Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Liberdade e Poesia
Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por suíços habitada,
onde a tristeza vil e apagada,
se disfarça de gente mais activa;
daqui deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;
daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira de vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristolho que se apaga;
daqui, só paciência, amigos meus!
Peguem lá o soneto e vão com Deus ...
Alexandre O'Neill
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Liberdade e Poesia
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.
Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.
Entretanto, deixai que me não cale:
até que o mundo fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.
A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a sua dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.
Carlos de Oliveira
terça-feira, 21 de abril de 2020
Liberdade e Poesia
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim)! porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua autora?
De santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia:
Oh! Venha ... Oh! Venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!
Eia! Acode ao mortal, que frio e mudo
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo:
Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso numen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, oh Liberdade!
Manuel Maria Barbosa Du Bocage
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Liberdade e Poesia
domingo, 19 de abril de 2020
sábado, 18 de abril de 2020
Quotidiano
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Quotidiano
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Quotidiano
quarta-feira, 15 de abril de 2020
Quotidiano
terça-feira, 14 de abril de 2020
Quotidiano
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Auto de São Martinho
Quotidiano
domingo, 12 de abril de 2020
Quotidiano
sábado, 11 de abril de 2020
Quotidiano
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Matar o bicho
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Quotidiano
terça-feira, 7 de abril de 2020
Quotidiano
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Quotidiano
domingo, 5 de abril de 2020
Quotidiano
sábado, 4 de abril de 2020
Quotidiano
sexta-feira, 3 de abril de 2020
Humildade
General Ramalho Eanes
Entrevista à RTP 1 - 01.04.2020
Bastava esta frase para valer a pena ouvir, mas ainda disse muitas mais coisas que arrepiaram, de entre elas uma que me recordou tempos idos: "O militar está sempre de serviço. Se for preciso, dorme no seu posto."
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Quotidiano
quarta-feira, 1 de abril de 2020
Melros
terça-feira, 31 de março de 2020
Quotidiano
segunda-feira, 30 de março de 2020
Quotidiano
domingo, 29 de março de 2020
Palavras bonitas
Eu transmito-te este domingo à tarde,
a voz do vizinho através da parede.
Tu transmites-me a distância que existe
depois do que consigo ver pela janela.
Durante a noite mudou a hora e, no entanto,
continuamos no tempo de ontem.
Como é raro este domingo, não podemos
garantir que amanhã seja segunda-feira.
O futuro perdeu-se no calendário, existe
depois do que conseguimos ver pela janela.
O futuro diz alguma coisa através da parede,
mas não entendemos as palavras.
Lavamos as mãos para evitar certas palavras.
E, mesmo assim, neste tempo raro, repara:
tu e eu estamos juntos neste verso.
O poema é como uma casa, tem paredes
e janelas, é habitado pelo presente.
Olhamo-nos nos olhos pela internet,
estamos verdadeiramente aqui.
O poema é como uma casa,
e a casa protege-nos.
José Luís Peixoto
29 de Março de 2020
(Em tempo de clausura, sabe bem ler estas palavras de um escritor de quem gosto muito. A minha filha, que sabe isso, deve tê-las obtido na Net e enviou-mas de imediato.)
Novas tecnologias
sábado, 28 de março de 2020
Quotidiano
sexta-feira, 27 de março de 2020
Quotidiano
quinta-feira, 26 de março de 2020
Quotidiano
quarta-feira, 25 de março de 2020
Quotidiano
terça-feira, 24 de março de 2020
Quotidiano
segunda-feira, 23 de março de 2020
Quotidiano
domingo, 22 de março de 2020
Egoísmo e ingratidão
sábado, 21 de março de 2020
Dia Mundial da Poesia
sexta-feira, 20 de março de 2020
Quotidiano
O Instagram transmite, em directo, concertos de vários artistas. O programa pode ser consultado aqui.
quinta-feira, 19 de março de 2020
Dia do Pai
terça-feira, 17 de março de 2020
Pedro Barroso
segunda-feira, 16 de março de 2020
Coronavírus
segunda-feira, 2 de março de 2020
Lembranças
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Quotidiano
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
Racismo
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
Netos
- Vô, vamos lá abaixo à ga_agem!
- Cuidado com as escadas, é melhor dares-me a mão.
- Não p_eciso, já sou g_ande!
- P_imeiro vamos no teu, ao pa_que.
- V_um, V_um, V_um!
Liga o carro, mexe o volante, simula meter mudanças, apita ...
- P_onto! Ago_a vamos no da avó.
A mesma coisa, com a particularidade de, neste, o cuidado ter de ser maior. Ao contrário do outro, este trabalha só com o ligar da chave e sem necessidade de carregar na embraiagem.
- P_onto! Já chega! Podes ir pa_a cima que eu fico a b_incar aqui ...
O meu Miguel faz hoje 4 anos e está cheio de confiança.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
Livros (lidos ou em vias disso)
(...) Correr. Ao longo do arame farpado. Não lhe tocar. As lâmpadas estão no encarnado.
Passar outra vez pelo portão para entrar. A passagem é estreita. É preciso correr ainda mais depressa. Não importa as que caem, são espezinhadas.
Correr. Schneller. Correr.
Voltar outra vez para diante dos homens que tornam a encher o avental de terra.
Têm de fazê-lo depressa, estão a levar pancada. Pazadas bem cheias, batem-lhes, batem-nos.
Uma vez o avental cheio, pauladas. Schneller.
Correr para o portão, passar sob as correias e os chicotes, correr em cima da tábua que balança e se verga. Atenção à bengala do chefe SS na extremidade da tábua. Esvaziar o avental em cima de um ancinho, correr, atravessar o portão pela passagem cada vez mais estreita - é aí que os bastões se acumulam -, correr em direcção aos homens para voltar a apanhar duas pazadas de terra, correr para o portão, num circuito ininterrupto.
Querem fazer um jardim à entrada do campo.
Duas pazadas de terra até que não são muito pesadas. Mas vão-se tornando. Pesam mais e tornam o braço anquilosado. Atrevemo-nos a segurar mal os cantos do avental para deixar cair um bocado de terra. Se uma fúria vê, bate-nos. E, no entanto, fazêmo-lo, porque é peso de mais.
Há um francês. Aldrabamos e calculamos a corrida para ser ele a abastecer-nos. Tentamos trocar algumas palavras. Fala sem mexer os lábios, sem levantar os olhos, é assim que se aprende a falar na prisão. São precisas três voltas para uma frase.






