no cantinho mais fundo todos os outros. Podes estar a ser injusto. Diz só: é muito bom!
Lembro-me de, há bastantes anos e quando RGC ainda estava no começo, ter ouvido António Lobo Antunes dizer, sem papas na língua, que ele era um grande escritor. Os seus livros têm-no confirmado e o "Daqui a nada" já saiu em 1995. A minha opinião, que nada vale, é a mesma.
sexta-feira, 5 de junho de 2020
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Caça
- Bom dia
- Não gostava que alguém, nesta casa, falasse mais alto do que eu.
- Já levo almoço, ciciava.
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Livros lidos (ou em vias disso)
- Olá, doutor, trago então aqui as gravações vídeo e áudio de tudo o que me aconteceu na infância.
- Ah sim? Ora muito bem, vamos então lá ver isso. E é tudo, tudo?
- Tudo. Tudo o que os meus olhos viram sem saber o que estavam a ver, tudo o que escutei, mesmo sem querer, tudo o que me disseram, nas exactas palavras que me disseram.
- Portanto, quando lhe ralharam ou repreenderam e assim, também? E outras coisas, enfim, mesmo mesmo desagradáveis?
- Tudo. A minha infância toda.
- Mas momentos bons também, espero?
- Sim, claro. Quer dizer, acho que sim.
- Óptimo, óptimo.
- Acha que vai encontrar as razões da minha depressão?
- Bom, não sei, uma coisa lhe garanto, normalmente estão aqui, nestas gravações do cérebro, muitas vezes em idades em que mal sabíamos falar.
- Boa. Olhe, assim sendo se calhar escuso de ficar, não é? Deitar-me no divã, fazer um esforço para me recordar do que não me recordo, você constantemente a fazer perguntas que eu acho que me resolvem o problema mas quando eu pergunto "Isto é o quê, doutor?", você pergunta de volta "e que acha você que pode ser?".
- Sim, sim, acho que sim, deixe-me as gravações e pronto, não prometo é que as veja hoje.
- Ligo depois a marcar para vir ouvir as conclusões?
- Sim, claro, ou marque ali com a minha assistente quando sair, está bem?
- Claro, até breve.
- Até breve, Margarida.
terça-feira, 2 de junho de 2020
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Licença de isqueiro
- É já aqui, antes que a fome e a sede me façam desmaiar, disse alto para se ouvir e acreditar.
- Bom dia. Então o que vai ser?, perguntou o homem do balcão, com o palito na boca e o pano, sujo, no ombro.
- Dois pastelinhos de bacalhau e um copinho de branco, bom.
- Tem licença?
- Licença de quê?
- Do isqueiro, respondeu o cívico. É preciso. Se não tem, vou autuá-lo e o isqueiro reverte a favor do Estado.
- Não tem vergonha? Está autuado!
- Meto-lhe medo ou cheiro mal?
- Não, senhor guarda, não é nada disso. É que, há bocado, um colega seu multou-me e ficou com o meu isqueiro e eu estou com medo que agora aconteça o mesmo. O instrumento faz-me falta.
domingo, 31 de maio de 2020
Livros (lidos ou em vias disso)
- Quem é o importante? - consultou o técnico.
- Quem é o premiado? - perguntou, e, então, Ryszard Kapuscinski apontou para mim com um dedo acusador.
- Quem é você e porque o premiaram?
sábado, 30 de maio de 2020
Quotidiano Corona
Pelo que se vê nas televisões, um dos cafés não cumpriu e foi enviado um forte contingente policial para garantir que a ordem das autoridades de saúde era acatada.
Até aqui tudo normal mas (há sempre um mas) a ironia está no apelidar de "café" àquele tugúrio miserável que surgiu nas imagens o qual, tudo o indica, existirá assim há quarenta anos ou perto disso. Por certo que muitas pessoas estarão a corar de vergonha por ainda se manter uma situação daquelas, bem perto de grandes urbanizações e de uma zona ribeirinha do Tejo bem arranjada e muito bonita. Alguns dos primeiros a habitarem por ali já cá não estarão para contar as promessas, e partiram antes de o Covid chegar.
Pergunta indiscreta e estúpida: os cafés têm licença?
sexta-feira, 29 de maio de 2020
Festa
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Mar - O bom e o péssimo
quarta-feira, 27 de maio de 2020
Futebol Clube do Porto em Viena - 1987
terça-feira, 26 de maio de 2020
A sala de aula (na primária)
- Põe-te direito e está quieto, para ver quantas carreiras faltam.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Quotidiano
domingo, 24 de maio de 2020
Maria Velho da Costa
sábado, 23 de maio de 2020
Quotidiano
Num dia de muito calor,os irmãos foram passeara uma floresta cheia de core a um rio se refrescar.
A primavera começou:- Eu sou a melhor estação do ano,porque tenho mais cor e amor,os meninos podem flores apanhare às suas mães levar.O verão brincou:- Pois é, pois é,mas é na praia que se molha o pé,e perlim, pim, pimvai mais uma bola de berlim.O outono rabujou:- Eu é que sou o melhor,basta olhar ao meu redor,nas folhas secas podem correre as castanhas assadas vou comer.O inverno terminou:- Ai, sim?Para os bonecos de neve fazer,neve tem de haver,à lareira um chocolate quentee assim ninguém bate o dente.Vamos agora mais além,gritaram os irmãos em bom som,ninguém é melhor que ninguémporque cada um tem o seu dom.




